O novo single dos A PERFECT CIRCLE surge a poucos dias do arranque da próxima digressão europeia da banda norte-americana — a primeira em oito anos — e traz de volta Josh Freese à bateria.
Há temas que nos chegam como se já existissem algures, à espera de serem descobertas. «Starless», o novo single dos A PERFECT CIRCLE, pertence claramente a essa rara categoria. Lançada de surpresa dias antes do grupo pisar palcos europeus pela primeira vez desde 2017, a canção vem apresentar o primeiro material inédito da banda em dois anos — o mais recente tinha sido «Kindred», incluído no EP «Sessanta E.P.P.P.» em 2024.
A diferença de tom é sensível: onde «Kindred» se movia em território mais familiar, «Starless» instala-se num lúgubre balanço que vai crescendo com a determinação silenciosa de quem sabe exactamente onde quer chegar. Billy Howerdel, guitarrista e arquitecto sonoro dos A PERFECT CIRCLE, foi categórico sobre o processo criativo: “Algumas canções são trabalhadas e moldadas durante anos. Mas de vez em quando, uma toma forma rapidamente, como se já tivesse estado ali desde sempre.”
Composta no início deste ano, a faixa foi gravada no Lankershim Ranch Studio, em Studio City, Califórnia, local onde Howerdel mantém como quartel-general criativo. A mistura ficou a cargo do próprio Howerdel em colaboração com Matty Green, habituado a trabalhar com nomes como U2, Florence + the Machine e TV On The Radio.
A grande novidade do ponto de vista técnico — e emotivo para os seguidores dos A PERFECT CIRCLE — é o regresso de Josh Freese à bateria. Freese, cujo percurso atravessa décadas de trabalho com os NINE INCH NAILS e os FOO FIGHTERS, entre outros, é uma presença habitual no universo A PERFECT CIRCLE e a sua intervenção em «Starless» sente-se muito bem: a percussão ancora a canção sem a sufocar, criando espaço para que a voz de Maynard James Keenan respire e se imponha.
Porque é a voz de Keenan que, como sempre, carrega o peso dramático de todo o tema. Em «Starless», o vocalista dos TOOL orbita em torno de figuras que Howerdel descreve como “ávidas de poder”, e construi um texto que interroga a capacidade de manter a bússola moral intacta num mundo que a testa de forma sistemática. Não é terreno novo para os A PERFECT CIRCLE — desde «Mer de Noms» que navegam entre introspecção psicológica e a crítica sociopolítica — mas a abordagem aqui tem uma urgência contida que se distingue.
Keenan revela estar “radiante por estrear este novo tema em palco no Reino Unido”, acrescentando que, embora a versão de estúdio o entusiasme, as canções dos A PERFECT CIRCLE “ganham sempre uma personalidade expandida quando começamos a tocá-las ao vivo.”
«Starless» chega também em formato físico, numa edição em vinil de 7″. Foram anunciadas duas edições limitadas a mil exemplares cada — uma em prata e preto bicolor e outra em branco com salpicos de azul e preto —, ambas numeradas em folha e acompanhadas de um adaptador de 45 rotações com branding exclusivo da banda.
A digressão europeia dos A PERFECT CIRCLE, a primeira em oito anos, arranca já no dia 3 de Junho com a primeira de duas noites esgotadas na O2 Academy Brixton, em Londres. É nesse palco que «Starless» será estreada ao vivo — e, conhecendo o historial da banda em contexto de concerto, a versão que o público ouvirá pode muito bem ser mais reveladora do que aquela disponível nas plataformas de streaming. Os A PERFECT CIRCLE actuam a 9 de Julho no NOS Alive.




