L7

L7: JENNIFER FINCH diagnosticada com um cancro cerebral agressivo

A baixista não vai poder juntar-se à banda na digressão de despedida marcada para Outubro. Substituída em palco por Tsuzumi Okai, a fundadora das L7 dedica-se agora a um tratamento intensivo, enquanto os amigos e família lançaram uma angariação de fundos para suportar as despesas médicas.

A notícia chegou nas últimas horas e apanhou de surpresa fãs de Jennifer Finch, baixista, fotógrafa e artista multidisciplinar, um dos rostos fundadores das incontornáveis L7. Segundo comunicado divulgado pela banda, Finch foi diagnosticada com uma forma agressiva de cancro cerebral e encontra-se actualmente a receber tratamento. Aparentemente, o que começou por ser descrito como uma condição passível de ser combatida com um ciclo completo de radioterapia, evoluiu rapidamente para um quadro muito mais complexo.

Complicações imprevistas obrigaram Jennifer Finch a submeter-se a várias cirurgias, deixando sequelas físicas significativas que exigem agora cuidados médicos contínuos, reabilitação e apoio profissional permanente em casa. Perante a dimensão dos encargos associados ao tratamento e à recuperação, amigos, colaboradores e familiares da baixista das L7 optaram então por organizar uma campanha de financiamento colectivo na plataforma GoFundMe, com o objectivo de a ajudar a cobrir as despesas médicas que se avizinham.

O diagnóstico tem também consequências diretas na actividade da banda. Jennifer não poderá participar na etapa norte-americana da digressão de despedida das L7, baptizada como Last Hurrah Tour e já anunciada para o Outono. Ainda assim, terá sido mesmo a própria baixista a pedir às restantes integrantes do grupo que avançassem com os concertos, tal como estavam planeados — um desejo que a banda decidiu respeitar. Nos concertos em solo norte-americano, Jennifer Finch será substituída por Tsuzumi Okai, baixista que já passou pelas fileiras dos LIMP BIZKIT em 2018.

A guitarrista Donita Sparks, também fundadora das L7, comentou a situação num tom que mistura dor e solidariedade: “Estamos todos devastados com esta notícia e estamos a rodeá-la de amor, a proteger a sua privacidade e a sua dignidade, ao mesmo tempo que ajudamos a angariar os recursos de que precisa urgentemente para os cuidados que aí vêm… A Jennifer é família, e queremos que sinta toda a força da comunidade que a tem amado e apoiado durante tantos anos.”

A prioridade imediata da banda passa precisamente por dar visibilidade à campanha de apoio a Jennifer Finch, tentando chegar ao maior número possível de fãs, amigos e membros da comunidade criativa que a banda foi construindo ao longo de quatro décadas.

A Last Hurrah Tour foi anunciada recentemente como sendo a primeira etapa da digressão final das L7, com arranque marcado para 9 de Outubro. O trajecto inclui paragens em Nova Iorque, Washington, Nashville, Chicago e Seattle, entre outras cidades, e culmina com uma celebração em casa, Los Angeles. A digressão fora inicialmente concebida com os quatro elementos originais em boa forma física e criativa — um plano que a doença de Jennifer Fich veio agora alterar de forma inesperada.

Ao longo de quatro décadas, as lendárias L7 têm posto plateias em alerta um pouvo por todo o mundo, com uma combinação de ética punk, peso grunge, melodia, letras socialmente incisivas e um sentido de humor que sempre as distinguiu no panorama do rock alternativo americano. Formadas em 1985, entraram em hiato indefinido em 2001, regressando aos palcos numa digressão de reunião em 2015, ano que precedeu o lançamento, em 2016, do documentário L7: Pretend We’re Dead.

O primeiro álbum de originais em vinte anos, intitulado «Scatter The Rats», chegou em maio de 2019 via Blackheart Records, a editora de Joan Jett. O início da banda remonta a 1988, com a edição do álbum de estreia homónimo. Em 1992, saiu «Bricks Are Heavy», que alcançou o #160 da Billboard 200 nos Estados Unidos. Nos anos seguintes, o impacto cultural das L7 acabou mesmo por ultrapassar largamente as tabelas de vendas. «Shitlist» integrou as bandas sonoras de Pet Semetary 2 e Natural Born Killers, e «Shove» foi incluído em Tank Girl — presenças que ajudaram a consolidar o estatuto da banda como referência incontornável do rock feminista norte-americano dos anos 90.

Perante este novo capítulo, marcado pela fragilidade e pela solidariedade, a história das L7 ganha um contorno inevitavelmente mais humano: o de uma banda que, mesmo na despedida, escolhe continuar a tocar em nome de quem, por agora, não pode estar em palco.