FLOTSAM AND JETSAM

FLOTSAM AND JETSAM trazem «Rats In The Temple» a Lisboa no Inverno de 2026

Quarenta anos de thrash e os FLOTSAM AND JETSAM continuam a afiar as facas — desta vez com treze novas razões para estar no RCA Club.

Há bandas que resistem ao tempo por inércia. Há outras que resistem por teimosia criativa, por uma recusa obstinada em fazer as malas e ir para casa. Os FLOTSAM AND JETSAM pertencem ao segundo grupo. Formados em Phoenix, Arizona, em 1981 — numa cena que ainda não tinha nome, mas já tinha fome —, os norte-americanos chegam a Lisboa em Novembro com álbum novo debaixo do braço e uma digressão ibérica de sete datas que prova que, a esta distância da linha de partida, a chama continua bem acesa.

O concerto português está marcado para o dia 19 de Novembro, no RCA Club, em Lisboa, sala que tem acolhido alguns dos momentos mais marcantes da cena metal na capital. Os bilhetes já se encontram à venda. Para os fãs de thrash, trata-se de uma oportunidade que não se desperdiça: ver os FLOTSAM AND JETSAM ao vivo é confirmar que há bandas para as quais quarenta anos de estrada não são só um fardo, mas sim combustível.

Na bagagem, os FLOTSAM AND JETSAM trazem o novo álbum «Rats In The Temple», que vai chegar ao mercado a 28 de Agosto, editado pela Napalm Records. São treze composições inéditas em que a banda aborda temas como a guerra, a traição, o abuso e a morte — matéria-prima que o thrash metal sempre soube trabalhar com precisão cirúrgica. Riffs afiados, guitarras gémeas em diálogo constante, velocidade controlada e melodia que não pede desculpa: o retrato que a banda traça do novo trabalho é o de um LP que não trai as expectativas de quem os segue há décadas, nem vai decepcionar quem chega agora pela primeira vez.

Falar dos FLOTSAM AND JETSAM é falar de uma das carreiras mais sólidas e, ao mesmo tempo, menos celebradas do thrash norte-americano. «Doomsday For The Deceiver», de 1986, e o sucessor «No Place For Disgrace», de 1988, são discos que qualquer conhecedor do género tem na prateleira — ou devia ter. O primeiro foi, aliás, o único LP de estreia da história a receber classificação máxima na revista Kerrang!, distinção rara para uma banda que ainda estava a dar os primeiros passos.

A ironia da história é conhecida: foi dos FLOTSAM AND JETSAM que saiu Jason Newsted para ocupar o lugar de baixista nos METALLICA após a morte de Cliff Burton, em 1986. A partida de Newsted poderia ter sido o início do fim. Em vez disso, foi o início de uma história paralela, igualmente digna, mas traçada com os seus próprios termos.

Nas últimas décadas, os FLOTSAM AND JETSAM têm protagonizado aquilo a que se pode chamar, sem exagero, uma renovação criativa consistente. «The End Of Chaos», de 2019, e «I Am The Weapon», de 2023, foram recebidos com entusiasmo pela crítica especializada e reafirmaram a banda como uma força activa no panorama do metal contemporâneo — não como uma relíquia que gira em modo nostalgia, mas como um colectivo com algo genuíno a dizer.

«Rats In The Temple» surge na continuação natural desse percurso. A Napalm Records, editora austríaca que nos últimos anos se tornou numa das mais relevantes casas do metal mundial, garante visibilidade e distribuição a um disco que promete alimentar bem a digressão europeia de Outono.