O novo tema dos ARCHITECTS privilegia a dimensão melódica antes de desembocar num breakdown demolidor, poucos dias antes da banda britânica partir para a estrada com os KORN.
Há músicas que parecem nascer para ser ouvidas com auscultadores e há outras que, desde o primeiro acorde, parecem pedir uma sala cheia. «Machine», o novo single dos ARCHITECTS, pertence claramente à segunda categoria. A banda britânica acaba de apresentar o tema numa altura particularmente apropriada: no próximo mês, vai juntar-se aos gigantescos KORN para uma nova série de concertos, levando consigo uma canção que parece ter sido desenhada para crescer à medida que aumenta a dimensão do público diante do palco.
«Machine» chegou acompanhada por um vídeo-clip oficial realizado por Jensen Noen, que segue uma abordagem menos literal e procura explorar visualmente conceitos relacionados com percepção e controlo. O vídeo começa num cenário próximo de uma realidade reconhecível, mas essa estabilidade vai desaparecendo progressivamente. À medida que avança, as imagens tornam-se mais abstractas, estranhas e distorcidas, criando a sensação de que aquilo que inicialmente parecia concreto está a ser manipulado diante dos nossos olhos.
Essa transformação visual acompanha a própria natureza da música. À medida que «Machine» vai alternando entre a componente melódica e a explosão de peso, o vídeo vai afastando o espectador de uma realidade aparentemente familiar para um espaço cada vez mais desconcertante. A realização de Noen acrescenta, assim, uma segunda camada ao lançamento sem se limitar só a ilustrar literalmente aquilo que os ARCHITECTS estão a cantar.
Como podes comprovar em cima, grande parte da força de «Machine» está orecisamente no contraste entre as duas faces que os ARCHITECTS colocam em confronto ao longo de toda a faixa. Por um lado, há uma aposta assumida na melodia, com a banda a construir um refrão de proporções gigantescas, daqueles que parecem pedir para serem gritados por milhares de vozes ao mesmo tempo
Por outro, a música não demora a recordar que estamos perante uma banda com raízes profundas no metalcore. Depois de preparar o terreno através dessa componente mais hínica, os ARCHITECTS deixam cair um breakdown que surge sem grande cerimónia e com um peso considerável. Sim, é uma mudança brusca de ambiente, mas é precisamente por isso que funciona. O tema não tenta escolher entre a vertente melódica e a agressividade: usa a primeira para tornar o impacto da segunda mais evidente. O resultado é uma canção com uma estrutura bastante directa, mas capaz de alternar entre dois extremos sem perder a coerência.
E há uma imagem particularmente feliz na descrição original do tema: o breakdown soa como levar com uma caixa de ferramentas na cabeça. É uma forma pouco subtil — e bastante adequada — de descrever o exacto momento em que os ARCHITECTS atiram tudo às urtigas e abandonam momentaneamente a grandiosidade do refrão para regressarem ao peso.
Essa dualidade torna-se ainda mais relevante tendo em conta aquilo que espera a banda na estrada. Os ARCHITECTS vão andar em digressão com os KORN no próximo mês, numa sequência de datas que colocará «Machine» perante um público mais vasto e diversificado do que é habitual para os britânicos. Portanto, se este refrão foi concebido para ganhar dimensão num recinto cheio, esta será a oportunidade ideal para perceber até onde pode crescer. A faixa tem precisamente esse carácter de canção feita para a participação colectiva, sem abdicar de um momento pesado suficientemente violento para manter a ligação à faceta mais agressiva do grupo.
É uma combinação que poderá revelar todo o seu potencial quando a banda chegar aos palcos ao lado dos KORN. «Machine» foi agora apresentada na sua versão de estúdio e; no próximo mês, começa a segunda parte da experiência — descobrir o que acontece quando aquele refrão passa a pertencer a uma multidão.


