O lendário baterista PETE SANDOVAL diz adeus ao projecto dedicado aos clássicos dos MORBID ANGEL e revela que os TERRORIZER vão continuar, mas com “algumas mudanças” — que incluem a saída de DAVID VINCENT.
Pete Sandoval decidiu fechar um capítulo da sua carreira que se prolongava há vários anos. O lendário baterista anunciou a saída dos I AM MORBID, grupo que formou com David Vincent para revisitar ao vivo o repertório clássico dos MORBID ANGEL, e confirmou também que a sua relação profissional com o baixista/vocalista chegou ao fim. A revelação foi feita pelo próprio músico através das suas redes sociais, numa série de três comunicados publicados nos últimos dias.
Embora Sandoval tenha começado por esclarecer apenas que não participará na próxima tour dos I AM MORBID, rapidamente ficou claro que a decisão vai bastante além de uma simples ausência dos concertos. “Não farei parte da próxima digressão e já não faço parte dos I Am Morbid”, começa por explicar o baterista. Segundo ele, a última tour da banda foi particularmente complicada a nível físico, sendo que o músico adoeceu gravemente com gripe e admite não ter estado nas melhores condições para tocar, mas faz também questão de sublinhar que esse problema de saúde não esteve na origem da sua decisão.
O verdadeiro motivo, revela agora Pete Sandoval, prende-se com a sensação de que a ligação ao repertório interpretado pelos I AM MORBID deixou de ser a mesma. Ao longo dos últimos anos, o grupo concentrou-se sobretudo nos álbuns que Sandoval gravou com os MORBID ANGEL entre «Altars Of Madness» e «Domination» (leia-se: alguns dos discos mais influentes da história do death metal e aqueles que ajudaram a definir a identidade do baterista). No entanto, a sua passagem pela banda não terminou aí e o baterista considera que existe uma parte significativa do seu legado musical que permanece por explorar.
“Tenho muito orgulho nesses discos e em tudo aquilo que criei e para o qual contribuí durante esses anos, mas a minha história com os Morbid Angel continuou muito para além do «Domination»”, escreveu Sandoval. Essa frase ajuda a explicar a vontade do músico de procurar outros caminhos. Depois de anos a regressar repetidamente ao mesmo período da sua carreira, Pete Sandoval entende que chegou o momento de avançar e representar outras fases da sua trajectória artística. “Dei aos fãs tudo o que podia dar através dos I Am Morbid ao longo destes últimos anos. Agora preciso de fazer uma pausa neste capítulo e seguir em frente”, diz ele.
Portanto, esta decisão não significa que Sandoval tenha abandonado definitivamente os palcos; pelo contrário. O músico explicou que, antes da sua última digressão com os I AM MORBID, já tinha comunicado a intenção de que aquela fosse a sua despedida do projecto. Depois de regressar a casa, concentrou-se na recuperação e inicialmente não estava a considerar voltar tão cedo, mas as reacções dos fãs acabaram por fazê-lo reconsiderar. Perante as inúmeras mensagens de pessoas que esperavam vê-lo novamente na Europa, Pete Sandoval começou então a ponderar a possibilidade de regressar para a próxima série de concertos.
O plano, segundo explica, passava por voltar a ensaiar, perceber como se sentia nos meses seguintes e, caso recuperasse condições para actuar ao nível exigido, contactar os restantes elementos dos I AM MORBID.No entanto, essa oportunidade nunca chegou a acontecer. “Antes de ter oportunidade de fazê-lo, fui informado de que já tinha sido contratado outro baterista para a digressão”, revelou.
É, no entanto, a terceira declaração de Sandoval que lança maiores dúvidas sobre o futuro de uma das suas ligações mais antigas. O músico decidiu abordar directamente a situação dos TERRORIZER, banda na qual voltou a trabalhar com David Vincent, e . confirmou que o grupo vai continuar, mas avisou que estão previstas alterações e que ainda não está preparado para revelar todos os detalhes. O que já decidiu tornar público é que, profissionalmente, não pretende continuar a trabalhar com Vincent. “Cheguei a um ponto em que não sinto que eu e David Vincent possamos continuar a trabalhar juntos”, escreveu Sandoval.
Verdade seja dita, a explicação não aponta para uma ruptura motivada por animosidade pessoal, mas mais para incompatibilidades acumuladas na forma de trabalhar. Segundo o baterista, ambos têm personalidades e métodos profissionais diferentes, sendo que as diferenças acabaram por provocar demasiados conflitos. “Não se trata de ódio ou de guardar rancor”, esclareceu o baterista. “Por vezes, duas pessoas simplesmente chegam a um ponto em que percebem que trabalhar juntas já não é bom para nenhuma delas.”
A escolha das palavras é especialmente relevante tendo em conta a história partilhada pelos dois músicos. Pete Sandoval e David Vincent gravaram o incontornável «World Downfall», fizeram parte da formação clássica dos MORBID ANGEL e voltaram a cruzar-se nos I AM MORBID, enquanto nos TERRORIZER a dupla recuperou uma colaboração associada a uma das formações mais importantes do grindcore norte-americano. Agora, essa parceria profissional parece ter chegado ao fim.
Sandoval não entrou em quaisuqer detalhes sobre os episódios que tenham conduzido à decisão e recusou transformar o anúncio num ajuste de contas público. Pelo contrário, fez questão de manifestar respeito pelo trabalho ao lado de Vincent e desejou-lhe o melhor para o futuro. “Respeito tudo o que fizemos juntos e desejo sinceramente o melhor ao David”, escreveu. “Sem ódio, sem ressentimentos. Simplesmente acredito que é melhor continuarmos por caminhos profissionais separados.”
Quanto aos Terrorizer, o baterista garante que a história ainda não acabou. A banda “vai continuar”, segundo Sandoval, embora com mudanças que ainda serão reveladas. O músico não adiantou quem poderá ocupar o lugar de Vincent, nem especificou se a reformulação envolverá outros elementos ou alterações no calendário de actividade do grupo. Por enquanto, deixa só a promessa de que falará mais sobre o assunto “quando chegar o momento certo”.





