TATIANA SHMAYLUK

TATIANA SHMAYLUK contesta o rótulo “female-fronted” e rejeita comparações redutoras

“Nunca quis soar como elas”, dispara TATIANA SHMAYLUK.

Tatiana Shmayluk, a vocalista dos JINJER, voltou a posicionar-se uma vez mais contra o uso da expressão “female-fronted”, um rótulo que, segundo a própria, continua a reduzir projectos artisticamente distintos a um mesmo nicho só por terem mulheres na voz principal. Numa entrevista recente, a cantora ucraniana foi particularmente contundente ao explicar por que razão considera o termo muito ofensivo e limitador, sublinhando o impacto que essas comparações têm na forma como o trabalho da banda é recebido.

Para Tatiana, o problema começa quando o rótulo apaga diferenças fundamentais entre bandas, estéticas e até abordagens musicais. “Ainda somos comparados a artistas que não têm nada a ver connosco. E nem sempre são bons ou talentosos, sinto-me muito, muito ofendida com isso”, afirmou ela, acrescentando que essas comparações nem sempre assentam em critérios técnicos ou artísticos sólidos. “Algumas pessoas não sabem cantar, não alcançam as notas! Vai daí há quem diga: ‘Ah, ela está a sair-se melhor que tu, ela faz melhor que tu, ela tem personalidade, ela tem…’ Meu Deus! Deixem-me em paz! isso irrita-me imenso.”

A vocalista dos JINJER explicou ainda que, nos primeiros anos de carreira, as suas referências estavam longe do universo em que frequentemente a tentam encaixar. Tatiana Shmayluk revelou que procurava inspiração em Randy Blythe, dos LAMB OF GOD, e não em outras vocalistas femininas do metal extremo. No entanto, essa intenção raramente é reconhecida publicamente no discurso em torno da sua banda. E, em vez disso, surgem comparações automáticas com nomes que nunca fizeram parte das suas influências directas.

Um dos exemplos mais recorrentes é a associação aos ARCH ENEMY, algo que a cantora rejeita de forma bastante clara. “Recebo muitas comparações e comentários a equiparar-me à Angela Gossow. Eu nunca quis soar como ela”, explicou. A crítica estende-se também a expectativas de imagem que, segundo a vocalista, nada têm a ver com a música. “Algumas pessoas disseram-me: ‘Porque não pintas o cabelo? Porque não pintas o cabelo de azul como a Alissa White-Gluz?’ Mas porquê? Não entendo.” Para Tatiana Shmayluk, este tipo de comentário evidencia como o rótulo “female-fronted” tende a arrastar consigo uma série de clichés estéticos e comportamentais que pouco dizem sobre a substância artística de cada projecto.

O mais recente álbum dos JINJER, «Duél», foi editado em Fevereiro de 2025, e concebido num contexto marcado pela instabilidade e pelo exílio forçado. Grande parte do disco foi escrita enquanto o grupo se encontrava fora da Ucrânia, após a invasão russa, num período em que a banda passou a maior parte do tempo na estrada. Durante esse mesmo intervalo, os músicos foram nomeados embaixadores culturais internacionais do seu país, assumindo um papel simbólico que ultrapassa a esfera estritamente musical.

Neste enquadramento, as palavras de Tatiana ganham um peso adicional. Ao rejeitar todos esses rótulos que considera redutores, a vocalista não está apenas a defender a singularidade dos JINJER, mas também a reclamar um espaço de avaliação muito mais justo, onde a música seja analisada pelo que é, e não pelo género de quem a interpreta. Num panorama ainda marcado por categorias herdadas de outras décadas, a posição da cantora reforça um debate que continua longe de estar encerrado.

Recorde-se que concerto dos JINJER, marcado para 6 de Fevereiro, no LAV – Lisboa ao Vivo, encontra-se oficialmente esgotado, confirmando a forte ligação da banda ucraniana ao público luso e o forte impacto crescente do seu percurso no panorama do metal contemporâneo. Inserida na digressão European Duél Tour 2026, a data promete uma noite intensa e memorável, reforçada pela presença dos UNPROCESSEDTEXTURES como convidados especiais.