FIMBUL WINTER

FIMBUL WINTER lançam single e consolidam projeto com ex-membros dos AMON AMARTH [streaming]

Formados em 2023 por três antigos membros dos AMON AMARTH, os FIMBUL WINTER lançaram «Crowned In Ash», o mais recente tema de um projecto que começa a afirmar-se com voz própria no death metal melódico.

O novo single dos suecos FIMBUL WINTER não desperdiça tempo em subtilezas introdutórias. «Crowned In Ash» abre com uma paisagem sonora de grande densidade, onde os riffs se entrelaçam com as linhas melódicas que percorrem a estrutura do tema cheias de consistência e propósito. A velocidade impõe-se desde cedo, mas a banda também sabe quando ceder terreno — o refrão ganha uma autoridade quase solene, permitindo que a prestação vocal de Clint Williams tenha o impacto que merece.

Como podes conferir no player em baixo, o riff principal mantém-se como a espinha dorsal ao longo de toda a canção — uma opção deliberada que confere ao tema uma coerência e uma memorabilidade que muitos projetos de death melódico contemporâneo perdem na busca pela complexidade a todo o custo.

A produção situa-se no cruzamento entre a rugosidade clássica do death metal escandinavo e a limpeza técnica contemporânea que serve o material sem o esterilizar. As baterias e as guitarras foram registadas no Studio Fluff Vasteras com o engenheiro Andreas Moren; as vozes ficaram a cargo de Shaun Farrugia, no Witching Hour Audio. As linhas de baixo foram asseguradas por Risa Andersson, e tanto a mistura como a masterização ficaram entregues a Marko Tervonen, no Studio-MT.

Há histórias de bandas que nascem de grandes planos estratégicos. A dos FIMBUL WINTER começou de forma bem mais prosaica: Niko Kaukinen queria tocar a maqueta «The Arrival Of The Fimbul Winter» — que gravara há mais de trinta anos — na sua festa de cinquentagésimo aniversário. Seria uma noite entre amigos, uma proposta sem quaisquer segundas intenções, e uma daquelas inevitáveis faíscas que apenas ocorrem quando os músicos certos partilham o mesmo palco.

“A ideia surgiu com o Niko querer tocar a demo «The Arrival Of The Fimbul Winter», que gravou há mais de trinta anos, na sua festa de cinquenta anos. O Fredrik achou piada e ofereceu-se para tocar guitarra. Depois o Anders foi convidado a juntar-se, e com a adição dos amigos Linus Nirbrant no baixo e o Clint na voz, um grupo seleccionado de convidados teve oportunidade de experienciar esta formação única e ouvir os temas que outrora lançaram os alicerces do que viriam a ser os AMON AMARTH.”

O que começou como homenagem particular acabou por revelar algo que nenhum dos participantes terá esperado encontrar: a vontade genuína de continuar. Percebendo que tinham entre mãos material antigo de qualidade e uma química algo difícil de ignorar, a decisão de gravar música nova tomou forma quase naturalmente. Em 2025, o EP de estreia, «What Once Was», oficializou a criação dos FIMBUL WINTER.

Para compreender o peso do que os FIMBUL WINTER representam, é necessário recuar aos primórdios dos AMON AMARTH — uma das bandas mais influentes do death metal melódico nórdico, responsável por definir décadas de estética e sonoridade neste género. Niko Kaukinen integrou a banda logo nos primeiros anos, participando na gravação da demo de 1994 que empresta o nome ao novo projecto.

Anders Biazzi — anteriormente conhecido como Anders Hansson — foi igualmente membro fundador da formação sueca. Fredrik Andersson, por sua vez, foi baterista dos AMON AMARTH durante cerca de duas décadas, período em que a banda gravou álbuns incontornáveis como «With Oden On Our Side», «Twilight Of The Thunder God» ou «Deceiver Of The Gods». A sua saída, em Março de 2015 — num momento delicado, quando a banda se preparava para entrar em estúdio e gravar aquilo que viria a ser «Jomsviking» —, marcou o fim de um ciclo.

Curiosamente, nos FIMBUL WINTER, Andersson não ocupa o lugar de baterista — é Niko Kaukinen quem assegura essa função —, cabendo ao ex-baterista dos AMON AMARTH o papel de guitarrista principal. A voz é entregue ao australiano Clint Williams, completando uma formação que se divide geograficamente entre Estocolmo e Melbourne.

E sim, seria fácil — e errado — reduzir os FIMBUL WINTER à categoria de projecto nostálgico ou de mais uma reunião saudosista. No entanto, o próprio discurso da banda recusa esse enquadramento com uma clareza desarmante. “Nunca houve dúvida sobre como devíamos soar. Temos vindo a moldar este som e este género durante décadas. Isto está no nosso ADN.” A afirmação distingue o grupo de tantos outros que se limitam a viver à sombra de glórias passadas.