Porto e Lisboa recebem uma digressão que coloca frente a frente ANGELUS APATRIDA e VIO-LENCE, duas bandas que representam momentos distintos da evolução do thrash, mas que continuam a encontrar no presente um espaço de afirmação claro.
Quase quatro décadas após a sua consolidação enquanto linguagem própria dentro do universo do heavy metal, o thrash mantém-se como um território activo, onde diferentes gerações coexistem sem necessidade de revisitar fórmulas de forma acrítica. Juntando os espanhóis ANGELUS APATRIDA e os norte-americanos VIO-LENCE, a digressão Eruption Of Screams – Thrash Domination insere-se nesse contexto, propondo um alinhamento que articula trajectórias distintas sem diluir as suas especificidades.
Porto e Lisboa vão receber essa tour que junta as duas bandas, com a primeira data marcada para o dia 24 de julho, no Hard Club, seguindo depois a capital, no dia seguinte, com passagem pelo RCA Club. Em ambas as noites, as portas abrem às 21:00, com início dos concertos agendado para as 21:30. Os bilhetes encontram-se já disponíveis através da Unkind.pt, com preço único de 25 euros.
No caso dos ANGELUS APATRIDA, o percurso construído ao longo das últimas duas décadas tem sido marcado por uma consistência rara dentro do panorama underground europeu. A banda espanhola afirmou-se gradualmente para lá do circuito ibérico, consolidando uma presença regular em palcos internacionais e desenvolvendo uma identidade assente em precisão técnica e clareza estrutural. Sem depender de revisitações nostálgicas, os ANGELUS APATRIDA têm procurado afirmar uma leitura contemporânea do thrash, sustentada por uma discografia coesa e por uma actividade ao vivo contínua.
Já os VIO-LENCE surgem associados a um contexto fundacional do género. Oriundos da Bay Area de São Francisco, integraram o núcleo de bandas que, durante a década de 80, ajudou a definir uma abordagem mais agressiva e rítmica ao thrash. Apesar da carreira marcada por interrupções e regressos pontuais, o seu contributo permanece relevante, tanto pela identidade sonora que ajudaram a estabelecer como pela influência exercida sobre gerações posteriores. O actual regresso aos palcos e às edições reacendeu esse legado e oferece uma oportunidade rara de contacto directo com uma das formações que participaram na definição do género.
Por tudo isso, a reunião dos ANGELUS APATRIDA e VIO-LENCE evidencia duas formas bem distintas de permanência: uma construída através da continuidade e outra assente na reactivação de um percurso histórico específico. O resultado não se limita à soma de dois nomes num mesmo cartaz, mas antes a um diálogo implícito entre diferentes momentos da mesma linguagem musical.
Além disso, a escolha do Hard Club e do RCA Club para receber estas bandas enquadra as actuações em espaços onde a proximidade entre os músicos e o público tende a assumir sempre um papel central. Em formato concentrado e sem dispersões, estas duas datas apresentam-se como um exercício directo de contacto com a essência do thrash, assente na execução, na intensidade rítmica e na resposta imediata da plateia.




