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THE OCEAN
ESTREIAS

THE OCEAN revelam «Ultima Esperanza», novo avanço para o álbum «Solaris» [vídeo-clip]

DEAMATRONA
RODRIGOYGABRIELA

Com formação quase totalmente renovada e uma narrativa inspirada no cinema de Andrei Tarkovsky, os THE OCEAN lançaram o segundo tema de avanço para um disco que promete cruzar a exploração cósmica com uma reflexão amarga sobre o poder, a liderança e o custo ambiental do engenho humano.

Há bandas que mudam de pele com naturalidade, e outras que se reinventam por necessidade. Os THE OCEAN parecem ter o pé nestas duas categorias em simultâneo. O colectivo alemão, uma referência incontornável do post-metal europeu desde o início dos anos 2000, lançou agora «Ultima Esperanza», o terceiro single retirado do seu novo álbum, intitulado «Solaris», que tem edição marcada para o dia 25 de Setembro através da Pelagic Records, a editora fundada pelo próprio grupo.

Desta vez, os THE OCEAN remetem-nos para um topónimo real: Última Esperanza é o nome da província mais meridional do continente sul-americano, baptizada em honra da reentrância marítima conhecida como Última Esperanza Sound. A designação remonta ao ano de 1557, quando o navegador espanhol Juan Ladrillero explorou aquelas águas na expectativa de encontrar uma passagem para o Estreito de Magalhães. A esperança revelou-se, no entanto, infundada: a reentrância conduz apenas a um glaciar e, por fim, a um beco sem saída — uma imagem que a banda transforma agora em matéria-prima conceptual.

É precisamente essa dualidade entre expectativa e desilusão que atravessa a nova canção. Segundo os THE OCEAN, “A «Ultima Esperanza» explora a noção intrinsecamente humana de usar a esperança como força motriz por trás de todos os esforços de exploração, bem como a perda da mesma. É uma reflexão sobre a resiliência mental, traçando as diferentes etapas de perder a esperança e a extraordinária tendência da mente humana para continuar a projectá-la mesmo nas realidades mais terríveis, como um meio instintivo de sobrevivência.”

A escolha de um episódio da história da exploração marítima como ponto de partida conceptual para um tema não é inédita no percurso dos THE OCEAN, conhecidos por discos que cruzam ciência, filosofia e geografia com um som que atravessa o metal progressivo, o post-metal e texturas mais atmosféricas. Com «Solaris», o colectivo parece reafirmar essa vocação para narrativas de grande fôlego, agora condensadas numa peça de encerramento que, pela sua duração, promete funcionar como o centro de gravidade emocional e conceptual de todo o álbum.

Aliás, o título do disco não é coincidência. A obra bebe directamente da adaptação cinematográfica que o cineasta Andrei Tarkovsky fez, em 1972, do romance homónimo de Stanislaw Lem, e essa referência funcionou como ponto de partida para uma narrativa muito mais ambiciosa do que uma simples homenagem. Recorde-se que sobre o single anterior, «Belligerence», a banda também já tinha sido bastante clara quanto às intenções que o motivaram. Segundo os THE OCEAN, “a «Belligerence» é uma canção sobre a cultura da discussão e sobre a força destrutiva da raiva contida e da beligerância como traços de carácter, que é muitas vezes transfigurada num atributo da razão e de um espírito crítico”.

A declaração que resume bem o tom do álbum: um disco que não se limita a especular sobre o cosmos, mas que usa esse cenário para dissecar comportamentos humanos bem terrenos. Já podes conferir o tema em baixo.

De acordo com o comunicado de imprensa que acompanha o lançamento do novo single, «Solaris» conta a história de uma fuga cósmica. A narrativa segue uma nave que funciona como um barco de resgate celestial, afastando-se de uma Terra que se afunda metaforicamente. Essa embarcação é descrita como um navio histórico, e as letras do álbum estabelecem paralelos directos com exploradores reais do passado, entre eles Vasco da Gama, Fernão de Magalhães e Sir Francis Drake, assim como exploradores polares como Amundsen e Rasmussen.

O comunicado sublinha que estas viagens históricas partilham elementos comuns: tempestades, doença, naufrágio, jogos de poder, rivalidades, egos, beligerância, motins e, por fim, a busca pela verdade e pela justiça. Apesar de muitos destes exploradores terem partido movidos por um espírito nobre de descoberta, o seu legado ficou frequentemente manchado por episódios de imperialismo cultural, genocídio e liderança ditatorial.

É aqui que «Solaris» ganha o seu contorno mais afiado. Longe de glorificar exploradores brancos e masculinos ou de romantizar estruturas patriarcais, o novo álbum dos THE OCEAN estabelece uma linha entre esses homens movidos por uma determinação extrema e os líderes políticos da actualidade. O disco interroga a face sombria do que significa ser um líder “grandioso”, questiona a própria ideia de um chamamento divino e pondera o custo de seguir esse impulso instintivo.

A reflexão não fica pelo terreno político, no entanto. Segundo os THE OCEAN, os mesmos padrões psicológicos são transpostos para o universo criativo, questionando se a exploração pode ser redefinida como um processo de observação silenciosa, documentação e aprendizagem, em vez de uma imposição de ideias e valores alheios sobre outros. No fundo, «Solaris» funciona como uma crítica às motivações subjacentes e às disposições psicológicas de uma mentalidade explorativa e da sede de poder. É uma interrogação existencial sobre o propósito do avanço tecnológico, olhando especificamente para a destruição do nosso habitat.

O resultado é uma visão distópica de um futuro em que a Terra se torna inabitável não apesar da inteligência humana, mas sim como sua consequência directa. No entanto, para além do peso conceptual, o que destaca «Solaris» é a reformulação drástica deste colectivo. Em 2026, THE OCEAN apresentam Enrico Tiberi (ex-EyeHate, entre outros) e Lane Shi (Elizabeth Colour Wheel, Otay:onii) nas vozes, bem como os guitarristas Emmanuel Jessua (dos Hypno5e) e Marco Gennaro, todos eles novos elementos do grupo.

Esta renovação de formação surge num momento em que os THE OCEAN se preparam para regressar aos palcos europeus. Está já confirmada uma tour pelo continente no Outono, com os PSYCHONAUT e HYPNO5E a integrarem alguns troços do trajecto. A abertura dos espetáculos ficará dividida entre os THE DEVIL’S TRADE e os POTHAMUS.

Portanto, com «Ultima Esperanza», que chegou já na sequência de «Light Pollution» «Belligerence», os THE OCEAN confirmam que «Solaris» promete ser um dos discos mais ambiciosos, tanto musical como conceptualmente, da carreira do colectivo — e um dos lançamentos mais aguardados da cena post-metal para o segundo semestre deste ano. Os formatos físicos do novo LP já estão disponíveis em pré-encomenda na loja virtual da Pelagic Records.

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Redacção LOUD!8 de Setembro, 20268 de Setembro, 2026Pelagic Records, post hardcore, post metal, post rock, progressive metal, robin staps, the ocean

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