QUEENS OF THE STONE AGE

QUEENS OF THE STONE AGE juntam-se a NICK OLIVERI em palco pela primeira vez em 12 anos [vídeo]

Doze anos depois do afastamento conturbado, o antigo baixista dos QUEENS OF THE STONE AGE voltou a partilhar o microfone com Josh Homme num concerto que já se adivinhava especial.

O concerto do dia 24 de Abril no Joshua Tree Retreat Center, na Califórnia, ficará gravado na memória dos presentes não apenas pelo que foi tocado, mas pelo que representou: Nick Oliveri voltou a partilhar um palco com os QUEENS OF THE STONE AGE pela primeira vez em doze anos, numa noite que transformou um concerto numa espécie de acerto de contas com o passado.

Foi Josh Homme, fundador e estratega dos QUEEN OF THE STONE AGE, quem anunciou o convidado especial, com a parcimónia calculada de quem sabe o peso das palavras que está prestes a proferir — apresentou Nick Oliveri ao público como “uma daquelas pessoas que amo profundamente“, antes de o convidar a cantar «Auto Pilot», tema do álbum «Rated R», de 2000. Oliveri não empunhou um baixo — esteve ali apenas como vocalista, a cantar ao lado de Homme e do actual baixista dos QOTSA, Michael Shuman. A certa altura, desceu até ao fosso dos fotógrafos para se aproximar do público, num gesto de cumplicidade rara.

Tudo isto aconteceu durante a mais uma data da Catacombs Tour, a digressão que a banda tem em curso nos Estados Unidos e que termina a 1 de Maio em Lincoln, na Califórnia.

Nick Oliveri e Josh Homme conhecem-se há décadas. Foram ambos membros dos KYUSS, o grupo de stoner rock californiano que, no início dos anos 90, redefiniu o que era possível fazer com as guitarras pesadas, grooves alucinogénios e uma estética de calor e asfalto. Quando os KYUSS se dissolveram, já durante a segunda metade dos 90s, Homme fundou os QUEENS OF THE STONE AGE e convidou Oliveri para se juntar ao projecto em 1998.

Seguiram-se dois dos LPs mais determinantes na história do rock alternativo das últimas décadas: «Rated R», de 2000, e «Songs For The Deaf», de 2002. O segundo, em particular, é considerado uma obra-prima do género — denso, veloz, sarcástico, com uma energia que poucos discos conseguiram replicar. Oliveri era parte essencial dessa sonoridade: o contraponto selvagem e caótico à precisão cirúrgica de Homme.

Em 2004, a parceria terminou de forma abrupta. Oliveri foi afastado dos QUEENS OF THE STONE AGE na sequência de acusações de violência doméstica — um capítulo sombrio que ensombrou muito a narrativa de um músico talentoso e, por extensão, a própria história da banda. Ainda assim, desde então, a relação entre os dois nunca foi de ruptura total. Em 2013, Oliveri surgiu nos créditos de «…Like Clockwork» com vocais de apoio na faixa «If I Had A Tail». No ano seguinte, partilhou palco com a banda num espectáculo em Portland, no Oregon — um momento único, mas que passou quase despercebido.

O que aconteceu em Joshua Tree no passado dia 24 tem, porém, uma carga diferente. O cenário não é inocente: o deserto de Joshua Tree é o território mítico onde os KYUSS forjaram a sua identidade, onde os QUEENS OF THE STONE AGE beberam a sua estética. Há qualquer coisa de circular e deliberado em este regresso acontecer precisamente aqui.

Entretanto, os QUEENS OF THE STONE AGE não dão sinais de abrandamento. Após o final da digressão norte-americana, a banda parte para uma tour pelo Reino Unido e pela Europa a partir de finais de Junho. Em Agosto, juntam-se aos FOO FIGHTERS numa digressão por grandes estádios norte-americanos — um exemplo, mais um!, da sua longevidade e relevância num panorama rock cada vez mais fragmentado.