Num segundo dia de ROCK IN RIO em que os TARA PERDIDA cantaram «Lisboa» e os SEPULTURA se despediram para sempre de Portugal, os LINKIN PARK fizeram a pergunta mais difícil do rock contemporâneo — e o público respondeu a plenos pulmões.
O passado Domingo, dia 21 de Junho, marcou o regresso de uma das bandas mais aclamadas entre os diferentes géneros da música pesada. Passados uns longos doze anos, os LINKIN PARK regressaram a Portugal para encabeçar o segundo dia de Rock In Rio Lisboa. Os fãs mais fiéis começaram a aglomerar-se junto às portas do recinto ainda durante a madrugada, mesmo sabendo que só abririam pelas 13:00 sob um sol intenso e abrasador.
Aquando da abertura, iniciou-se uma corrida desenfreada com uma meta bem estabelecida — a grade da primeira fila do Palco Mundo — na qual os fãs teriam que aguardar mais umas horas até começarem a ver os primeiros concertos.





E, no que toca a espectáculos, este segundo dia de Rock In Rio Lisboa começou no Palco Superbock, com os TARA PERDIDA a tocarem às 15:00 pela primeira vez nos seus 31 anos de carreira. A banda oriunda de Alvalade abriu o concerto com «O Que É Que Eu Faço Aqui» e demonstrou rapidamente que sabia muito bem o que estava ali a fazer. Num concerto intenso, em comunhão com a legião de fãs, que foi ecoando os vários hinos que o grupo entregou, como «Acreditar», «Sentimento Ingénuo» ou «Realidade».
Houve também espaço para «Lisboa», uma verdadeira ode à capital, cantada, não só, por quem estava em frente ao palco, como também por muitos dos que iam passando nas imediações e se juntavam espontaneamente ao coro. Já «Batata Frita», um dos clássicos incontornáveis da banda, trouxe a habitual explosão de energia, com a plateia a abrir moshpits e a responder à altura de um dos momentos mais intensos da actuação. No final, ficou, uma vez mais claro que, sem necessidade de grandes produções ou efeitos, a força das músicas dos TARA PERDIDA fala por si e deixa sempre a sua marca.





Às 17:00, o norte-americano grandson abriu finalmente o Palco Mundo, com uma actuação carregada de energia, assumindo desde cedo o papel de aquecer um recinto ainda não propriamente cheio. Com uma sonoridade marcada por uma fusão de rock alternativo, ecletrónica, e forte carga de intervenção social, grandson procurou, desde os primeiros temas, como «AUTONOMOUS DELIVERY ROBOT» e «BURY YOU», estabelecer uma ligação com público, que foi aderindo progressivamente, fazendo surgir, também, os primeiros moshpits do dia neste palco.
O concerto terinou ao som da potente «Blood // Water», entre gritos bem viscerais, solos de guitarra e correrias pelo palco, com grandson vestido a rigor, com uma camisola da selecção nacional de futebol.




Seguiram-se os BLASTED MECHANISM, no Palco Superbock, que, abriram o seu concerto com «New Militia», seguida de «Start To Move» e «Generation», definindo desde logo um ritmo intenso e bem acelerado. Destacou-se, além da música, a componente visual muito própria da banda, já bem conhecida de quem acompanha o percurso do grupo iniciado em 1995, com as máscaras e pinturas icónicas, e a encenação performativa que transformou o palco do Rock In Rio Lisboa num ambiente mais teatral do que um simples concerto de festival.




De volta ao Palco Mundo, era vez dos THE PRETTY RECKLESS, liderados pela carismática Taylor Momsen, se estrearem em solo nacional. A banda, que tem vindo apresentar-se em alguns dos mais importantes festivais de Verão na Europa, e que aterrava agora no Rock In Rio Lisboa, abriu o concerto com «Death By Rock And Roll«, dando desde logo uma pequena amostra do que se seguiria ao longo da hora que se seguiu: puro rock’n’ roll acompanhado pela voz potente e distorcida de Momsen.
A vocalista, que vinha a criar uma ligação crescente com o público português desde o início da actuação, acabou mesmo por sair do palco para cantar, junto dos fãs, o final de «When I Wake Up», tema que irá figurar o próximo álbum da banda, intitulado «Dear God», que vai ser lançado no final desta semana. Ouviram-se ainda as incontornáveis «Make Me Wanna Die» e «Heaven Knows», com o concerto a fechar com «Going To Hell».





