MISERY INDEX

MISERY INDEX regressam com «Feral Future», o primeiro single em quatro anos [streaming]

Os MISERY INDEX decidiram quebrar o silêncio com uma faixa sobre a reconquista da natureza, antecipando o oitavo álbum de originais e a digressão europeia que decorre durante este Verão.

Quatro anos de espera terminam esta semana. Os norte-americanos MISERY INDEX editaram «Feral Future», o seu primeiro tema inédito desde 2022, acompanhado de um lyric video oficial que já circula nas plataformas habituais. O regresso surge num momento particularmente simbólico para a banda: coincide com o seu retorno à Season Of Mist e antecede a digressão europeia como cabeça de cartaz marcada para o Verão de 2026, apelidada An Epitaph For Endtimes.

Fundados em Baltimore no início dos anos 2000, ao longo de duas décadas, os MISERY INDEX consolidaram-se como uma das referências incontornáveis do death metal com inflexões de grindcore, um território sonoro onde a violência rítmica convive com discurso lírico invulgarmente politizado e socialmente atento. É precisamente essa dualidade — brutalidade formal e consciência de conteúdo — que volta a definir «Feral Future».

Musicalmente, «Feral Future» não foge à identidade que os MISERY INDEX foram esculpindo desde os primeiros registos: um death metal de alta intensidade, cruzado com a urgência do grind, construído sobre um groove pesado e cabeceável. Os guitarristas Mark Kloeppel e Darin Morris assinam um trabalho de riffs entrosados que privilegia a coesão rítmica em detrimento do virtuosismo gratuito, enquanto a bateria de Adam Jarvis mantém o padrão de intensidade constante que tem sido uma das marcas registadas da banda ao longo dos anos.

No plano lírico, o tema mantém o espírito de contestação social que sempre caracterizou os MISERY INDEX, direcionado para a relação entre o ser humano e a natureza. A canção recusa a ideia de domínio sobre a natureza, propondo antes a sua reconquista, e encerra com um refrão de teor quase manifesto: “this is our future” — “este é o nosso futuro”.

Jason Netherton, baixa/vocalista dos MISERY INDEX e uma das vozes mais reconhecíveis do género, explicou o conceito por trás do tema: “A «Feral Future» é sobre mudar a forma como pensamos a nossa relação com a natureza. A natureza não é algo que dominamos ou de que estamos separados. É algo que nos rodeia, em todo o lado e a todo o momento. Esta canção celebra a reconquista selvagem de espaços humanos danificados e corrompidos, e recupera uma ligação feral que respeita a grandiosidade da natureza.”

Segundo a banda, «Feral Future» foi uma das primeiras canções escritas para o oitavo álbum de originais dos MISERY INDEX, ainda sem data de edição confirmada, e a sua energia indomável acabou por moldar o núcleo temático de todo o disco. Trata-se, portanto, de mais que um simples single avulso: é a pedra angular conceptual de um LP que promete aprofundar o cruzamento entre urgência ambiental e fúria musical.

A faixa foi misturada por Ricardo Borges e masterizada por Jens Bogren, nos Fascination Street Studios, um dos estúdios suecos de referência para produções de metal extremo moderno. A arte de capa foi assinada por Samuele Puligheddu, com fotografia de Ryan Phillips, e o lyric video foi produzido pela Cloud Motion Design.

Importa aqui referir que o lançamento de «Feral Future» surge ligado ao regresso dos MISERY INDEX à editora Season Of Mist, editora com quem a banda já tinha colaborado anteriormente e que agora volta a acolher o seu catálogo. A digressão An Epitaph for Endtimes deverá servir de montra ao novo material, num formato de concertos de cabeça de cartaz que reafirma o estatuto da banda como um dos nomes mais consistentes e respeitados do death metal norte-americano contemporâneo.

Com quatro anos de silêncio discográfico agora quebrados, os MISERY INDEX reentram em cena com um discurso tão afiado quanto o instrumental que o sustenta, confirmando que a urgência que sempre os definiu continua bem viva.