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VENOM: 42 anos de «Welcome To Hell»

Mais de quatro décadas e duas bandas depois, as canções contidas no álbum de estreia dos VENOM ainda conservam exactamente o mesmo impacto selvagem de quando as ouvimos pela primeira vez.

Por esta altura, os VENOM já dispensam quaisquer apresentações e, apesar de todas as transformações estéticas e sonoras que o black metal sofreu com o passar dos anos, foram eles próprios que acabaram por estabelecer as regras básicas para o estilo ao lançarem o seu segundo álbum. No entanto, já um ano antes, com o LP de estreia «Welcome to Hell», o trio oriundo de Newcastle tinha pegado na fórmula da (em ebulição na altura) N.W.O.B.H.M. e, injectando-lhe a garra incontida do punk, criou um som ainda um pouco mais pesado e extremo que, uns tempos depois, acabaria por dar origem ao thrash.

Lançado originalmente no dia 6 de Dezembro de 1981 pelas (entretanto desaparecidas) Neat Records, na Europa, e Combat Records, nos Estados Unidos, o primeiro álbum de estúdio dos VENOM foi editado há exactamente 42 anos. Com a chegada aos escaparates a coincidir com o florescimento da New Wave Of British Heavy Metal, o «Welcome To Hell» teve uma enorme influência nas tendências do thrash, death e, claro, black metal, que surgiram nos 80s e no início dos 90s.

Musicalmente, o disco de estreia dos VENOM apresenta um som bem pesado, agressivo e cru, que funde elementos de punk e metal, claramente influenciado pelos conterrâneos MOTÖRHEAD. No geral, aquilo que se ouve são temas cheios de riffs de guitarra rápidos e distorcidos, batidas frenéticas e linhas vocais bem rasgadas. A abordagem lírica é sombria e controversa, com temáticas que exploram o satanismo, o ocultismo e a violência.

O tema de abertura, «Sons Of Satan», estabelece desde logo o tom obscuro que premeia o álbum com o seu ritmo intenso, as letras blasfemas e a produção lo-fi tornarem notória a energia e intensidade de que se faziam estes VENOM iniciais. Dúvidas restassem, este é um daqueles bons exemplos de um álbum em que a atitude acaba por conseguir compensar qualquer falta de polimento técnico.

Não estranhamente, o «Welcome To Hell» é visto como um dos lançamentos mais influentes da história da música extrema, tendo, a par do sucessor «Black Metal», dado origem a, pesem as diferenças sonoras e até de ideologia, toda uma tendência que marcou profundamente muitas das gerações seguintes nos meandros do underground.

Produzido por Keith Nichol em parceria com o temível trio formado por Cronos, Mantas e Abaddon, nos Impulse Studios, em Newcastle, no Reino Unido, durante uns meros dias em Agosto de 1981, o que ainda é mais curioso no meio disto é que, mais de quatro décadas e duas bandas depois, as canções contidas no álbum de estreia dos VENOM ainda conservam o mesmo impacto selvagem de quando as ouvimos pela primeira vez.

Famosos pelas suas actuações memoráveis , em que os lasers competiam por atenção com a descarga decibélica protagonizada pelo grupo, o trio formado por Cronos, Mantas e Abaddon transformou-se num enorme fenómeno de popularidade no underground, acabando por influenciar o surgimento de
nomes tão famosos como METALLICA ou SLAYER. Infelizmente, a natureza volátil da formação clássica acabaria por dar o tiro de partida para uma carreira de enorme sucesso, mas também cheia de paragens e arranques, assente em álbuns como «At War With Satan», «Possessed» ou «Calm Before The Storm».

De 1979 a 1993, quando se separaram pela primeira vez, os VENOM transformaram-se numa das instituições mais emblemáticas da música extrema e, após ter-se estado afastado durante um período, o inimitável Cronos tomou de novo as rédeas do projecto em 1995. Após uma demasiado breve reunião com Mantas e Abaddon, durante as últimas décadas o baixista e vocalista tem mantido presença assídua, e muito aplaudida, nos palcos e nos escaparates.