PANTERA

AQUELA VERSÃO: Os PANTERA a braços com as voltas e reviravoltas do seu fundo de catálogo

Muitas são, de facto, as “malhas” dos PANTERA. Abordá-las todas, e às suas versões, num só artigo, seria exaustivo, mas que elas existem, existem.

Tarefa impossível esta, pois primeiro seria necessário encontrar os melhores temas dos PANTERA. A realidade é que os texanos estão longe de ser uma one hit band. É fácil fazer um Top 10 dos melhores temas, e quase tão difícil fazer a escolha como imaginar um Phil Anselmo, com problemas de coluna, com mais de meio século de vida extrema no corpo, a tentar ser o furacão de palco que se viu em Moscovo, corria o ano de 1991. É só picar, por exemplo, o «Cowboys From Hell».

Este foi o tema-título da fase Terry Date, o produtor, verdadeiro quinto elemento do grupo. Antes, ficaram quatro álbuns renegados. O último deles, já com Anselmo na voz. Supostamente, o poder de Jerry Abbott, pai de Dimebag Darrel e Vinnie Paul, sobre os PANTERA, levou a que ficasse com os direitos desses discos para ele. No entanto, com o «Cowboys From Hell» veio, finalmente, um bom plano de marketing e, no espaço de apenas um ano, os ilustres desconhecidos chegaram a promessa maior no metal.

Feitas as contas, não é preciso pensar muito para perceber que o quarteto mudou o metal – tal como era conhecido até então, pelo menos. O riff o tema-título é monstruoso e, mesmo nesta interpretação por um quarteto de cordas, sente-se o seu poder. Mais que a voz de Phil, a bateria de Vinnie, ou o baixo de Rex Brown, foram a guitarra de Dimebag e a sua abordagem ao instrumento que criaram o som dos PANTERA.

Verdade seja dita, este primeiro disco de uma nova fase está recheado de clássicos. Aliás, só tem de lutar para ficar num Top 10 dos melhores discos da década porque a primeira metade dos anos 90 foi completamente louca, e há muitos outros títulos também dos PANTERA. Neste álbum de 1990 é incontornável não referir a massiva «Primal Concrete Sledge» ou a demolidora «Domination».

Quantos temas não providenciaram a bandas portuguesas ou estrangeiras só estas duas malhas? O seu poder é tal que facilmente um grupo sobe ao palco, executa variantes e já se acha imparável. Quem nunca? Afinal, o muito nacional “’bora lá caralho metal” sempre se alimentou de canções como estas.

Porém, a influência dos PANTERA é universal, como provam os texanos PISSING RAZORS, uma das muitas cópias da banda dos irmãos Abbott. Mais poderosa ainda, é esta versão dos ANGELUS APATRIDA, capaz até de fazer sombra ao original. Adocicada, mesmo assim viciante, é esta interpretação dos BULLET FOR MY VALENTINE.

Claro que «Cemetery Gates» precisa também do seu próprio espaço. Uma power ballad incontornável, e um dos temas mais fortes e pesados deste clássico. Sem a estrutura deste tema, dificilmente Zakk Wylde escreveria «In This River»e, sem o drama da morte de Dimebag, também não encontraria a inspiração.

Resumidamente, é um daqueles temas incontornáveis, que foi reconhecido e interpretado por muitos nomes e de vários estilos, como são os casos dos BETWEEN THE BURIED AND ME ou dos DREAM THEATER. Talvez menos conseguido pelos olhos dos EVILE ou TÝR, mas popular em programas como The Voice ou alvo de versões alternativas como a de STEVE ‘N’ SEAGULLS, o tema resulta sempre bem. Certamente, é uma das vinte melhores baladas de sempre no metal.

No entanto, foi com os clássicos «Vulgar Display Of Power» e «Far Beyond Driven», de 1992 e 1994, respectivamente, que os PANTERA consolidaram a legião de fãs e se estabelece como um dos maiores nomes da década. Sem eles, o groove metal dificilmente existiria. Como ignorar o riff massivo de uma «Walk», por exemplo? Nem Zakk Wylde consegue fugir ao shredding do solo. Ou passar ao lado da remistura que Justin Broadrick fez para a «Fucking Hostile»? Ou, ainda, num momento em que Wylde ocupa o lugar de Dimebag, ignorar a sua subida ao palco para executar a «Primal Concrete Sledge» com o quarteto?

Quem diria como aquele momento, aos três minutos do tema, em que o falecido Dimebag coloca a sua guitarra nos ombros de Zakk, não tem, em Fevereiro de 2024, todo um outro significado? Muitas são, de facto, as malhas dos PANTERA. Abordá-las todas, e as suas versões, num só artigo, seria exaustivo, mas que elas existem, existem.