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TARJA TURUNEN regressa a Portugal para um concerto marcado pela reconciliação artística [entrevista]

O reencontro de TARJA TURUNEN e MARKO HIETALA com o público luso promete transformar a noite da próxima quinta-feira, 29 de Janeiro, numa celebração única de amizade, emoção e música.

Na próxima quinta-feira, TARJA TURUNEN sobe novamente a um palco português num espectáculo que promete ser muito mais do que “apenas” um espectáculo musical. Para a cantora finlandesa, o regresso a Lisboa ocorre num ponto particularmente significativo da sua carreira, um momento fortemente marcado por um reencontro artístico inesperado, por uma nova fase criativa assumidamente mais livre e por uma relação com o público que continua a ser profundamente emocional e próxima.

Mesmo décadas após os primeiros contactos com os fãs portugueses, este concerto representa agora um momento de celebração da amizade, da música e de uma trajetória que, apesar de profundas mudanças na indústria e da passagem do tempo, mantém a sua autenticidade e intensidade. Portugal surge, neste contexto, como uma escolha natural para abrir a digressão.

Lisboa vai ser o primeiro concerto, por isso vai haver muitos nervos. Toda a gente vai estar nervosa, tenho a certeza”, admite Tarja entre risos, demonstrando uma consciência clara do peso simbólico de regressar a um país que sempre recebeu o seu trabalho com entusiasmo. Para a cantora, os nervos não são sinal de fragilidade, mas de respeito pelo palco, pelo público e pela própria história que carrega. Depois de vários meses afastada dos palcos — “já não tocamos desde Outubro” —, o reencontro com os fãs portugueses ganha ainda mais significado, não apenas pela antecipação natural de um concerto, mas pelo momento de maturidade pessoal e artística que Tarja atravessa neste regresso à estrada.

Um dos elementos mais marcantes desta digressão é, sem dúvida, a presença de Marko Hietala, numa colaboração que Tarja descreve não como uma simples viagem ao passado, mas como o resultado de um processo emocional e artístico que exigiu tempo e paciência. “É muito emocional tê-lo ao meu lado em palco”, confessa, sublinhando a intensidade do momento. “Agora conhecemo-nos realmente, estamos em contacto e tornámo-nos amigos. Por isso, tudo é muito diferente.”

Este reencontro, que muitos fãs consideravam improvável, surge como acima de tudo como um gesto de amizade e de maturidade, mostrando que a música pode unir, mesmo após anos de afastamento. Longe de qualquer narrativa de nostalgia, a presença de Marko no palco é uma afirmação de confiança mútua e de desejo genuíno de partilhar a experiência musical no presente.

Tarja não evita o peso da história, mas recusa que esta se transforme num fardo ou num qualquer motivo de comparação constante. “A verdade é que serei sempre a primeira cantora dos NIGHTWISH, serei sempre a cantora original dos NIGHTWISH. Serei sempre isso”, afirma com a serenidade de quem conhece o seu valor e reconhece o percurso. Esta afirmação não surge como reivindicação, mas como uma constatação natural da sua trajectória. “Estou muito orgulhosa desses anos e da música que fizemos juntos”, acrescenta, mostrando que é possível olhar para o passado com orgulho sem deixar que ele condicione o presente.

Para Tarja, o tempo foi essencial para que as experiências passadas deixassem de ser um grande peso e se tornassem simplesmente contexto para o presente e para os projectos que continua a construir todos os anos. Pois bem, a maturidade e a confiança artística de Tarja reflectem-se também na forma como encara a sua carreira individual. Em 2026, a cantora celebra três décadas de actividade profissional, marco que lhe suscita surpresa e reflexão. “No próximo ano vou celebrar 30 anos de carreira. É tipo: para onde foi todo o tempo?”.

Apesar da incredulidade perante a rapidez com que todo este tempo passou, a sensação dominante é de gratidão e liberdade, sentimentos que se manifestam em cada projecto e em cada concerto. “Sinto-me saudável, feliz, trabalho com pessoas incríveis e posso escrever a minha música da forma que quero. Sinto-me livre, e isso não tem preço”, afirma, reforçando que a autenticidade e a liberdade criativa são valores centrais na sua trajectória.

