ROSS THE BOSS

[R.I.P.] ROSS “THE BOSS” FRIEDMAN | 03.01.1954 — 26.03.2026

A morte de ROSS “THE BOSS” FRIEDMAN, guitarrista fundador dos MANOWAR e dos THE DICTATORS, encerra um percurso determinante que atravessou décadas e ajudou a definir o heavy metal e o punk.

Ross “The Boss” Friedman, guitarrista fundador dos MANOWAR e dos THE DICTATORS, morreu aos 72 anos, pouco mais de um mês após ter tornado público o seu diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa progressiva também conhecida como doença de Lou Gehrig. Esta notícia foi confirmada através de um comunicado oficial divulgado nas redes sociais do Metal Hall Of Fame, onde Friedman era reconhecido como uma das figuras centrais da história do género.

“É com profunda tristeza que confirmamos a morte do lendário guitarrista, nosso querido amigo e membro do Metal Hall Of Fame Ross ‘The Boss’ Friedman”, lê-se na nota. “Ross foi uma força pioneira tanto no punk como no heavy metal”, acrescenta o texto, sublinhando ainda o papel do guitarrista como “Global Metal Ambassador” e destacando “o seu som inconfundível, a sua postura intransigente e a forma como ajudou a moldar gerações de músicos e fãs em todo o mundo”.

A mesma declaração recorda o modo como o guitarrista enfrentou a doença: “No início deste ano, o Ross partilhou publicamente o seu diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, enfrentando-o exactamente com a mesma coragem e honestidade que sempre definiram a sua vida e carreira”. O comunicado termina com uma mensagem de condolências dirigida à família, ais amigos e aos fãs do músico, prometendo mais informações oportunamente.

Também a página oficial de Ross “The Boss” Friedman no Facebook publicou uma nota muito emotiva. “Um guitarrista lendário e um pai amado, a sua música e espírito impactaram fãs em todo o mundo, tanto quanto vocês o impactaram a ele”, pode ler-se. A mensagem sublinha ainda a dimensão pessoal da perda: “A sua música significava tudo para ele e a sua guitarra era o sopro da sua vida. A doença insidiosa retirou-lhe isso”.

O diagnóstico de Ross “The Boss” havia sido tornado público no início de Fevereiro, após vários meses de sintomas aparentemente desconexos, incluindo fraqueza nas mãos e pernas. Inicialmente atribuídos a pequenos acidentes vasculares, esses sinais revelaram-se, posteriormente, parte da progressão da ELA. Na altura, o próprio Friedman partilhou o impacto da notícia: “É difícil saber o que vem a seguir, e custa-me não poder tocar guitarra, mas a onda de apoio tem sido tão forte. Estou absolutamente impressionado com o amor da família, amigos e fãs. Amo-vos a todos”.

Figura incontornável na história da música pesada, Ross “The Boss” deixou uma marca profunda em dois universos que, apesar de distintos, partilham uma mesma energia fundacional. Nos THE DICTATORS, ajudou a definir uma das primeiras linguagens do punk rock com álbuns como «Go Girl Crazy!», «Manifest Destiny» e «Bloodbrothers», surgidos antes mesmo das estreias de nomes como os RAMONES, THE CLASH ou SEX PISTOLS.

Já nos MANOWAR, integrou a formação clássica que lançou alguns dos discos mais emblemáticos do heavy metal, incluindo «Battle Hymns», «Into Glory Ride», «Hail To England» e «Kings Of Metal», este último marcando a sua saída da banda em 1988.

Ao longo das décadas seguintes, manteve-se activo em múltiplos projectos, cruzando linguagens e reafirmando a sua identidade musical. Participou em iniciativas como MANITOBA’S WILD KINGDOM, colaborou com diversas formações e integrou projectos como BRAIN SURGEONS, ao lado de Albert Bouchard, dos BLUE ÖYSTER CULT. Paralelamente, desenvolveu o seu percurso em nome próprio com ROSS THE BOSS e participou ainda em projetos como DEATH DEALER, mantendo sempre uma ligação consistente ao universo do heavy metal.

A sua morte representa o desaparecimento de uma das figuras que ajudaram a construir a base estética e sonora de dois movimentos essenciais da música contemporânea. Por tudo isso, o legado de Ross “The Boss” Friedman permanece inscrito na história do som pesado, não apenas pelos discos que deixou, mas pela influência duradoura que continua a atravessar gerações.