ROGER WATERS, antigo baixista e vocalista dos PINK FLOYD, não poupou insultos ao líder dos METALLICA quando questionado sobre as recentes declarações de Hetfield contra a utilização dos concertos como plataformas de intervenção política.
Roger Waters voltou a demonstrar que não tem problemas em expressar aquilo que pensa, desta vez com James Hetfield na mira. Durante uma participação no programa The Katie Halper Show, o músico britânico lançou uma série de ataques pessoais contra o vocalista e guitarrista dos METALLICA, classificando-o como um “ninguém”, questionando a inteligência do músico e criticando mesmo as capacidades musicais da banda norte-americana.
A troca de palavras surgiu durante uma conversa sobre as recentes declarações de Hetfield a propósito da utilização dos concertos para transmitir mensagens políticas. O tema levou a apresentadora Katie Halper a recordar que os próprios METALLICA têm um historial considerável de canções centradas na guerra, no poder e nas injustiças sociais. A discussão passou por temas como «Disposable Heroes», incluído no clássico «Master Of Puppets», de 1986, e «…And Justice For All», a faixa-título do álbum editado em 1988.
Foi nesse contexto que Waters, conhecido pelas suas posições políticas públicas e pela forma frequentemente contundente como as defende, decidiu referir-se directamente ao músico dos METALLICA. “Ele está simplesmente a mostrar-nos que é um completo idiota”, afirmou o antigo membro dos PINK FLOYD. “Tem um QI de cerca de três e nem sequer sei porque estamos a falar dele, porque não é ninguém. Pode ter algumas centenas de milhões de dólares, ou lá o que for, mas é um idiota.”
As críticas não ficaram por aqui. Waters aproveitou a ocasião para atacar também a componente musical dos METALLICA ao revelar que não aprecia as interpretações acústicas do grupo. “Ouvi-os a tocar instrumentos acústicos e foi simplesmente horrível”, declarou. As palavras de Roger Waters representam um ataque particularmente directo a Hetfield, mas surgem na sequência de uma discussão mais abrangente sobre o papel dos músicos enquanto figuras públicas e a presença de mensagens políticas nos seus espectáculos ao vivo.
Durante a conversa no The Katie Halper Show, a jornalista recuperou ainda um excerto de uma entrevista concedida por James Hetfield em 2007, numa altura em que os METALLICA participaram no Live Earth, uma série de concertos organizada para chamar a atenção para as alterações climáticas. Na ocasião, o vocalista afirmou que a política o deixa “louco”, declaração que ajudou a contextualizar a sua posição relativamente à mistura entre música e intervenção política.
Mais recentemente, a questão voltou a ganhar visibilidade durante a residência Life Burns Faster, que os METALLICA estão a realizar na The Sphere, em Las Vegas. A 10 de Outubro, dirigindo-se ao público presente, Hetfield fez questão de esclarecer que não pretende transformar os concertos da banda em espaços destinados a convencer os espectadores a adoptarem determinadas posições.
Hetfield não identificou qualquer artista em particular durante essa intervenção, nem dirigiu críticas explícitas a Roger Waters ou a qualquer outro dos seus pares. Ainda assim, as suas declarações alimentaram o debate sobre os limites entre o entretenimento e a intervenção política, sobretudo numa altura em que vários músicos têm utilizado os palcos para abordar conflitos internacionais e outras questões sociais.
A polémica em torno das palavras de Hetfield surgiu também num contexto de maior discussão sobre a liberdade dos artistas para expressarem as suas posições durante os seus espectáculos. Entre os episódios recentemente associados a esse debate está o caso de Macklemore, rapper que, segundo notícias divulgadas na imprensa, terá sido afastado da digressão de estádios de Ed Sheeran depois de um discurso em que chamou a atenção para a situação dos palestinianos afectados pelo conflito em Gaza.
No caso de Waters, a intervenção está em linha com uma carreira marcada por posições políticas expressas sem grande contenção, tanto através da música como em entrevistas e aparições públicas. O músico tem feito da crítica ao poder e às estruturas políticas um elemento central do seu discurso, uma postura que também tem gerado controvérsia ao longo dos anos. A reacção a Hetfield, porém, afastou-se rapidamente da discussão sobre o conteúdo das declarações do vocalista dos METALLICA.
Em vez de se limitar a contestar a ideia de manter a política fora dos concertos, Roger Waters optou por uma abordagem pessoal, recorrendo a insultos e colocando em causa a própria qualidade musical da banda.





