NIRVANA

NIRVANA ultrapassam os AC/DC e colocam o «Nevermind» entre os seis álbuns mais vendidos de sempre

Editado em 1991, o clássico dos NIRVANA ultrapassou o «Back In Black» na classificação global da Chartmasters, que combina vendas físicas e digitais com dados de streaming. A diferença é de apenas quatro mil unidades, num duelo entre dois dos discos mais marcantes da história do rock.

Já mais de três décadas depois de ter ajudado a mudar o rumo da música pesada e a colocar o grunge no centro das atenções, o «Nevermind», dos NIRVANA, alcançou mais um marco verdadeiramente impressionante: segundo os dados publicados pela Chartmasters, o segundo álbum de estúdio da banda de Seattle ultrapassou «Back In Black», dos AC/DC, na classificação dos discos mais vendidos de todos os tempos, ocupando agora o sexto lugar da tabela.

De acordo com os números divulgados pelo portal, o «Nevermind» acumula agora 66.838.000 unidades equivalentes de álbum, contra 66.834.000 atribuídas ao histórico registo dos AC/DC, editado em 1980. A diferença é de apenas quatro mil unidades, um valor praticamente residual quando comparado com a dimensão global dos dois fenómenos comerciais.

Importa, no entanto, perceber o que estes números representam. A classificação da Chartmasters não se limita às cópias físicas vendidas nas lojas: agrega também as vendas digitais e o consumo através de plataformas de streaming, convertendo diferentes formas de audição e aquisição numa métrica comum, designada como Equivalent Album Sales (EAS). Trata-se, portanto, de uma estimativa do desempenho comercial acumulado segundo uma metodologia própria, que não pode (nem deve) ser confundida com uma contagem directa de discos vendidos.

Lançado a 24 de Setembro de 1991, o «Nevermind» foi o álbum que transformou os NIRVANA, até então uma banda com raízes na cena alternativa de Seattle, num fenómeno de dimensão mundial. Produzido por Butch Vig e gravado com Kurt Cobain, Krist Novoselic e Dave Grohl, o disco ajudou a levar o grunge para fora do circuito alternativo e a alterar profundamente a paisagem da música no início da década de 90

O impacto foi imediato, mas a influência do disco não se esgotou naquele momento. O single «Smells Like Teen Spirit» tornou-se o grande catalisador do sucesso do álbum, abrindo caminho a temas como «Come As You Are», «Lithium» e «In Bloom». A combinação de guitarras distorcidas, melodias memoráveis e uma intensidade emocional pouco polida ofereceu uma alternativa ao rock dominante no final dos anos 80 e ajudou a colocar uma nova geração de bandas sob os holofotes.

O sucesso comercial acompanhou a repercussão cultural. O «Nevermind» chegou ao primeiro lugar da tabela Billboard 200 em Janeiro de 1992, onde permaneceu durante 253 semanas. Em 2005, o LP foi também incluído no National Recording Registry da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que preserva gravações consideradas importantes do ponto de vista cultural, histórico ou estético.

Agora, a longevidade do álbum ajuda a explicar o resultado atribuído pela Chartmasters. Mesmo com a morte de Kurt Cobain, em 1994, e o fim dos NIRVANA, a música do grupo continuou a chegar a novas gerações, primeiro através das edições físicas e das sucessivas reedições, e mais tarde através das plataformas digitais. Nos anos seguintes, o advento do streaming acrescentou uma nova dimensão a esse percurso, permitindo que um disco lançado há 35 anos continue a acumular consumo em larga escala.

Estes números merecem, ainda assim, uma leitura mais cuidadosa. Apesar de «Nevermind» ocupar agora a sexta posição na tabela da Chartmasters, o «Back In Black» mantém uma vantagem considerável quando a comparação se restringe às vendas de álbuns físicos. Os dados compilados pelo portal apontam para cerca de 37,5 milhões de unidades neste formato para os AC/DC, contra aproximadamente 30,3 milhões para os NIRVANA.

A diferença surge só quando entram em jogo os restantes indicadores considerados nesta classificação, incluindo o desempenho de singles, os downloads digitais e o streaming. A metodologia da Chartmasters contempla ainda a circulação de temas dos álbuns em compilações e colectâneas, pelo que o total procura reflectir um percurso comercial mais abrangente que a simples venda de cópias do disco original.

Ainda assim, o álbum dos NIRVANA surge atrás de apenas cinco outros títulos na classificação da Chartmasters: o «Thriller», de Michael Jackson, que lidera destacadíssimo; o «Hotel California», dos Eagles; a banda-sonora original de Saturday Night Fever; «Rumours», dos Fleetwood Mac; e «Bad», também de Michael Jackson. O dado mais interessante não é, por isso, só a troca de posições entre duas instituições do rock. É a forma como um álbum associado a uma ruptura estética no início dos 90s continua a competir comercialmente com os maiores sucessos da história da música.