O derradeiro espectáculo dos SEPULTURA, inicialmente marcado para a Mercado Livre Arena Pacaembu, passa para a Suhai Music Hall, mantendo-se confirmada a participação de músicos ligados à história da banda.
Os SEPULTURA vão despedir-se dos palcos a 7 de Novembro, em São Paulo, mas o cenário escolhido para o último concerto da banda sofreu uma alteração significativa. A Live Nation Brasil anunciou que o espectáculo foi transferido da Mercado Livre Arena Pacaembu, recinto com capacidade para cerca de 26 mil pessoas, para a Suhai Music Hall, que pode receber pouco mais de 9 mil espectadores.
Como será fácil de perceber, esta mudança representa uma redução substancial na dimensão do espaço inicialmente previsto para aquela que será, alegadamente, a última actuação dos SEPULTURA, após mais de quatro décadas de actividade constante. Apesar da alteração, a programação anunciada para a noite mantém-se intacta: KRISIUN, SACRED REICH e METAL ALLEGIANCE continuam confirmados como convidados. Os bilhetes adquiridos para o concerto na Mercado Livre Arena Pacaembu permanecem válidos para a nova localização e quem não tiver possibilidade de comparecer na Suhai Music Hall poderá, por sua vez, solicitar o reembolso do ingresso, de acordo com as indicações disponibilizadas pela organização.
A mudança ganha uma dimensão particularmente curiosa tendo em conta o significado que o Mercado Livre Arena Pacaembu tem para os próprios SEPULTURA. Mais do que um recinto de grandes dimensões escolhido para acolher uma despedida à altura da importância da banda, o local estava directamente ligado à história do grupo e à sua afirmação no Brasil. A relação da banda com o estádio remonta ao início dos 90s, período em que davam passos decisivos para se transformarem numa das maiores referências do metal brasileiro e numa força com verdadeiro alcance internacional.
Um dos momentos mais marcantes dessa ligação aconteceu na Praça Charles Miller, mesmo em frente ao estádio, num concerto que se tornou parte da memória colectiva em torno da ascensão dos SEPULTURA no seu país de origem. Numa altura em que a formação liderada por Max e Igor Cavalera começava a conquistar uma dimensão internacional inédita para uma banda brasileira de metal, aquela zona de São Paulo serviu de palco a uma demonstração particularmente forte da popularidade que o grupo já tinha alcançado.
Por isso mesmo, a escolha do antigo Pacaembu para o último concerto não era meramente logística. O recinto carregava uma dimensão simbólica que parecia fechar um círculo iniciado várias décadas antes.
O estádio, entretanto, passou por uma profunda remodelação e reabriu a 25 de Janeiro de 2025, coincidindo com o aniversário de São Paulo. Sob a designação Mercado Livre Arena Pacaembu, o complexo foi modernizado e transformado num espaço bastante mais versátil, com uma capacidade reduzida para cerca de 26 mil pessoas e sem o histórico sector “Tobogã”, entretanto demolido. A intervenção incluiu ainda a integração de um hotel e uma reconfiguração destinada a permitir que o complexo acolhesse não só acontecimentos desportivos, mas também concertos e outros grandes eventos.
É precisamente nesse contexto que os SEPULTURA acabaram por anunciar aquela que seria a sua última passagem pelo palco do Pacaembu. Agora, a transferência para a Suhai Music Hall retira ao concerto parte da escala inicialmente imaginada, mas coloca a despedida num ambiente bastante mais compacto. Apesar da alteração do recinto, a intenção da banda e da organização mantém-se inalteradas: transformar a última noite do grupo na celebração de uma carreira que ultrapassou largamente as fronteiras do Brasil.
O espectáculo foi concebido desde o início como algo mais ambicioso do que simplesmente o último concerto de uma digressão. A ideia passa por reunir diferentes gerações, épocas e músicos que, de uma forma ou de outra, contribuíram para o percurso do grupo de mais de 40 anos. Nesse sentido, a noite pretende funcionar como uma espécie de encontro entre diferentes capítulos da história dos SEPULTURA, recuperando uma série de figuras que fizeram parte da sua evolução e colocando-as lado a lado com músicos que representam algumas das correntes mais importantes do metal contemporâneo.



