Os PERIPHERY e VILDHJARTA juntam-se aos MESHUGGAH num cartaz que celebra quatro décadas de enorme influência na música extrema e progressiva.
Quatro décadas depois de terem começado a desafiar as convenções da música pesada, os MESHUGGAH preparam-se para assinalar os 40 anos de carreira com uma digressão europeia que vai passar também por Portugal. A 22 de Outubro de 2027, o quinteto sueco sobe ao palco do SAGRES Campo Pequeno, em Lisboa, para aquele que será o único concerto em território nacional integrado na The Forty-Year Anomaly EU & UK Tour. E a escolha das bandas convidadas ajuda a perceber a dimensão da celebração: os norte-americanos PERIPHERY e os compatriotas VILDHJARTA asseguram a primeira parte de uma noite que reúne três gerações de música pesada profundamente ligadas entre si.
Com vinte concertos agendados entre a Europa e o Reino Unido, esta digressão comemorativa coloca os MESHUGGAH perante um marco particularmente significativo. Formados em 1987, na cidade de Umeå, no norte da Suécia, construíram ao longo destas quatro décadas uma discografia que não só redefiniu os limites do metal extremo, como acabou por influenciar algumas das transformações mais importantes ocorridas no género desde os anos 90. O seu percurso nunca foi propriamente linear, nem tão-pouco orientado para fórmulas fáceis de reproduzir. Pelo contrário, a banda fez carreira a partir da desconstrução de estruturas convencionais, da exploração de ritmos aparentemente impossíveis e de uma abordagem à guitarra que continua a servir de referência a músicos de diferentes gerações.
Quando Jens Kidman e Fredrik Thordendal começaram a dar forma ao projecto, dificilmente poderiam antecipar o estatuto que os MESHUGGAH viriam a conquistar. O álbum de estreia, «Contradictions Collapse», editado em 1991, ainda apresentava uma ligação evidente ao thrash metal, mas já deixava perceber uma vontade de fugir aos padrões habituais. As mudanças de andamento, os riffs angulares e uma certa obsessão pela complexidade rítmica apontavam para uma identidade que se tornaria muito mais evidente poucos anos depois.
Foi precisamente com «Destroy Erase Improve», de 1995, que essa linguagem ganhou contornos definitivos. Considerado um dos trabalhos fundamentais da história do metal progressivo e extremo, o álbum apresentou uma combinação invulgar de guitarras de afinação baixa, estruturas rítmicas desalinhadas e uma secção instrumental de precisão quase cirúrgica. Temas como «Future Breed Machine» tornaram-se referências incontornáveis e ajudaram a estabelecer as bases de uma sonoridade que, entretanto, seria explorada por centenas de bandas.
A partir daí, os suecos nunca tiveram grande interesse em repetir a fórmula. «Chaosphere», de 1998, levou a experimentação rítmica para territórios ainda mais caóticos, enquanto «Nothing», de 2002, apostou num som mais grave, pesado e hipnótico, com «Rational Gaze» a transformar-se numa das composições mais reconhecíveis do seu catálogo. Apenas dois anos depois, «Catch Thirtythree» voltou a surpreender, desta vez através de uma estrutura conceptual contínua, pensada como uma única composição dividida em diferentes movimentos.
Em 2008, «obZen» trouxe uma abordagem relativamente mais directa, sem abdicar da complexidade que sempre distinguiu o grupo. Foi nesse disco que surgiu «Bleed», provavelmente um dos temas mais emblemáticos da carreira dos MESHUGGAH e uma demonstração particularmente impressionante da capacidade técnica de Tomas Haake. A bateria do músico, construída em torno de padrões extremamente exigentes e de uma resistência física pouco habitual, tornou-se uma das imagens de marca da banda e ajudou a alimentar inúmeras discussões entre músicos e fãs.
