Dois anos e meio depois do fim abrupto de uma década na banda, JAY WEINBERG fala pela primeira vez com abertura total sobre uma separação que continua sem explicação.
Em Novembro de 2023, Jay Weinberg acordou numa manhã comum depois de regressar de uma tour e recebeu um telefonema que pôs fim a dez anos de vida dentro dos SLIPKNOT. Não houve reunião, não houve conversa de fundo, não houve razões. Houve apenas uma voz ao telefone — a do manager da banda — a informá-lo de que o seu contrato não seria renovado no final do ano.
“Fui-me a baixo de repente“, disse recentemente Weinberg numa entrevista à Rolling Stone. “Aquela coisa à qual me dediquei com foco total, com empenho, com amor e com a força de um sonho — apesar de todas as dificuldades, apesar de tudo o que acontece quando se entra num ambiente tão volátil e tão sombrio como aquele — reduziu-se a nada. Apenas perguntas.“
O derradeiro concerto de Jay Weinberg com os SLIPKNOT aconteceu no dia 3 de Novembro de 2023, no festival Hell & Heaven, em Toluca, no México. Dois dias depois, a banda publicou nas redes sociais uma declaração lacónica: “tomámos uma decisão criativa e separámo-nos do Jay.” Nessa manhã, o baterista estava a dar um passeio com a mulher para tentar processar o que acabara de lhe acontecer. Vinte minutos depois do telefonema do manager, sem mais avisos, a declaração já estava publicada.
“Como é que alguém se sentiria com isso?“, pergunta Weinberg com uma franqueza desarmante. A questão não é retórica — é genuína. Seis dias depois da declaração da banda, o baterista reagiu no Instagram, revelando que ficara “de coração partido e completamente surpreendido com o telefonema“, e que a maioria dos fãs soube da notícia pouco depois dele próprio.
Jay Weinberg entrou nos SLIPKNOT em 2013 para substituir Joey Jordison, o baterista fundador e uma das figuras mais carismáticas da banda — uma posição que, logo à partida, nunca podia ser confortável. Durante uma década, tocou em discos como «.5: The Gray Chapter» e «We Are Not Your Kind», de 2019, percorreu palcos em todo o mundo e foi, para muitos, o rosto de uma banda que se reinventava sem trair o que era.
No entanto, esta nova entrevista à Rolling Stone revela um quadro interno mais complexo, com o músico a referir tensões internas que, segundo admite, antecederam largamente a sua chegada. “Aquelas tensões preexistentes antes de eu entrar na banda voltaram de alguma forma. Mas fiquei sem explicação — eles só me disseram que tinha sido uma decisão criativa e já não era o baterista dos SLIPKNOT“, recorda.
O baterista reconhece a posição delicada de quem entra como recém-chegado numa estrutura que tinha sido construída ao longo de 25 anos de relações, conflitos e memórias partilhadas. “Um elemento quer as coisas feitas de uma maneira, outro quer de outra — e isso multiplica-se por oito pessoas. Tentei satisfazer tudo isso. Esse foi o meu foco durante dez anos.” E depois, com uma honestidade que torna a conversa ainda mais incómoda atira: “Talvez me tenha tornado o bode expiatório de certas coisas.“
O que torna este testemunho particularmente pesado é precisamente a ausência de resolução. Não há rancor declarado, não há acusações directas. Há apenas a perplexidade de alguém que deu dez anos a um projecto e que, dois anos e meio depois, continua sem saber porquê. “Naquele momento foi confuso. Se for completamente honesto, continua a ser confuso“, desabafa Weinberg
Os SLIPKNOT nunca prestaram qualquer esclarecimento público para além da declaração inicial. A banda seguiu caminho com um novo baterista, o brasileiro Eloy Casagrande, mas sem anúncios formais de substituição permanente. Do lado de Weinberg, a vida seguiu — continua activo musicalmente — mas as perguntas ficaram por responder.
Há algo de dolorosamente familiar neste tipo de história: o músico contratado que dá tudo, que entra num mundo já construído sem ele, e que acaba por ser o mais vulnerável quando as fracturas internas precisam de uma saída. No caso dos SLIPKNOT, uma banda cuja mitologia assenta tanto nas suas contradições internas como na sua música, talvez não surpreenda. Mas não deixa de ser uma história com um fim injusto — ou pelo menos, incompleto.




