Antes dos noruegueses, antes das igrejas a arder, os TORMENTOR já andavam a fazer black metal de qualidade superior — e, em Agosto, chegam finalmente a Portugal.
No dia 30 de Agosto, a República da Música, em Lisboa, recebe um concerto que poucos esperavam ver por cá: os lendários TORMENTOR, banda fundada em Budapeste em 1985 e uma das formações mais veneradas na história do black metal europeu, vão finalmente estrear-se no nosso país. Uma data única, sem paralelo na carreira da banda no nosso país, e que coloca Lisboa no mapa de uma tour que poucos palcos têm o privilégio de receber.
Há histórias que antecedem a própria nomenclatura do que viriam a inspirar. Os TORMENTOR nasceram em plena Hungria comunista, num contexto em que tocar metal pesado e de estética sombria era, em si, um acto de dissidência cultural. Antes do black metal se consolidar como movimento coeso na Noruega — com tudo o que essa cena arrastaria consigo na viragem para os anos 90 —, os húngaros já tinham lançado as maquetas «The Seventh Day Of Doom» e «Anno Domini», que circularam em cópias de cassete por toda a Europa e chegaram às mãos de músicos que mais tarde definiriam o género.
Estas gravações, cruas e carregadas de uma intensidade que o tempo não conseguiu apagar, tornaram-se documentos fundadores. Não por acidente nem por nostalgia retrospectiva, mas porque nelas residia algo genuinamente original: uma visão musical assente em riffs densos, atmosferas opressivas e uma vocação para o sombrio que não pedia licença a ninguém. Em 2000, já com o black metal firmemente estabelecido como corrente global, os TORMENTOR editaram o álbum «Recipe Ferrum!», regressando com a mesma essência intacta.
No centro de tudo isto está, claro, o inimitável Attila Csihar. cantor e fundador dos TORMENTOR, Csihar é uma das presenças mais singulares da música extrema mundial — uma figura que transcende categorias e que, ao longo de décadas, construiu uma reputação que poucas vozes conseguem reivindicar com igual legitimidade.
O seu nome ganhou projeção internacional quando, em 1993, gravou as linhas vocais o clássico álbum «De Mysteriis Dom Sathanas» com os noruegueses MAYHEM — um disco que, para muitos, continua a ser ainda o registo mais importante da história do black metal. Csihar acabaria por se tornar o vocalista permanente dos MAYHEM anos mais tarde, consolidando uma ligação que o coloca, simultaneamente, no coração de duas das bandas mais influentes do género.
A sua voz é um instrumento difícil de descrever sem recorrer ao exagero. Agudos penetrantes que cortam a mistura como uma lâmina, rouquidão visceral, entoações que oscilam entre o litúrgico e o perturbador — e uma presença em palco que transforma cada concerto em algo que ultrapassa a mera performance musical.
Para os fãs portugueses de black metal, esta data tem um peso especial. Os TORMENTOR só raramente tocam ao vivo — e quando o fazem, a sua presença em palco convoca décadas de história condensadas numa noite. Assistir a este concerto em Lisboa é, antes de mais, uma questão de raridade: não se trata de uma banda que percorre circuitos habituais nem que acolhe com facilidade convites de promotores pelo mundo fora. Quando saem para tocar, é por razões que importam.
Na abertura do espectáculo sobem ao palco os FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM, que são, desde 1992, uma das referências mais consistentes da cena underground portuguesa, sendo que a sua presença nesta noite tem tanto de homenagem como de declaração de princípios. Liderada pelo genial Belathauzer — vocalista, guitarrista e mentor criativo desde a fundação do grupo—, a banda construiu a sua identidade numa fusão de black, thrash e heavy metal que nunca cedeu às pressões da moda nem sequer aos apelos da acessibilidade comercial.
O concerto de estreia dos TORMENTOR em Portugal realiza-se no dia 30 de Agosto, com a abertura de portas marcada para as 20:00. Os bilhetes já estão à venda na Ticketline.





