A estreia ao vivo de um dos temas mais aplaudidos do mais recente LP dos MEGADETH foi o ponto alto de uma noite que confirmou a posição da banda californiana no topo do thrash mundial. Dave Mustaine e companhia aterram em Portugal já no próximo Domingo.
No passado dia 24 de Junho, no parque Küçükçiftlik de Istambul, os MEGADETH fizeram o que qualquer fã deveria ter como data marcada no calendário: tocaram «Puppet Parade» ao vivo pela primeira vez. A banda liderada por Dave Mustaine partilhou entretanto o vídeo oficial dessa actuação — realizado por Cameron Nunez e com o áudio de estúdio do tema sobreposto à imagem do concerto —, disponível já no player ali em baixo.
«Puppet Parade» é o quarto single extraído de «Megadeth», disco homónimo e mais recente dos norte-americanos, lançado em Janeiro deste ano através do selo BLKIIBLK, subsidiária da Frontiers Label Group, sob o rótulo Tradecraft — criado pelo próprio Mustaine. O álbum sucedeu a «The Sick, The Dying… And The Dead!» e afirmou-se de imediato como um dos mais bem recebidos pela crítica e pelo público na longa carreira da banda.
Descrito no momento do seu lançamento como “um olhar cínico sobre a perda de agência individual dentro da maquinaria da fama e da sociedade“, o tema retrata uma performance coreografada onde algumas forças invisíveis puxam os fios, obrigando o intérprete a esconder a dor por detrás de um sorriso oco e ensaiado. Uma imagem que, nas palavras do próprio líder dos MEGADETH, vai muito além da autobiografia — é um espelho do tempo que vivemos.
Em declarações anteriores ao lançamento, Dave Mustaine revelou os bastidores de um processo de composição mais exigente do que o habitual. “A «Puppet Parade» foi escrita em diferentes fases. O refrão foi muito difícil de compor — não liricamente, mas musicalmente”, explicou. “Trabalhámos nestes temas durante tanto tempo que todos tinham um número antes de terem um nome. Este era o número oito.”
O guitarrista e vocalista recordou ainda que o refrão chegou a ser um obstáculo quase intransponível: todos os membros da banda tentaram encontrar uma solução, mas sem sucesso. Foi o seu produtor e parceiro de longa data Chris Rakestraw quem o incentivou a continuar a procurar, mesmo depois de Dave Mustaine já ter chegado a uma versão que considerava definitiva. “Ninguém conseguiu chegar a nada, e acabei por encontrar um bom refrão para a música. A partir daí, as letras vieram com facilidade.”
O timoneiro dos MEGADETH traçou ainda uma linha temática entre «Puppet Parade» e outros temas da sua discografia recente: “A personagem da música é um pouco como… A «Falling Down», a «Another Bad Day» — são todas canções que reflectem sobre alguém que está constantemente a empurrar um lápis para cima com o nariz. É assim que a vida se tornou para tanta gente. E senti que era melhor falar disso, para que as pessoas que possam pensar que é fantástico ser músico, ter dinheiro, ter carros — percebam que nem sempre é assim. Posso dizer por experiência própria que nem sempre é assim.”
Importa ainda referir que o concerto de Istambul ficou também marcado por uma selecção de temas que percorreu quase toda a história da banda, da era clássica até aos dias de hoje — e que pode servir como uma boa antecipação à actuação dos MEGADETH na edição deste ano do EVILLIVƎ FESTIVAL.
A abertura do espectáculo foi feita com «Tipping Point», seguida depois por clássicos incontornáveis como «Hangar 18», «Sweating Bullets», «Tornado Of Souls» e «Mechanix». A inclusão de «Ride The Lightning», original dos METALLICA — banda da qual Dave Mustaine foi membro fundador antes de ser dispensado em 1983 —, não deixa de carregar o peso simbólico que sempre acompanha estes momentos raros.
O concerto encerrou com uma trifecta inevitável: «Symphony Of Destruction», «Peace Sells» e «Holy Wars… The Punishment Due». Foram dezassete temas no total, com «Puppet Parade» a surgir no oitavo lugar do alinhamento — um detalhe que não terá escapado aos mais atentos, dado que era precisamente esse o número interno do tema durante o processo de composição.
O impacto de «Megadeth» — o álbum — ficou bem documentado nas tabelas de vendas internacionais. Nos Estados Unidos, estreou no primeiro lugar do ranking geral da Billboard 200, com 73.000 unidades equivalentes registadas na semana a terminar a 29 de Janeiro, das quais 69.000 corresponderam a vendas directas em formato físico e digital. Trata-se do resultado mais expressivo dos MEGADETH em décadas, superando largamente os 48.000 equivalentes com que «The Sick, The Dying… And The Dead!» tinha chegado ao terceiro lugar em 2022.
Para situar o feito: os anteriores top 10 da banda na Billboard 200 incluem «Countdown To Extinction» (#2, 1992), «Youthanasia» (#4, 1994), «Cryptic Writings» (#10, 1997), «United Abominations» (#8, 2007), «Endgame» (#9, 2009), «Super Collider» (#6, 2013) e «Dystopia» (#3, 2016). O #1 agora conquistado representa, por isso, um marco sem precedente na carreira da banda — e, talvez, a confirmação de que os MEGADETH encontraram na fase final da sua trajectória uma clareza criativa que poucos esperavam.






