A morte como portal. Os pioneiros do metal gótico português HEAVENWOOD revelam mais um single de «The Tarot Of The Bohemians – Part II», que chega ao mundo a 12 de Junho.
Havia quem tivesse perdido a esperança. Uma década é tempo suficiente para que uma banda caia no esquecimento ou, pelo menos, na memória afectiva de quem a amou — arquivada entre os discos que “ainda se ouvem de vez em quando” e os concertos que “ficaram na memória“. Mas os HEAVENWOOD não desapareceram: estavam, como sugere o seu próprio imaginário, em trânsito.
O regresso materializa-se agora sob a forma de «Death», mais um single extraído de «The Tarot Of The Bohemians – Part II», o muito aguardado novo álbum da banda portuguesa, com lançamento mundial marcado para 12 de Junho pela editora dinamarquesa Mighty Music, nos formatos LP, CD e digital.
Como podes conferir no player em cima, o tema chega acompanhado de vídeo-clip e funciona como uma dobradiça simbólica entre dois universos: acaba por ser, simultaneamente, uma conclusão de «The Tarot Of The Bohemians» — o LP lançado em 2016 pela Massacre Records que inaugurou este ciclo conceptual — e a abertura do capítulo seguinte. Não há aqui qualquer contradição, antes uma lógica que o próprio Tarot conhece bem: a carta da Morte não representa o fim, mas a passagem.
É Ricardo Dias dos Santos, mentor e figura central dos HEAVENWOOD, quem melhor clarifica a intenção por detrás do tema. “Esta peça representa o início da Parte II, da mesma forma que reflete o final do álbum anterior (Parte I), sem esquecer que este mesmo tema e conceito, quando enquadrados no todo e nas 22 cartas dos Arcanos Maiores do Tarot, também representam uma passagem”, afirma.
A escolha do Tarot como estrutura conceptual não é aqui ornamental nem oportunista. Desde o primeiro volume que os HEAVENWOOD têm construído um edifício sonoro e filosófico em torno dos 22 Arcanos Maiores — cartas que, na tradição esotérica ocidental, cartografam os grandes arquétipos da experiência humana. «Death» corresponde à 13.ª carta, uma das mais temidas e mal interpretadas de todo o baralho, e é precisamente essa ambiguidade que a banda explora: a destruição não como finalidade, mas como a condição necessária da regeneração.
Para iluminar o conceito, os HEAVENWOOD recorrem a “Papus”! — o pseudónimo do médico e ocultista francês Gérard Encausse, autor de O Tarot dos Boémios, publicado em 1889, obra que empresta o título ao projecto discográfico. A citação escolhida é reveladora: “A criação necessita de uma destruição igual num sentido contrário e, por isso, o Mem designa todas as regenerações que brotaram de uma destruição anterior, todas as transformações e, consequentemente, a morte, considerada como a passagem de um mundo para o outro.”
Formados nos anos 90, os HEAVENWOOD são uma das bandas mais singulares e persistentes da cena metal lusa. Numa época em que o metal gótico e o doom metal de pendor mais romântico viviam o seu apogeu comercial europeu — entre os PARADISE LOST, os MY DYING BRIDE e os primeiros THEATRE OF TRAGEDY —, a banda nortenha construiu uma identidade própria, vincada pela melancolia lusitana e por uma sofisticação lírica e musical que raramente se dobrava às tendências do momento.
A primeira parte de «The Tarot Of The Bohemians», lançada em 2016, assinalou um regresso que muitos não esperavam — e que surpreendeu pela ambição conceptual. Este segundo volume promete ir mais longe. De acordo com a informação divulgada pela banda, este «The Tarot Of The Bohemians – Part II» carrega o ADN melancólico que sempre definiu os HEAVENWOOD, mas empurra o som em direcção a um território mais cinematográfico e contemporâneo.
É uma evolução que não trai as origens, mas que recusa a nostalgia fácil — o que, no actual panorama do metal gótico, marcado por um revival que nem sempre acrescenta algo novo à tendência, constitui por si só uma declaração de intenções. Para Ricardo Dias dos Santos, este álbum representa um novo capítulo criativo — o mais audaz até à data.
«The Tarot Of The Bohemians – Part II» chega a 12 de Junho em LP, CD e nas plataformas digitais, via Mighty Music. As encomendas dos formatos físicos já se encontram disponíveis.