Quem já conhecia Lisboa, e, em particular, o Rock In Rio Lisboa, embora numa localização distinta, eram os KAISER CHIEFS, que se seguiram no Palco Superbock. Num cenário mais pequeno do que na última passagem pelo festival, a banda liderada por Ricky Wilson não desiludiu, entregando um concerto que convenceu toda a gente que nunca deveriam ter saído do Palco Mundo.
Com clássicos tirados do icónico álbum de 2005 «Employment», tais como «Everyday I Love You Less And Less», «Modern Way» ou «Na Na Na Na Naa», acabou por ser em «I Predict A Riot» que Wilson, não podendo recorrer à descida de slide, optou por subir ao topo da cabine de som, podendo dali avistar o mar de gente que ia cantando com a banda. Demonstrando um grande carinho por Portugal, a banda de Leeds fechou a sua actuação com a poderosa «Oh My God».





Já pelas 22:00, chegava a altura de fechar o Palco Music Valley, com os brasileiros SEPULTURA, que eram, em dúvida, uma das bandas mais aguardadas deste cartaz. Para além de aguardado, principalmente por marcar os 40 anos da banda e o “adeus” aos palcos, este foi também um dos concertos mais intensos e pesados do dia.
De facto, mal começou, com a «Inner Self», o caos já estava instalado na plateia, com os moshpits a surgirem de todos os lados, e a começarem a aparecer também alguns crowdsurfers. Se é que havia alguém que não sabia ao que ia, rapidamente pôde perceber onde se tinha metido.
Já bem longe da formação original, é de notar a fantástica presença e entrosamento da formação actual do grupo, com destaque para Greyson Nekrutman, agora no comando da percussão, que sustentou, em conjunto com Derrick Green, Andreas Kisser e Paulo Jr., uma actuação bastante coesa e poderosa, com uma combinação de técnica, agressividade e emoção. Terminado o tema «Roots Bloody Roots», que fez de ponto final, estava na hora, para a maioria das pessoas que aí se encontravam, de correr para o Palco Mundo.





Após uma contagem decrescente apresentada no ecrã e acompanhada pelas vozes dos fãs, a espera terminou: os LINKIN PARK estavam de volta a Portugal. Por aquela altura já todos sabiam que não iam ver a banda original, e foi isso mesmo que confirmaram desde início, ao abrir o concerto com o single «The Emptiness Machine», do mais recente álbum «From Zero», de 2025), que marcou o início de um novo capítulo na história do grupo.
Ao lado de Mike Shinoda, Emily Armstrong demonstrou que foi uma aposta certeira, com uma voz muito característica, que combina potência e agressividade, como se ouvir em «Heavy Is The Crown» (durante a qual Emily desceu para junto dos fãs), com uma suavidade melódica, como se verificou em «Where’d You Go».











Naturalmente, ninguém esqueceu Chester Bennington, que foi sendo celebrado pelas cerca de 100 mil pessoas que marcaram presença no Parque Tejo, cantando a plenos pulmões os vários temas icónicos da banda, como «Crawling», «Burn It Down», «Numb», «One Step Closer» ou «Breaking The Habit», com a nova vocalista a mostrar-se visivelmente emocionada enquanto cantava «Waiting For The End».
Com um riff de guitarra inconfundível, o público rapidamente começou a acompanhar a introdução do tema com palmas ao ritmo — era «Bleed It Out», que anunciava a chegada, a passos largos, do fim do concerto. De seguida, a banda saiu do palco por breves instantes, mas o público não aceitava que fosse o fim, chamando a banda de volta para um encore cantado praticamente em uníssono, com «Papercut», «In The End» e «Faint», o trio de temas que fechou uma noite emotiva e intensa, que juntou o passado ao presente no Rock In Rio Lisboa, e deixou muita esperança para o futuro da música pesada.
Texto e fotos: João Luís [@the.goldenrush]