Os anos seguintes trouxeram «Koloss» e «The Violent Sleep of Reason», dois LPs que demonstraram como o grupo continuava a encontrar novas formas de trabalhar a sua própria linguagem. Deste último saiu «Clockworks», que valeu aos MESHUGGAH uma nomeação para um Grammy, em 2018, na categoria de Melhor Interpretação de Metal. Um reconhecimento pouco habitual para uma banda cuja música nunca procurou facilitar a vida a quem a escuta.
Mais recentemente, «Immutable», editado em 2022, voltou a confirmar a relevância do quinteto no panorama internacional. O álbum alcançou o primeiro lugar da tabela britânica de vendas de rock e metal e da tabela de hard rock da Billboard, demonstrando que a influência dos suecos continua a ter expressão comercial, mesmo num universo musical exigente e longe dos circuitos mais populares. Em 2027, a banda chegará aos 40 anos com a formação constituída por Jens Kidman na voz, Fredrik Thordendal e Mårten Hagström nas guitarras, Dick Lövgren no baixo e Tomas Haake na bateria.
Mas a importância dos MESHUGGAH não se mede apenas através dos discos editados ou dos reconhecimentos conquistados. A sua verdadeira dimensão percebe-se sobretudo na quantidade de músicos e bandas que, ao longo dos anos, partiram das suas experiências para desenvolver caminhos próprios. A utilização de guitarras de sete e oito cordas, os riffs sincopados, a repetição de padrões rítmicos complexos e a forma como a guitarra e a bateria parecem frequentemente seguir caminhos diferentes tornaram-se elementos centrais de uma linguagem que ultrapassou largamente as fronteiras do metal extremo.
É também por isso que a escolha dos PERIPHERY e dos VILDHJARTA para acompanhar esta digressão faz particular sentido. Mais do que duas bandas convidadas para completar um cartaz, representam duas ramificações distintas de uma árvore genealógica musical que tem nos MESHUGGAH uma das suas principais raízes.
Formados em 2005, no estado norte-americano de Maryland, os PERIPHERY assumiram um papel determinante na expansão do chamado djent, uma designação que começou por ser utilizada para descrever a sonoridade percussiva e abafada das guitarras popularizada pelos suecos, acabando por identificar uma tendência própria dentro do metal moderno. Liderados pelo guitarrista Misha Mansoor, os norte-americanos desenvolveram uma abordagem que combina a precisão rítmica herdada dos MESHUGGAH com estruturas progressivas, melodias elaboradas e uma componente vocal bastante mais diversificada. Ao longo de vários álbuns, conquistaram uma posição de destaque no metal contemporâneo, tornando-se uma das bandas mais influentes da sua geração.
Já os também suecos VILDHJARTA representam uma abordagem consideravelmente mais obscura e dissonante dessa mesma herança. Associados ao desenvolvimento do thall, uma vertente que leva a complexidade rítmica e as afinações graves para territórios ainda mais densos, construíram uma identidade muito própria através de ambientes claustrofóbicos, guitarras profundamente distorcidas e composições que desafiam frequentemente as expectativas do ouvinte. «Måsstaden», de 2011, e «Måsstaden Under Vatten», editado em 2021, são dois trabalhos fundamentais para compreender a evolução desta linguagem e o lugar que os VILDHJARTA ocupam no metal moderno.
A reunião destas três bandas no mesmo palco acaba, assim, por transformar a passagem da The Forty-Year Anomaly EU & UK Tour por Lisboa numa oportunidade particularmente interessante para perceber a evolução de uma determinada corrente musical. Dos pioneiros que ajudaram a estabelecer as suas regras aos grupos que as expandiram e desconstruíram, o cartaz reúne diferentes interpretações de uma mesma herança, mantendo os MESHUGGAH no centro de tudo.
O concerto realiza-se a 22 de Outubro de 2027, no SAGRES Campo Pequeno, em Lisboa, e será a única oportunidade para ver os MESHUGGAH em Portugal no âmbito desta digressão de aniversário. Os bilhetes ficam disponíveis a partir de 6 de Novembro de 2026, às 11:00, em primeartists.eu e nos locais habituais, com preços entre 45 e 50 euros.






