Esta decisão histórica pode muito bem redefinir o funcionamento da indústria da música ao vivo, após anos de críticas ao domínio da LIVE NATION e da TICKETMASTER.
Um júri federal em Manhattan concluiu que a Live Nation Entertainment e a sua subsidiária Ticketmaster operaram como um monopólio ilegal, num desfecho que representa um dos mais duros golpes alguma vez infligidos ao sector da música ao vivo nos Estados Unidos. Recorde-se que esta decisão surge após anos de escrutínio público e institucional sobre o domínio exercido por estas empresas no ecossistema de concertos e venda de bilhetes.
O caso teve origem numa investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, que avançou com um processo formal em 2024, acusando as empresas de práticas anticoncorrenciais. Entre as alegações apresentadas no processo, destacam-se acordos de exclusividade que afastam promotores concorrentes, pressão exercida sobre salas de espectáculos para utilizarem exclusivamente os serviços da Ticketmaster e o uso da sua escala global para limitar a concorrência em múltiplos níveis da indústria.
No início deste ano, o Departamento de Justiça tinha chegado a um acordo com a Live Nation e a sua subsidiária Ticketmaster, que previa até 280 milhões de dólares em indemnizações, limites nas taxas de serviço e a obrigação de flexibilizar contratos de exclusividade com recintos. Contudo, após o recuo do governo federal em Março, uma coligação de cerca de 30 estados — incluindo Califórnia e Nova Iorque — decidiu prosseguir com o processo, conduzindo ao veredicto agora conhecido.
Entre as vozes mais mediáticas envolvidas no debate esteve Kid Rock, que participou como consultor e se mostrou crítico do acordo inicial, defendendo que o caso deveria ser decidido em tribunal. “Não percebo porque negociariam um acordo. Porque não deixar o processo seguir o seu curso? Vamos ver o que estas 12 pessoas decidem”, afirmou, numa posição que antecipava o desfecho agora alcançado.
A decisão foi recebida com entusiasmo por responsáveis políticos, incluindo Rob Bonta, procurador-geral da Califórnia, que destacou a importância do veredicto para a defesa dos consumidores. “Perante a diminuição da aplicação das leis antitrust pela Administração Trump, este veredicto mostra até onde os estados podem ir para proteger os nossos residentes de grandes empresas que utilizam o seu poder para aumentar ilegalmente os preços e explorar os americanos”, afirmou.
“Estamos extremamente orgulhosos deste resultado — e particularmente da nossa coligação, composta por estados de diferentes orientações políticas, que compreendeu a necessidade de agir em conjunto para que os consumidores, empresas e economias estaduais sejam protegidos da conduta ilegal da Live Nation.”
Apesar da decisão, ainda permanecem por definir as consequências concretas para a Live Nation e para a Ticketmaster, incluindo eventuais sanções adicionais ou mudanças estruturais no seu modelo de negócio. Ainda assim, o impacto potencial deste veredicto será certamente significativo, podendo mesmo levar a uma reconfiguração profunda do mercado da música ao vivo, há muito dominado por estas empresas.



