COLIN BRITTAIN

COLIN BRITTAIN, dos LINKIN PARK, ouve a «Hallowed Be Thy Name» pela primeira vez e toca-a ao primeiro ‘take’ [vídeo]

COLIN BRITTAIN, o baterista dos LINKIN PARK foi desafiado a criar uma linha de bateria para um dos maiores clássicos dos IRON MAIDEN sem nunca ter ouvido o tema — e a longa secção instrumental acabou por apanhá-lo de surpresa.

Colin Brittain está habituado a tocar perante milhares de pessoas, mas nem mesmo um músico com a sua experiência está imune a ser apanhado totalmente de surpresa por uma canção. Foi precisamente o que aconteceu quando o actual baterista dos LINKIN PARK aceitou o desafio da série “For The First Time”, da Drumeo, e se viu perante uma tarefa particularmente ingrata: tocar a épica «Hallowed Be Thy Name», dos IRON MAIDEN, sem nunca ter ouvido o tema.

O conceito desta incrível série coloca os bateristas perante músicas que desconhecem, retirando previamente a pista de bateria. O músico ouve a composição pela primeira vez e tem de construir, em tempo real, uma parte que faça sentido dentro do que está a ouvir, e só pode recorrer à sua capacidade de improvisação, percepção e conhecimento musical. No caso de Colin Brittain, essa experiência começa com uma demonstração do seu impressionante conhecimento da música rock contemporânea.

O baterista vai identificando vários artistas e temas que conhece até que surge então «Hallowed Be Thy Name», um dos maiores clássicos do catálogo dos IRON MAIDEN e uma composição originalmente registada em 1982, no incontornável «The Number Of The Beast». A reacção inicial de Brittain é suficiente para perceber que o desafio vai ser sério. Sem qualquer preparação para a música, o músico parte para uma única tentativa improvisada, optando por uma abordagem bem mais agressiva e acelerada do que aquela que viria a descobrir na gravação original.

Ao longo da interpretação, o baterista dos LINKIN PARK aposta frequentemente em grooves rápidos, em double-time, e introduz também algumas soluções claramente influenciadas pelo punk. Ainda assim, mesmo sem conhecer a composição, consegue captar intuitivamente algumas das mudanças de dinâmica e estruturas rítmicas que fazem parte do arranjo criado originalmente por Clive Burr. É, no entanto, a recta final de «Hallowed Be Thy Name» que acaba por transformar o exercício numa verdadeira prova de resistência.

Brittain parece esperar que a música termine muito antes d isso acontecer e, quando percebe que a secção instrumental continua a desenvolver-se, a expressão no seu rosto muda para uma mistura de surpresa e entusiasmo, obrigando-o a procurar novas ideias no seu repertório de rudimentos e soluções improvisadas para acompanhar a progressão do tema. O resultado está longe de ser uma tentativa de reproduzir aquilo que Clive Burr fez na gravação original. E esse é precisamente o interesse do exercício: Brittain não tem referências prévias sobre as quais possa construir a sua interpretação. Está simplesmente a reagir à música à medida que esta acontece.

No final, a experiência ganha uma segunda dimensão quando Colin Brittain ouve finalmente a versão original de «Hallowed Be Thy Name». A reacção é particularmente reveladora quando começa a prestar atenção à forma como a bateria de Burr se encaixa no restante instrumental, destacando o “pocket” da gravação e a profundidade do arranjo. Mais que a velocidade ou complexidade técnica, o que impressiona o músico dos LINKIN PARK é a forma como os diferentes instrumentos parecem funcionar como uma única unidade rítmica. A análise permite-lhe perceber que, apesar de ter intuído algumas dinâmicas do tema, a versão de Burr está construída com uma lógica muito mais ampla do que aquela que conseguiu antecipar numa primeira audição.