Um tema provocador e melódico, que se destacou-se num ano particularmente competitivo para o heavy metal e coloca novamente os GHOST no centro das atenções da crítica internacional.
A revista britânica Metal Hammer publicou a sua lista das 50 melhores músicas de heavy metal lançadas ao longo de 2025 e atribuiu o primeiro lugar a «Satanized», tema incluído em «Skeletá», o sexto álbum de estúdio da muito badalada banda sueca liderada pelo genial Tobias Forge. Num ano que foi marcado por lançamentos de forte impacto mediático e popular, a escolha sublinha a capacidade dos GHOST em manterem uma identidade própria, sem abdicar de uma escrita acessível e imediatamente reconhecível.
De acordo com a publicação, a decisão não foi simples. A disputa pelo topo do ranking envolveu nomes como os ELECTRIC CALLBOY, BABYMETAL, SLEEP TOKEN e LORD OF THE LOST, todos eles responsáveis por singles que dominaram playlists, redes sociais e palcos ao longo do ano. Ainda assim, a «Satanized» acabou por se impor, reforçando a ideia de que os GHOST continuam a operar num patamar muitíssimo particular dentro da música mais pesada contemporânea, onde teatralidade, melodias pop e uma estética deliberadamente provocadora coexistem de forma calculada.
No texto que acompanha a escolha, a Metal Hammer observa que «Skeletá» não teve, à primeira escuta, o mesmo impacto imediato de álbuns anteriores do grupo, como «Meliora» ou «Prequelle». No entanto, «Satanized» é apontada como a faixa onde todas as peças encaixam com precisão: refrão pensado para ser cantado em uníssono, estrutura clara e eficaz e uma produção que amplifica o lado épico da canção sem perder clareza. A revista descreve o tema como um verdadeiro hino de arena, capaz de funcionar tanto em grandes festivais como em concertos em nome próprio.
A crónica não foge ao tom irónico habitual quando se fala dos GHOST, referindo-se a «Satanized» como uma “obra do diabo”, numa alusão directa à iconografia satânica que a banda tem explorado desde a sua fundação. Ainda assim, o reconhecimento surge como algo mais do que um simples jogo estético: para a Metal Hammer, a composição merece plenamente o título de melhor música de heavy metal de 2025, não apenas pelo impacto imediato, mas pela forma como sintetiza a linguagem musical que os GHOST vêm a refinar ao longo da última década.
Curiosamente, apesar do título e da imagética que o acompanha, «Satanized» não aborda, pelo menos de forma literal, qualquer culto demoníaco ou narrativa anticristã. O próprio Tobias Forge já explicou que se trata, essencialmente, de uma canção de amor, ainda que filtrada através da lente simbólica e ambígua que caracteriza a escrita da banda sueca. Essa ambiguidade tem sido, aliás, uma das chaves do sucesso dos GHOST, permitindo leituras múltiplas e mantendo o votlátil equilíbrio entre provocação e empatia emocional.
Esta distinção agora atribuída pela Metal Hammer surge, assim, como mais um capítulo na consolidação dos GHOST enquanto uma das forças mais influentes do hard rock/heavy metal moderno. Num género frequentemente dividido entre tradição e reinvenção, os músicos suecos continuam a demonstrar que é possível dialogar com o grande público sem abdicar de uma identidade forte, coerente e, acima de tudo, reconhecível.











