Mustaine lança a ideia de uma digressão conjunta que pode bem reescrever a história do thrash — e, acima de tudo o resto, sarar feridas antigas.
Às portas do lançamento do seu álbum final e com uma longa digressão de despedida prestes a arrancar, os MEGADETH voltam a colocar no centro do debate uma das relações mais marcantes — e turbulentas, na verdade — da história do thrash. Em entrevista recente à Revolver, Dave Mustaine deixou claro que vê numa digressão conjunta com METALLICA uma forma de fechar definitivamente o ciclo iniciado no início da década de 80.
O vocalista e guitarrista, que integrou a formação inicial dos METALLICA até à sua controversa saída em 1983, explicou o contexto que levou à inclusão de uma nova versão de «Ride the Lightning» no álbum homónimo que marcará o adeus discográfico dos MEGADETH. “Não estava a tentar fazer nada de desrespeitoso, isso posso garantir”, afirmou Mustaine, sublinhando o respeito que mantém pelo legado da banda que ajudou a fundar.
“Respeito muito a forma como o James toca guitarra. E acho que o Lars é um compositor tremendo. Gostei mesmo muito do tempo que passei com eles. Foi por isso que me custou tanto quando acabou. Isto sou eu a fechar o círculo, a mostrar o meu respeito”, acrescentou. Questionado sobre se esta revisitação da «Ride The Lightning» funcionaria como uma espécie de despedida simbólica dos METALLICA, Dave Mustaine rejeitou quaisquer leituras estratégicas.
“Não pensei nisso dessa forma. Adorei aquele período. Foi muito divertido. Éramos perigosos”, recordou o líder dos MEGADETH, antes de acrescentar que não existe qualquer agenda oculta por trás da decisão. “Isto é sobre mostrar respeito, só isso. Eu gostava do James e do Lars. Se a nossa amizade fosse retomada, não me incomodaria nada. Aceitaria, e acho que seria bonito revisitar alguns desses momentos.”
Ainda assim, o músico reconhece que o peso do passado continua a ser um obstáculo. “Houve muita dor e muitos mal-entendidos naquele período, e seria difícil não voltar sempre a isso”, explicou Mustaine. Pois bem, é neste contexto que surge a ideia de uma digressão conjunta entre os MEGADETH e METALLICA, apresentada por Mustaine de forma directa e sem rodeios.
“Acho que o que tem de acontecer é isto: tem de haver uma digressão conjunta com os Megadeth e os Metallica. Ponto final. Isso, tenho a certeza, resolveria tudo”, afirmou. Para o músico, a convivência em estrada poderia ajudar a sarar feridas antigas. “Podíamos conviver, passar tempo juntos. No entanto, sei bem que eles não fazem digressões como nós. Quando saímos em tour, tocamos muitos, mesmo muitos concertos.”
Enquanto essa possibilidade permanece em aberto, os MEGADETH avançam com os planos já definidos para o seu adeus aos palcos. A digressão de despedida arranca em Fevereiro com uma série de concertos como cabeças de cartaz no Canadá, seguindo-se, mais tarde no ano, a participação como banda de apoio na digressão norte-americana dos IRON MAIDEN durante o Verão. Para já, o futuro até pode não trazer a aguardada reconciliação em palco com os METALLICA, mas as palavras de Dave Mustaine deixam claro que, pelo menos da sua parte, a porta permanece entreaberta.
















