Os japoneses SIGH lançaram o primeiro single de avanço para o novo álbum «Goh-ka», que conta com um solo de guitarra assinado por Mikael Åkerfeldt, dos OPETH.
Há três décadas a desbravar caminho na cena metal japonesa, os SIGH regressam com «Unputenpu», tema que serve de cartão de visita ao seu novo álbum de originais, «Goh-ka», que vai ser editado no início de Setembro pela Peaceville Records. A canção chegou acompanhada de um vídeo-clip criado pelo cineasta e artista visual Costin Chioreanu, colaborador habitual de projectos ligados ao metal extremo e à estética mais sombria do género.
Como se isso não bastasse, o novo tema conta com uma participação que não passará despercebida aos aficionados do metal de orientação progressivo: Mikael Åkerfeldt, vocalista e guitarrista dos suecos OPETH, assina um solo de guitarra na canção, e junta-se assim um alinhamento de músicos que já por si mistura nacionalidades e currículos de peso.
Mirai Kawashima, mentor e rosto incontornável dos SIGH desde a fundação da banda, revelou não ter a certeza de como o tema será recebido. “Sinceramente, não faço ideia de como é que a canção soa para os outros. O shuffle é um ritmo usado por todo o mundo e o Japão não é excepção. Já usei este ritmo em canções como «Shikigami», «Ecstatic Transformation» e «Midnight Sun», mas acho que finalmente completei o meu próprio estilo japonês na «Unputenpu». A guitarra liderada pelo Mikael Åkerfeldt, dos OPETH, dá sem dúvida um novo impulso à canção.”
Quanto ao conteúdo lírico, o líder e timoneiro dos SIGH explica que «Unputenpu» reflecte sobre a fragilidade da existência face a forças que escapam ao controlo humano. “No que toca à letra, a «Unputenpu» exprime a ideia de que estarmos abençoados pela sorte ou atingidos pelo infortúnio é algo determinado pela vontade de Deus, pela vontade do céu, pelo destino ou até por qualquer coisa completamente fora do nosso alcance, e não há nada que possamos fazer para o mudar.
Qualquer pessoa pode morrer hoje ou perder alguém que ama. A vida pode ser cruel a qualquer momento. Esta canção baseia-se na minha experiência pessoal, mas prefiro não entrar em detalhes…”, diz Mirai, deixando adivinhar uma dimensão biográfica que atravessa todo o novo trabalho.
Segundo Kawashima, «Goh-ka» constitui um disco tão pessoal quanto «Shiki», tanto do ponto de vista musical como lírico. Em termos sonoros, o álbum resulta de uma equação pouco convencional: colocar num mesmo caldeirão os ingredientes essenciais dos CELTIC FROST, VOIVOD e BLACK SABBATH, temperados com referências ao cinema de terror e ao ADN japonês, mexer bem, e o resultado é «Goh-ka». A esta base juntam-se ainda pitadas de rock psicadélico, progressivo e música clássica, destiladas ao longo de quase uma hora de duração.
O próprio título do novo álbum dos SIGH encerra um triplo significado: o fogo infernal que queima os pecadores, o incêndio que, no fim dos tempos, consumirá o mundo, e o conceito de karma. O fio condutor temático do disco é o «Kuso-zu», um conjunto de pinturas ou ilustrações budistas que representam as nove fases de decomposição do corpo humano após a morte — obras criadas para incentivar a meditação sobre a impermanência da vida, a inevitabilidade da morte e o desapego face à beleza física e ligações mundanas.
Trata-se de uma representação crua da realidade: por mais bela que uma pessoa seja, a morte e a decomposição são inevitáveis, mais cedo ou mais tarde. A este imaginário associa-se ainda o «Kuso-shi», um poema baseado nas pinturas. Não surpreende, portanto, que a arte de capa e o encarte de «Goh-ka» sejam, eles próprios, representações de «Kuso-zu».
Para além de Mirai Kawashima e da vocalista e saxofonista Dr Mikannibal, a formação dos SIGH para «Goh-ka» junta ainda o guitarrista Nozomu Wakai, o baixista Frédéric Leclercq — conhecido do público dos KREATOR e dos DRAGONFORCE — e o baterista norte-americano Mike Heller, que já passou pelos RAVEN e pelos FEAR FACTORY. A este núcleo soma-se agora o contributo pontual de Mikael Åkerfeldt em «Unputenpu», um dos vários convidados especiais anunciados para o disco.
O álbum foi gravado em vários estúdios distintos e contou, mais uma vez, com mistura e masterização a cargo de Lasse Lammert, nos estúdios LSD, na Alemanha — o mesmo responsável técnico que tem acompanhado os trabalhos mais recentes dos SIGH.

01. Kuso-shi 1, 2, and 3 | 02. Jigoku-Zoshi 1: Unkamusho | 03. Anzenshokon | 04. Kuso-shi 4, 5, and 6 | 05. Shoso | 06. Unputenpu | 07. Jinmenjushin | 08. Jigoku-Zoshi 2: Tokatsujigoku | 09. Kushukankyo | 10. Kuso-shi 7 | 11. Kuso-shi 8 and 9 / Mettaijakujo


