SEPULTURA

SEPULTURA juntam-se a DAVE GROHL no último concerto dos Estados Unidos [vídeo]

As lendas brasileiras SEPULTURA encerraram a etapa norte-americana da sua digressão de despedida com uma surpresa que fez tremer o The Wiltern, em Los Angeles.

A certa altura do concerto de 29 de Maio no The Wiltern, em Los Angeles, o público presente começou a perceber que algo estava prestes a acontecer. A meio do alinhamento, Dave Grohl surgiu ao palco sem qualquer anúncio prévio — e a sala com quase um século de história, rendeu-se à euforia. O homem que tocou bateria nos NIRVANA e fundou os FOO FIGHTERS estava ali para prestar homenagem a uma das bandas que mais marcou a sua formação musical.

O momento escolhido não podia ser mais adequado. Dave Grohl posicionou-se do lado esquerdo do palco para uma interpretação de «Kaiowas», o tema instrumental extraído do seminal álbum «Chaos A.D.», de 1993. Uma peça que dispensa letra, voz ou artifício: só percussão, tensão e silêncio calculado, num dos momentos mais contemplativos e genuinamente brasileiros da discografia dos SEPULTURA. Podes ver um vídeo do momento aqui.

O afecto de Dave Grohl pela banda de Belo Horizonte não é recente nem superficial. Numa edição de 2017 da revista britânica Mojo, Grohl elegeu o «Roots», o clássico dos SEPULTURA de 1996, como um dos discos que moldaram a sua imaginação sónica e lhe salvaram a vida.

Em 2015, durante uma aparição no programa The Late Late Show With James Corden, Grohl fez questão de partilhar esse entusiasmo com o grande público: “Uma das minhas bandas de heavy metal favoritas de sempre é do Brasil. São uma banda chamada SEPULTURA. São incríveis, mas uma das coisas loucas que fizeram foi gravar um álbum chamado «Roots». Incorporaram instrumentação brasileira completamente insana na música mais pesada que alguma vez ouvirão na vossa vida. Mudou o jogo. Foi a coisa mais pesada de sempre.”

Essa admiração teve consequências concretas. Dave Grohl chegou a recrutar Max Cavalera, ex-vocalista dos SEPULTURA, para aparecer no álbum de estreia do seu projecto PROBOT, editado em Fevereiro de 2004 pela Southern Lord. Mais recentemente, escreveu o prefácio da autobiografia de Max, intitulada My Bloody Roots: From Sepultura To Soulfly And Beyond.

Importa aqui referir que este concerto no The Wiltern, em Los Angeles, foi a última data da etapa norte-americana da digressão de despedida Celebrating Life Through Death. A formação actual dos SEPULTURA conta com Andreas Kisser na guitarra, o vocalista Derrick Green e o baterista Greyson Nekrutman, sendo o baixista Paulo Jr. o único membro fundador ainda presente.

Em 2024, Kisser explicou à revista Classic Rock as razões que o levaram a encerrar a actividade com os SEPULTURA após esta digressão: “Foram vários factores, incluindo o quadragésimo aniversário. Sobreviver à pandemia deu-nos uma nova perspectiva, e depois, há dois anos, a minha mulher morreu de cancro. Fez-me perceber que morrer pode abrir novas possibilidades para a vida. Viver no presente, porque pode não haver amanhã. Além disso, fizemos um grande álbum [«Quadra», 2020], por isso porque não terminar em alta? Morrer pode ser magnífico.”

No mês passado, a banda lançou ainda o seu EP final, «The Cloud of Unknowing». A partir de hoje, os SEPULTURA iniciam a etapa europeia da digressão, arrancando com uma actuação no South of Heaven Open Air, festival nos Países Baixos com nomes como ALESTORM, ANTHRAX e MEGADETH no cartaz.

O concerto final dos SEPULTURA está marcado para 7 de Novembro na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, no Brasil — o encerramento de uma carreira com mais de quatro décadas. Para esse momento histórico, a banda prometeu convidados especiais, incluindo antigos membros. A carreira dos SEPULTURA soma 14 discos de ouro, e o concerto de despedida em território brasileiro promete ser uma celebração à altura desse legado.

Estarão presentes a METAL ALLEGIANCE — superbanda que reúne Mike Portnoy (dos DREAM THEATER), Chuck Billy e Alex Skolnik (dps TESTAMENT) e Troy Sanders (dos MASTODON) —, os SACRED REICH e os brasileiros KRISIUN. Notavelmente ausentes ficarão Max e Igor Cavalera, que recusaram o convite de Andreas Kisser para participar no último adeus.