Essa liberdade artística traduz-se também na postura crítica que mantém face às mudanças da indústria musical, em particular à crescente presença da inteligência artificial na criação artística. Embora recorra a ferramentas digitais no quotidiano, Tarja mantém uma distância clara quando o assunto é criação musical. “Para mim, na música, a emoção vem sempre em primeiro lugar. Sou uma artista muito emocional, estou aberta como um livro quando actuo”, explica.

A cantora reforça que a música é, acima de tudo, uma experiência emocional e que delegar esse processo a máquinas não lhe transmite a profundidade necessária. “É demasiado fácil. Onde é que está o desafio? Eu preciso do desafio”, acrescenta, evidenciando o valor da dedicação, do esforço e da autenticidade que caracteriza cada um dos seus projectos.

O espectáculo em Portugal insere-se, assim, num momento em que Tarja se afirma de forma clara como artista independente, mas também como intérprete consciente da sua história e do valor simbólico do reencontro com os fãs. Com banda composta por músicos de diferentes nacionalidades, a preparação da digressão segue uma lógica pouco convencional. Cada músico trabalha individualmente, e a reunião em palco é precedida por longos soundchecks que garantem coesão e qualidade musical.

Além disso, a relação com o público continua a ser um elemento central da experiência de Tarja em palco. Para a cantora finlandesa, a emoção transmitida pelos fãs influencia directamente a forma como acaba por interpretar cada canção. “Portugal tem um público particularmente emocional”, afirma, destacando a capacidade da audiência nacional para se conectar com a música e com o artista de forma intensa. Cada cidade, cada plateia e cada sala são, na visão de Tarja, factores determinantes para o seu desempenho e a energia de um concerto. “O ambiente, as pessoas, a sala, tudo afecta a actuação. Vou com o fluxo, por isso afecta sempre.”

Por tudo isto, a actuação de Tarja em Lisboa configura-se como um encontro entre diferentes fases da carreira de uma artista que nunca deixou de evoluir. Com um repertório que combina canções novas e clássicas, incluindo interpretações que refletem a profundidade emocional adquirida ao longo de três décadas de experiência, o concerto assume-se como uma celebração da música, da libardade criativa e também da amizade, com a presença de Marko Hietala a acrescentar uma dimensão extra, que promete transformar a noite no Coliseu dos Recreios numa oportunidade rara para testemunhar o reencontro de vozes que marcaram gerações.

A isto junta-se um ponto de afirmação pessoal para Tarja, que já não sente a necessidade de agradar ou corresponder a expectativas externas. “Já não quero agradar às pessoas. Estamos naquela idade em que simplesmente fazemos o que sentimos”, explica. Esta postura reflete bem a maturidade de uma carreira consolidada e o conforto de actuar de acordo com a própria visão artística, sem pressões externas. Para o público, essa honestidade promete transformar a noite numa experiência intensa, onde a música funciona como veículo de emoção, reconciliação e celebração de uma carreira que continua a expandir horizontes.

A nova fase artística de Tarja é também visível na preparação do próximo álbum, que a cantora descreve como o mais pesado da sua carreira. Com uma mistura de elementos sinfónicos, orquestrais e coros, o trabalho evidencia uma busca por sonoridades densas e emocionantes, mantendo a marca pessoal de Tarja. Esta combinação de tradição e inovação é, segundo a própria, um reflexo da sua abordagem à música: respeitar o passado, explorar o presente e preparar-se para o futuro.

Resultado: para quem acompanha a carreira de TARJA TURUNEN há três décadas ou para novos fãs, a próxima quinta-feira promete uma noite inesquecível, marcada por intensidade emocional, excelência musical e uma ligação singular entre artista e público. Os bilhetes para o concerto de TARJA e MARKO HIETALA, que conta ainda com o rock musculado dos ROK ALI AND THE ADDICTION e a teatralidade dos SERPENTYNE na primeira parte, custam 37€, disponíveis em primeartists.eu e nos locais habituais.