Formados por ex-elementos dos HIM e AMORPHIS, os FLAT EARTH regressam à carga com mais um tema bem potente.
Há algo de paradoxal em baptizar um single com um ano que a maioria dos elementos de uma banda viveu plenamente. os FLAT EARTH, a banda sediada em Helsínquia e composta pelo guitarrista Mikko “Linde” Lindström (ex-HIM), pelo baixista Niclas Etelävuori (ex-AMORPHIS) e por Anttoni “Anthony” Pikkarainen, o vocalista dos POLANSKI, acaba de lançar «1985», o seu mais recente single.
A data inscrita no título não é uma referência autobiográfica directa, mas sim um ponto de fuga — o tipo de âncora temporal que nos recusa o esquecimento. «1985» “trata das coisas que carregamos connosco ao longo das nossas vidas — memórias, experiências, pessoas e emoções que permanecem muito depois de os momentos terem passado“, pode ler-se no comunicado de imprensa.
Como podes comprovar no player em baixo, a canção reflete sobre o tempo, o crescimento pessoal e o impacto duradouro do passado. É território familiar para uma banda que nunca se esquivou a letras de pendor introspectivo, mas aqui a abordagem ganha uma clareza quase confessional. Os próprios músicos confirmam-no: “A «1985» é sobre o que levamos connosco. As pessoas, os momentos e todas essas emoções que ficam ao longo dos anos.”
Verdade seja dita, musicalmente o novo single não representa uma viragem radical para os FLAT EARTH. A faixa combina as guitarras pesadas, melodias fortes e instrumentação orgânica que se tornaram marca registada dos FLAT EARTH, com a influência do grunge dos anos 90 claramente audível ao longo de toda a canção, a par de uma abordagem moderna à produção. Esta é uma equação que a banda domina com a segurança de quem já percorreu o suficiente para não precisar de se provar.
Para quem adquirir o single através da loja oficial da banda, há um extra com interesse: os compradores receberão uma faixa bónus exclusiva, intitulada «Below My Floor». Mais um “presente” que aponta para uma enorme onda de fertilidade criativa por parte um projecto que nunca parou de trabalhar mesmo nos períodos de maior silêncio público.
Para os mais desatentos, a história dos FLAT EARTH começou, como tantas outras, com uma despedida forçada. O grupo foi concebido após Etelävuori ter tido um desentendimento sério com os managers dos AMORPHIS e de ter saído do grupo. Num momento em que podia ter encerrado um capítulo e escolhido o silêncio, o baixista optou pelo contrário.
“Depois de mais de duas décadas a tocar com bandas, estava num ponto em que pensava que talvez fosse começar a fazer outra coisa. Mas sabia que ainda tinha estas canções no disco rígido, e que não tinha feito nada com elas. Só queria livrar-me delas e ver o que acontecia. Mas depois o projecto tomou conta de mim e comecei a concentrar-me mais nisso”, explica Etelävuori.
O primeiro a ser contactado foi Linde, então ainda nos HIM. Os dois músicos foram-se encontrando com regularidade, esboçando ideias. Anthony Pikkarainen entrou em seguida, depois de um amigo comum o ter recomendado como cantor. Após ouvirem essas primeiras gravações, enquanto Linde ia percorrendo os Estados Unidos e a Europa com a digressão de despedida dos HIM, os restantes três elementos foram gravando a bateria para sete demos no estúdio caseiro de Niclas.
Em 2018, os FLAT EARTH lançaram então o seu álbum de estreia, com o título «None For One», com boa recepção tanto da crítica especializada como dos fãs, afirmando-se como uma força muito expressiva na cena nórdica do rock mais cinzento. Seguiu-se «High On Lies», em 2022, com temas líricos mais densos e uma produção mais elaborada.
Pelo meio, a banda editou vários singles, entre os quais uma versão ao vivo de «School», um original dos NIRVANA, em 2019; «Into The Blue», em 2022, e «Cyberain», em 2023, este último já com Wille Granö na bateria. Em 2025, «Holy» antecedeu a chegada da novidade «1985». Actulmente, os FLAT EARTH já acumulam mais de 900 mil reproduções no Spotify, com a base de fãs a crescer de uma forma constante.




