«Nothing More To Say» abre o último capítulo da carreira dos britânicos MEMORIAM, que vão editar o seu derradeiro LP de estúdio a 29 de Janeiro de 2027. O disco promete reunir tudo aquilo que definiu o percurso da banda, entre riffs esmagadores, consciência política e uma reflexão sobre a mortalidade.
Os MEMORIAM já começaram a despedir-se. «Nothing More To Say» é o primeiro single de avanço para «Endgame», o sexto e último álbum de estúdio da banda britânica de death metal, com edição marcada para 29 de Janeiro de 2027 através da Reaper Entertainment. Depois de terem anunciado o disco e revelado a capa assinada pelo artista Dan Seagrave, os músicos apresentam agora a primeira amostra sonora de um registo que encerra uma década de actividade.
A escolha do tema para abrir esta etapa final não é inocente. Além de ser o primeiro avanço de «Endgame», «Nothing More To Say» ocupa também a posição de faixa de abertura do álbum, assumindo um significado particular para o vocalista Karl Willetts. Musicalmente, a composição mantém-se fiel à identidade construída pelos MEMORIAM, com riffs bem pesados, uma atmosfera opressiva e a voz inconfundível do ex-BOLT THROWER, mas evidencia também a intensidade de uma formação que pretende terminar o seu percurso discográfico sem abdicar da contundência que sempre a caracterizou.
A produção ficou novamente a cargo de Russ Russell, colaborador de longa data do grupo, enquanto Dirk Verbeuren, o baterista dos MEGADETH, contribui para a ferocidade do tema com uma prestação marcada por blastbeats explosivos. Como podes ouvir no player em cima, o resultado combina aquele peso já característico do death metal britânico com uma execução particularmente agressiva, sem perder de vista os elementos que tornaram os MEMORIAM reconhecíveis ao longo dos últimos dez anos.
Num breve comunicado sobre o novo single, Karl Willetts sublinha a carga emocional que acompanha esta última fase da banda. “Para mim, há algo de profundamente comovente nesse título. Saber que este é o nosso último álbum confere àquelas palavras um significado que vai além da própria canção. Parece-me o ponto de partida certo para este capítulo final“, explica o vocalista, que recorda também a importância que os MEMORIAM assumiram na sua vida, enquanto espaço para transformar as suas emoções em música. “Deram-me uma forma de expressar raiva, sofrimento, frustração e esperança através da música, e de partilhar esses sentimentos com pessoas que os compreendem“, acrescenta.
A decisão de terminar o projecto não diminui, por isso, o orgulho no trabalho desenvolvido. Pelo contrário, a chegada de «Nothing More To Say» representa o início de uma despedida que os membros dos MEMORIAM encaram com emoção e gratidão. E Karl aproveitou ainda para agradecer a todos os que acompanharam o grupo ao longo dos anos, compraram os seus discos e marcaram presença nos concertos. “Afinal, ainda há algo a dizer. Este é o nosso «Endgame»“, conclui.
Formados em 2016, os MEMORIAM nasceram da amizade, da memória e da vontade partilhada de voltar a fazer música após o final dos BOLT THROWER. O projecto acabou por ultrapassar as expectativas iniciais e afirmar-se como uma das referências do death metal britânico contemporâneo. Ao longo de seis álbuns de estúdio, a banda construiu uma identidade assente na violência sonora, em letras incisivas, na consciência política e numa postura artística sem concessões.
Esses princípios voltam a estar presentes agora em «Endgame», que procura condensar as diferentes facetas do grupo num último registo. Os riffs de andamento arrastado e dimensão monumental, a atmosfera sufocante e o peso das composições convivem com momentos de introspecção e maior profundidade emocional. Em vez de apostar numa despedida artificialmente grandiosa, o grupo concentrou-se em criar aquilo que considera ser o álbum mais forte e honesto da sua carreira.
No plano lírico, o LP prossegue a abordagem crítica que tem acompanhado os MEMORIAM desde o início. Guerra, manipulação política, divisões sociais, degradação ambiental e incapacidade recorrente da humanidade para aprender com os erros do passado permanecem entre os temas centrais. A estes junta-se uma reflexão mais íntima sobre a mortalidade, o balanço de uma vida e a aceitação de que todos os percursos acabam por chegar ao fim. É precisamente nessa conjugação entre a dimensão colectiva e a pessoal que «Endgame» ganha particular relevância enquanto capítulo de encerramento.

01. Nothing More To Say | 02. The Trench | 03. At The Point Of No Return | 04. March Of Time | 05. Another Battle Won | 06. The Frontline | 07. Close The Skies | 08. The Final War | 09. Endgame





