Apesar do fim anunciado, o guitarrista dos SEPULTURA recusa fechar portas ao futuro.
A fase final da carreira dos SEPULTURA continua a ganhar novos contornos à medida que a digressão de despedida avança, mas há um elemento que permanece deliberadamente em aberto: a possibilidade de um regresso. Em entrevista recente, Andreas Kisser deixou claro que, embora o fim da banda enquanto entidade activa esteja definido, não existe uma linha definitiva traçada em relação ao futuro.
“Eu não excluo nada. É irrelevante dizer se a despedida vai ser para sempre ou se vamos voltar. O que nos parece mais importante é que vamos parar agora. Precisamos desse descanso, porque organizámos tudo à volta disto. Precisamos de tempo — tempo para olhar noutra direcção”, afirmou o guitarrista, sublinhando a necessidade de uma pausa após décadas de actividade contínua.
Ainda assim, Kisser fez questão de afastar qualquer ideia de desaparecimento definitivo. “Os SEPULTURA não vão morrer. Os MOTÖRHEAD estão mais vivos do que nunca… infelizmente já não temos as digressões, mas vão estar connosco para sempre”, explicou o timoneiro do grupo, evocando o legado duradouro das grandes bandas. Para o músico, o conceito de “fim” não invalida a continuidade simbólica ou eventuais reencontros futuros: “As possibilidades estão sempre em aberto. Neste momento, não acho que tenhamos energia para fazer oito digressões de despedida, mas quem sabe?”.
A reflexão surge num contexto em que vários nomes históricos — como os SCORPIONS, KISS, MÖTLEY CRÜE ou SLAYER — anunciaram despedidas que acabaram por não ser definitivas. Para o guitarrista e principal compositor dos SEPULTURA, essa flexibilidade é natural e até saudável: “É importante parar e afastarmo-nos um pouco. Mostra que a arte não está presa a estereótipos do que os outros esperam de ti.”
Paralelamente à digressão de despedida, os SEPULTURA continuam a trabalhar num ambicioso álbum ao vivo que pretende documentar esta última fase. Este projecto, que vai reúnir gravações de 40 temas em 40 cidades diferentes, está a ser construído ao longo da tour e deverá ser editado em 2026. “Estamos a gravar todos os concertos desde que o Greyson entrou na banda. Temos muito material e vai ser incrível”, revelou Kisser.
A intenção passa por criar um registo com forte identidade física e conceptual, inspirado em clássicos do formato. “Queremos fazer algo especial, em vinil, com uma vibração à antiga, estilo o «Alive II» dos KISS, com fotografias e tudo isso. Algo muito orgânico, no sentido oposto de mostrar tudo na internet”, explicou. O guitarrista dos SEPULTURA destacou ainda a importância da imaginação na experiência: “Lembro-me de ouvir álbuns ao vivo de bandas como os MOTÖRHEAD, IRON MAIDEN ou KISS e imaginar que estava no concerto. No Brasil não tínhamos esses espectáculos. E foi essa imaginação que me trouxe até aqui.”
Ainda no plano criativo, a banda já revelou dois temas do EP de despedida «The Cloud Of Unknowing», nomeadamente «The Place» e «Beyond The Dream», este último com a participação de Sérgio Britto e Tony Bellotto, dos TITÃS.
A digressão de despedida dos SEPULTURA teve início no dia 1 de Março de 2024, em Belo Horizonte, marcando também a estreia ao vivo do baterista Greyson Nekrutman, que substituiu Eloy Casagrande após a sua saída inesperada — confirmada dias antes do arranque da tour e posteriormente associada à sua entrada nos SLIPKNOT.
Anunciada como uma celebração dos 40 anos dos SEPULTURA, a gigantesca Celebrating Life Through Death Tour tem percorrido vários continentes e prepara-se para a sua etapa final na América do Norte, com datas ao lado de nomes como EXODUS, BIOHAZARD e TRIBAL GAZE, para além de presenças em festivais como o Welcome To Rockville e o Sonic Temple. Por cá, a banda despede-se nos fãs nacionais com uma actuação no Rock In Rio Lisboa.



