O duo mexicano RODRIGO Y GABRIELA actua em Lisboa e no Porto, numa data-dupla integrada na digressão mundial de apresentação de «OurHome», o novo álbum gravado na capital japonesa com a participação de Marty Friedman e da pianista Hiromi.
Dez anos. É esse o tempo que separa Portugal do último encontro com Rodrigo Sánchez e Gabriela Quintero. Para um duo que tem percorrido o mundo com a regularidade e a consistência de poucos artistas da sua geração, esta ausência prolongada dos palcos lusos tem o peso de uma dívida por saldar — e é precisamente isso que os concertos de Maio de 2027, no Cineteatro Capitólio, em Lisboa, no dia 11, e na Casa da Música, no Porto, a 12, vêm resolver.
RODRIGO Y GABRIELA chegam ao país com material novo, uma digressão que já percorreu boa parte do globo e a reputação consolidada de dois dos guitarristas acústicos mais singulares do panorama musical internacional. O ponto de partida é «OurHome», o álbum que sucede a «In Between Thoughts… A New World» e que foi integralmente produzido pelo duo em Tóquio — escolha que, longe de ser meramente logística, carrega significado artístico e afetivo.
O Japão tornou-se, ao longo dos anos, uma das geografias mais próximas da sensibilidade de RODRIGO Y GABRIELA, e essa ligação atravessa o novo disco de forma explícita, tanto no som como na temática. «OurHome» é, simultaneamente, uma declaração de afecto ao país que os acolheu durante grande parte do processo criativo e uma meditação sobre o que significa encontrar pertença dentro de nós próprios — sem recorrer a uma única palavra, porque a guitarra faz esse trabalho sozinha.
A história de RODRIGO Y GABRIELA é, em si mesma, improvável. Saíram do México no final dos anos 90 e foram parar às ruas de Dublin, onde desenvolveram e aprofundaram a linguagem musical própria que os tornou conhecidos internacionalmente: a guitarra solo de Rodrigo, rápida e cirúrgica, a contrastar com o ritmo percussivo e denso de Gabriela, capaz de transformar um instrumento acústico numa estrutura que parece conter várias vozes em simultâneo.
Foi essa abordagem que os levou, progressivamente, a palcos como os do Hollywood Bowl, do Red Rocks Amphitheatre, do Royal Albert Hall, do Radio City Music Hall e da Sydney Opera House, para além de uma actuação em Glastonbury que ficou registada como um dos momentos mais inesperados e marcantes da história do festival britânico.
No catálogo do duo, «OurHome» chega depois de «Mettavolution», o álbum que lhes valeu o primeiro Grammy na categoria de Melhor Álbum de Rock Latino ou Alternativo, e reafirma a vocação do projecto para habitar zonas de fronteira: entre o rock e o heavy metal, entre o flamenco e a música clássica, entre a exploração técnica e a meditação espiritual.
O novo disco conta com a participação de dois músicos que alargam consideravelmente esse território. Marty Friedman, guitarrista norte-americano radicado em Tóquio e figura central do heavy metal técnico, é um dos convidados ao lado da pianista e compositora japonesa Hiromi, reconhecida como uma das vozes mais inventivas do jazz contemporâneo, com ambos a ampliarem a paleta harmónica de um grupo que sempre recusou classificações fáceis.
Ao vivo, a proposta de RODRIGO Y GABRIELA assenta tanto no contraste como na continuidade. Os momentos de quietude e os de intensidade máxima coexistem no mesmo espectáculo, e é nessa alternância que reside grande parte da força da sua presença em palco. As duas datas portuguesas — no Cineteatro Capitólio, em Lisboa, a 11 de Maio, e na Casa da Música, no Porto, a 12 de Maio — inserem-se numa digressão global que posiciona «OurHome» como o trabalho mais pessoal e, simultaneamente, mais aberto da carreira do duo.
Os bilhetes para os concertos custam 30 euros e vão ser colocados à venda na próxima sexta-feira, dia 12 de Junho, em primeartists.eu e nos locais habituais.





