Editado a 16 de Abril de 1996, o segundo álbum dos RAGE AGAINST THE MACHINE estreou directamente no topo da Billboard e consolidou uma linguagem que viria a marcar toda uma geração.
Lançado a 16 de Abril de 1996, três décadas depois, o «Evil Empire» permanece como um dos registos mais determinantes da história recente da música pesada e politicamente consciente. O segundo longa-duração dos RAGE AGAINST THE MACHINE não só confirmou o impacto inicial da estreia homónima de 1992, como elevou a fasquia ao alinhar, com maior precisão, uma abordagem musical híbrida com um discurso ideológico frontal e assumido.
Editado pela Epic Records, o álbum entrou directamente para o primeiro lugar da tabela norte-americana Billboard 200, com cerca de 249 mil cópias vendidas na primeira semana. Esse arranque não só refletiu a crescente notoriedade do quarteto de Los Angeles, como também assinalou um momento de viragem na forma como o grande público começava a absorver a fusão entre o hip-hop e o rock pesado.
Formados por Zack De La Rocha, Tom Morello, Tim Commerford e Brad Wilk, os RAGE AGAINST THE MACHINE apresentaram uma versão mais refinada da sua identidade sonora. A guitarra de Tom Morello, construída sobre manipulações pouco convencionais e efeitos que frequentemente evocavam scratches de DJ, encontrou uma base rítmica sólida e orgânica, profundamente enraizada em grooves que seguiam uma matriz funk e hip-hop. Esta abordagem afastava-se deliberadamente das estruturas tradicionais do metal, contribuindo para uma linguagem própria.
Do ponto de vista temático, o álbum aprofundou a linha de intervenção política que já caracterizava os RAGE AGAINST THE MACHINE. O próprio título, «Evil Empire», remetia directamente para a expressão utilizada por Ronald Reagan durante a Guerra Fria para descrever a União Soviética — uma apropriação que o grupo reinterpretou como crítica à política externa e interna dos Estados Unidos. Como explicaria mais tarde Zack De La Rocha, “acreditávamos que essa expressão podia ser aplicada aos próprios Estados Unidos e às suas acções globais”.
De resto, essa postura atravessa todo o alinhamento. «People Of The Sun» aborda a resistência indígena e episódios da história mexicana, enquanto «Bulls On Parade» aponta directamente ao complexo militar-industrial. Já «Down Rodeo» explora desigualdades raciais e de classe, ao passo que «Without A Face» se debruça sobre as consequências das políticas migratórias e da violência na fronteira entre os Estados Unidos e o México. Antes mesmo da edição do álbum, «Year Of Tha Boomerang» já tinha surgido na banda sonora do filme Higher Learning, antecipando algumas das linhas temáticas que acabariam por ser desenvolvidas do longo do disco.
O reconhecimento crítico e institucional também não tardou. «Tire Me» venceu o Grammy para ‘Melhor Performance Metal’ em 1997, enquanto «Bulls On Parade» e «People Of The Sun» foram nomeadas na categoria de ‘Melhor Performance Hard Rock’. Em termos comerciais, o álbum atingiu a certificação de tripla platina nos Estados Unidos até Maio de 2000, ultrapassando os três milhões de unidades vendidas. Os RAGE AGAINST THE MACHINE transformaram-se num fenómeno.
Gravado maioritariamente nos Cole Rehearsal Studios, localizados em Los Angeles, o segundo álbum dos RAGE AGAINST THE MACHINE contou com produção partilhada entre a própria banda e o Sr. Brendan O’Brien, mistura de Andy Wallace e masterização de Bob Ludwig. Paralelamente à componente sonora, a dimensão visual e conceptual também foi cuidadosamente trabalhada. A capa — baseada numa obra do artista pop Mel Ramos — foi adaptada para refletir a estética e a mensagem do grupo, enquanto a artista Barbara Kruger contribuiu com elementos gráficos que reforçaram o carácter político da edição, visíveis tanto nos materiais promocionais como no vídeo-clip de «Bulls On Parade».
E, claro, o impacto de «Evil Empire» fez-se sentir rapidamente além das fronteiras norte-americanas, com o álbum a alcançar posições cimeiras em vários outros territórios, incluindo o segundo lugar na Austrália e o topo da tabela de vendas sueca. Mais do que números, porém, o disco ajudou a ampliar o alcance de uma abordagem musical e ideológica que até então circulava sobretudo em circuitos alternativos.
Trinta anos volvidos, o «Evil Empire» mantém-se como um ponto de referência na discografia dos RAGE AGAINST THE MACHINE, situado entre a estreia de 1992 e «The Battle Of Los Angeles», de 1999. Além disso, é sobretudo o registo onde a banda encontrou por fim o equilíbrio pleno entre forma e conteúdo, projectando uma linguagem que viria a influenciar uma vaga significativa de artistas no final da década de 1990. Revisitado agora, continua a funcionar como documento de uma época em que as fronteiras entre géneros se tornaram mais permeáveis e em que o discurso político encontrou uma série de novas vias de expressão dentro da música pesada.




