Os KORN, ARCHITECTS e YOUTH CODE aqueceram uma noite gelada em Dublin perante uma 3Arena esgotada.
A noite de ontem, segunda-feira, dia 2 de Novembro, trouxe temperaturas baixas a Dublin, mas dentro da 3Arena o ambiente esteve longe de ser frio. Com lotação esgotada para receber o regresso dos KORN à Irlanda pela primeira vez em mais de uma década, milhares de fãs transformaram a sala num autêntico caldeirão de energia.
A abrir as hostilidades estiveram os norte-americanos YOUTH CODE, que dispuseram de cerca de meia hora para conquistar uma arena que ainda se ia compondo de público. Formado em Los Angeles por Sara Taylor e Ryan George, o duo tornou-se uma das referências modernas da fusão entre EBM, industrial e hardcore, conquistando um culto de seguidores desde a sua criação em 2012.
Apesar do desafio que é atuar perante um público que aguardava principalmente pelos ARCHITECTS e pelos KORN, os norte-americanos YOUTH CODE mostraram profissionalismo e intensidade. Sara percorreu o palco de forma incansável enquanto as batidas industriais e agressivas preencheram a sala. Temas como «I’m Sorry», «Consuming Guilt», «For I Am Cursed» e «To Burn Your World» serviram para aquecer o ambiente e preparar terreno para o resto da noite.
Alinhamento YOUTH CODE:
I’m Sorry | Consuming Guilt | For I Am Cursed | To Burn Your World | Avengement | No Consequence | Head Underwater | Puzzle
Os britânicos ARCHITECTS entraram em palco já com a arena praticamente cheia e receberam uma resposta entusiástica dos fãs irlandeses. A banda continua a ser uma das maiores forças do metalcore contemporâneo e isso ficou evidente numa actuação bem robusta, apoiada numa produção visual cuidada e numa seleção de temas capaz de agradar tanto aos seguidores mais antigos como aos fãs da fase mais recente.
Músicas como «Whiplash», «Curse», «Doomsday», «Animals» e «Seeing Red» provocaram as primeiras grandes explosões de energia da noite. A secção rítmica esteve irrepreensível e a banda mostrou-se extremamente coesa. Contudo, foi impossível ignorar que a voz de Sam Carter já conheceu melhores dias. Embora tenha cumprido a missão e mantido o controlo da actuação, alguns momentos mostraram um vocalista mais cauteloso, sobretudo nas partes mais agressivas.
Essa situação não surge do nada. Há poucas semanas, Carter revelou publicamente estar a enfrentar problemas de ansiedade e um forte desgaste psicológico relacionado com as críticas à sua voz. O vocalista admitiu que a pressão e o escrutínio online afectaram profundamente a sua confiança, levando-o a recorrer a terapia e medicação para controlar a ansiedade. O próprio confessou que a alegria de actuar chegou a desaparecer durante algum tempo, fruto da obsessão em recuperar a sua melhor forma vocal.
Conhecendo este contexto, a prestação de Dublin acabou por assumir uma dimensão diferente. Mais que procurar a perfeição, Sam Carter demonstrou uma enorme determinação e coragem ao subir ao palco perante milhares de pessoas, recebendo em troca um apoio visivelmente sentido por parte do público e foi em «Everything Ends» que o cantor pediu ao público para iluminar a arena com os telemóveis, referindo que estão a passar o mesmo que ele, para falarem com alguém para não serem parte da estatística.
Alinhamento ARCHITECTS:
Whiplash | when we were young | Curse | Doomsday | Broken Mirror | Animals | deep fake | Everything Ends | Seeing Red | Machine
Quando as luzes se apagaram para a entrada dos KORN, percebeu-se imediatamente que este não seria apenas mais um concerto. A banda de Bakersfield regressava à Irlanda pela primeira vez em mais de dez anos e os fãs estavam determinados a aproveitar cada segundo desse reencontro. Desde os primeiros acordes de «It’s On!» e «Here To Stay», a 3Arena entrou em ebulição e o mosh pit foi-se movimentando a cada acorde. Jonathan Davis surgiu em excelente forma, comandando um autêntico coro de milhares de vozes que não deixou passar uma única oportunidade para cantar cada palavra.

















O alinhamento foi, como seria de esperar, uma celebração perfeita da carreira da banda, com destaque para clássicos como «Got The Life», «A.D.I.D.A.S.», «Shoots and Ladders» — com Jonathan a subir ao palco com a célebre gaita de foles —, «Blind», «Falling Away From Me» e, claro, o inevitável «Freak On A Leash». Pelo meio, houve ainda espaço para temas menos óbvios como «Kill You» e «Coming Undone».
A força dos KORN continua a residir na capacidade que têm de equilibrar agressividade, groove e emoção de uma forma que poucas bandas conseguem. Munky e Head mantiveram os riffs esmagadores, Ray Luzier voltou a demonstrar porque é dos melhores bateristas de música pesada e Jonathan Davis mostrou-se vocalmente irrepreensível. O encore transformou-se num desfile de êxitos que levou a arena ao rubro. «Blind» provocou um dos maiores mosh pit da noite, enquanto a «Freak On A Leash» encerrou praticamente em clima de celebração colectiva.
Uma década de espera poderiam facilmente ter criado expectativas impossíveis de satisfazer. Felizmente para os milhares de fãs presentes, os KORN não só corresponderam como superaram aquilo que muitos esperavam. Foi um regresso triunfal e uma forte lembrança de porque continuam a ser uma das bandas mais importantes e influentes da história do metal moderno.
Alinhamento KORN:
It’s On! | Here to Stay | Reward the Scars | Got the Life | Rotting in Vain | Twist | Chi | A.D.I.D.A.S. | Kill You | Shoots and Ladders | Coming Undone | Did My Time | Make Me Bad | Y’All Want a Single | Falling Away From Me | Blind | Twisted Transistor | Freak on a Leash


















