Em Junho de 2013, sem qualquer aviso prévio, os METALLICA decidiram comemorar o 30.º aniversário do «Kill ‘Em All» tocando-o na íntegra no seu Orion Fest.
A Megaforce Records lançou o disco de estreia dos METALLICA, «Kill ‘Em All», a 25 de Julho de 1983 e, para celebrar a ocasião, recordamos o momento muito especial em que, sem qualquer aviso prévio, a banda formada por James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo decidiu interpretar o álbum na íntegra para surpresa dos fãs presentes na última edição do Orion Fest, que aconteceu em Junho de 2013.
O slot das 4:30 no palco Vans Damage Inc. estava, supostamente, destinado a uma banda desconhecida chamada DEHAAN. No entanto, o facto do logótipo da banda ter sido coberto e substituído pela mensagem ‘Metal Up Your Ass‘ deve ter dado a alguns fãs uma pista em relação à surpresa que estava para acontecer. Enquanto Hetfield apresentava os DEHAAN, a verdadeira natureza do espectáculo foi finalmente revelada quando o músico pegou numa guitarra para, logo de seguida, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo se juntarem a ele no palco e se lançarem em «Hit the Lights», o tema de abertura da obra-prima do thrash.
«Kill ‘Em All» é o álbum de estreia dos METALLICA e foi lançado a 25 de Julho de 1983 pela Megaforce Records nos Estados Unidos e pela Music For Nations na Europa. O título original do álbum era «Metal Up Your Ass», mas a editora achou-o demasiado ofensivo e os músicos concordam mudá-lo para «Kill ‘Em All». O disco já vendeu mais de três milhões de cópias só nos Estados Unidos e, em 2017, foi eleito o melhor álbum de metal de todos os tempos pela revista Rolling Stone.
Como expectável, as histórias que rodeiam o disco tornaram-se lendas do underground. Para começar, os METALLICA despediram o guitarrista Dave Mustaine (devido ao seu consumo de álcool) mesmo antes da gravação do disco e substituíram-no por Kirk Hammett, dos EXODUS. O músico, destroçado, foi enfiado num autocarro de regresso a Los Angeles e, durante a viagem, criou os seus MEGADETH, dando início a quase meio século de drama, rumores e inquietação.
Naquela altura, os recursos financeiros para apostar numa banda como os METALLICA eram limitados e o «Kill ‘Em All» foi prensado inicialmente em lotes de 500 unidades… No final de 1983, já tinha vendido 17.000 cópias. Desde então, vendeu cerca de nove milhões — não tantas como «Metallica», mas muito mais do que a maioria das discografias. Resultado: foi uma aposta inteligente tanto para Jon Zazula, ex-proprietário de uma loja de discos em Nova Iorque que “cheirou” o talento do quarteto, quanto para os METALLICA.
Certo, o «Reign In Blood», dos SLAYER, é um marco do thrash. No entanto, o «Kill ‘Em All» foi o tiro de partida — um disco deve ser visto para além das histórias de fundo. Para uma geração que já alcançou a meia-idade, faz parte do seu crescimento e é um dos discos formativos que alimentou o seu amor pelo metal. É todo feito de angústia, propulsão e impulso para a frente.
Apesar de ser a faixa de abertura, «Hit the Lights» não é, de maneira nenhuma, a canção mais poderosa. Essa honra pertence a «Whiplash» — uma obra-prima do thrash que, em apenas quatro minutos, acaba por encapsular todos os condimentos que definiram o estilo. Verdade seja dita, o álbum está repleto de riffs inesquecíveis e refrões cativantes: «Seek And Destroy», «The Four Horsemen» e «No Remorse» vão estar para todo o sempre entre as melhores canções do metal alguma vez escritas e gravadas.
O «Kill ‘Em All» é um registo feroz, mas também acessível, dominado por um ritmo galopanto, em que o baixista Cliff Burton mostra os seus talentos de forma omnipresente, seja naquele lendário solo de baixo de «(Anesthesia) Pulling Teeth» ou na melodia que suporta a «Jump In The Fire». Há uns tempos, James Hetfield explicou que Burton tinha um sentido extraordinário de harmonia e melodia, que tinha um dom inato para transformar um bom tema numa canção exemplar. Pois bem, fica nitidamente a ideia que foi o baixista que conseguiu elevar os METALLICA de uma boa banda thrash a uma potência capaz de sucesso mundial, que mostrou capacidade de alcançar um vasto público logo desde o início.
Convenhamos, LPs como o «Kill ‘Em All» — escritos por miúdos para miúdos — nunca envelhecem. São poderosos porque foram feitos com energia ilimitada e apetite pela vida e, mesmo que sejam apreciados por ouvidos mais velhos e sábios, continuam a captar de forma plena uma parte da experiência humana. Embora não possamos voltar a ser jovens, podemos continuar apreciar toda a determinação, imprudência e ambição que acompanham a juventude. Caso restem quaisquer dúvidas, não será descabido considerar que praticamente todas as 17.000 pessoas que compraram o «Kill ‘Em All» em 1983 acabaram por criar as suas próprias bandas, tornaram-se fãs de metal, ou ambas.



