A pandemia e um afastamento que ninguém esperava: o baixista dos KORN fala pela primeira vez com clareza sobre o que o levou a sair — e sobre o que pode ainda estar para vir.
Há nomes que definem um som. Reginald “Fieldy” Arvizu é um deles. O seu baixo distorcido, percussivo e carregado de groove foi uma peça fundamental na construção da identidade sonora dos KORN — uma banda que, nos anos 90, ajudou definitivamente a moldar o nu-metal e a introduzir uma geração inteira à música pesada.
Não é, por isso de estranhar que, quando anunciou o seu afastamento súbito do grupo, a notícia tenha causado perplexidade e alguma apreensão entre os fãs da banda californiana. Quatro anos depois, Fieldy continua fora. Mas talvez não para sempre. Em declarações recentes ao podcast Shady Characters, onde o músico surgiu ao lado de Richard Morrill, ex-colega de banda nos L.A.P.D., Fieldy ofereceu a explicação mais directa que já deu sobre o assunto.
A razão, diz ele, é relativamente simples: a COVID-19. “A COVID aconteceu. É isso. Disse-lhes logo: não vou para a estrada assim. Era tudo muito novo naquela altura.” O músico revelou ainda que, enquanto os seus companheiros dos KORN retomavam a agenda de espectáculos — nomeadamente rumo à Florida —, ele recusou avançar, em parte por não querer ser vacinado. “Disseram-me: ‘Vamos para a Florida e para todo o lado.’ E eu respondi: não vou. As coisas estão muito estranhas agora.”
O que começou como uma pausa forçada acabou por se transformar numa reflexão mais profunda. “Mas isso deu-me tempo para parar, e quando paro começo a refletir. Estás à espera do que vem a seguir, porque não sei o que este dia ainda vai trazer. Estou apenas pronto para o que vier”, elaborou ele.
Questionado directamente sobre se está definitivamente afastado dos KORN, Fieldy respondeu com uma frase que encerra tanto quanto revela o que pode estar para vir: “Hoje estou afastado dos Korn, sim… Mas vamos ver o que amanhã traz.” Esta ambiguidade parece intencional — ou talvez seja genuína. Em 2025, numa outra entrevista que marcou o seu regresso público após um longo período de silêncio, o baixista tinha já admitido não falar com os seus companheiros de banda desde 2019, o que surpreendeu muitos, dado que o anúncio formal do afastamento só viria dois anos depois.
Ainda assim, nessa mesma altura, reconheceu a resiliência dos KORN com uma admiração distante: “São uma máquina. Seguem em frente. É louco. É fixe ver que conseguem continuar assim, mas eu precisava de parar.” Felizmente, apesar do distanciamento, há sinais de que as pontes não estão totalmente cortadas. Fieldy passou recentemente tempo com o baterista dos KORN, Ray Luzier — um detalhe que alimenta a especulação sobre um possível reaproximação.
Além disso, recorde-se ainda que, mesmo durante a sua ausência dos palcos, o músico ainda colaborou na gravação do álbum «Requiem», lançado em 2022, o que sublinha uma ligação à banda que nunca foi verdadeiramente cortada.
Enquanto o futuro com os KORN permanece em suspenso, Fieldy não ficou parado. Está a trabalhar num novo projecto que reúne Greyson Nekrutman, baterista dos SEPULTURA, e Christian Olde Wolbers, ex-membro dos FEAR FACTORY. Segundo o próprio, o grupo já tem dois temas em estado embrionário, e as palavras que usa para descrever Nekrutman são entusiásticas: “Ele é um baterista doentio. Consegue tocar jazz à antiga, mas a alta velocidade. É um dos melhores com quem já trabalhei.”
Numa lista de colaborações rítmicas que inclui David Silveria, o já mencionado Ray Luzier, Mikey Bordin — conhecido pelo trabalho com os FAITH NO MORE e Ozzy Osbourne — e Brooks Wackerman, o elogio a Nekrutman não é pouca coisa.



