MEGADETH

MEGADETH: «Symphony Of Destruction» @ Bangin’ With MTV, EUA, 1992 [vídeo]

No 34.º aniversário do «Countdown To Extinction», recordamos os MEGADETH no seu auge.

Há histórias que a indústria musical adora contar e recontar até à exaustão, mas poucas têm o peso simbólico da expulsão de Dave Mustaine dos METALLICA em Abril de 1983. O guitarrista, alegadamente dispnesado por comportamentos erráticos e abuso de álcool numa altura em que a banda se preparava para gravar o seu álbum de estreia, jurou vingança. Essa vingança teria um nome: MEGADETH. Ao lado do baixista David Ellefson, Mustaine construiu, quase de imediato, uma identidade musical assente na velocidade, na complexidade técnica e numa raiva palpável.

Se os METALLICA rumavam a uma sonoridade cada vez mais estruturada, os MEGADETH apostariam num thrash ainda mais cru, dissonante e imprevisível, reflectindo o temperamento do próprio Mustaine. Talvez por isso, a instabilidade tornou-se, desde cedo, marca de água da banda. Guitarristas e bateristas sucediam-se a um ritmo vertiginoso, numa espécie de porta giratória que se tornaria lendária ao longo dos anos.

Em 1985, os MEGADETH lançaram o álbum de estreia, «Killing Is My Business… And Business Is Good!», com Chris Poland na guitarra e Gar Samuelson na bateria. O disco, gravado com meios limitados, expunha um thrash agressivo e caótico, ainda por polir, mas já reconhecível pela ambição técnica que se tornaria assinatura da banda. Faixas como «Mechanix» — que foi posteriormente reformulada pelos METALLICA sob o título «The Four Horsemen» — expuseram publicamente a rivalidade entre as duas bandas, alimentando ainda mais a narrativa de conflito pessoal que perseguiria Mustaine durante décadas.

Foi, no entanto, em 1986, com «Peace Sells… But Who’s Buying?», que os MEGADETH se afirmaram definitivamente como uma força incontornável do thrash. A capa, com a mascote Vic Rattlehead sentada junto à sede da ONU, resumia visualmente o tom do disco: cínico, politizado, contestatário. A faixa-título tornar-se-ia um hino da cena, com a sua linha de baixo icónica — irónica e simbolicamente reforçada por um episódio de estúdio em que o som do instrumento foi isolado por acidente durante a mistura. O disco consolidou o songwriting afiado de Mustaine, capaz de aliar velocidade técnica a letras de crítica social mordaz.

Em 1988, «So Far, So Good… So What!» trouxe aos MEGADETH o maior sucesso comercial até então, incluindo uma versão de «Anarchy In The UK», dos SEX PISTOLS. Contudo, por trás do êxito comercial escondia-se um quotidiano de excessos: o consumo de heroína por parte de Mustaine agravava-se, e a formação instável da banda voltaria a desmoronar-se pouco depois do lançamento. A viragem decisiva chegaria em 1990. Com uma nova formação — Marty Friedman na guitarra e Nick Menza na bateria, ao lado de Ellefson e Mustaine — os MEGADETH editaram «Rust In Peace», o seu magnum opus. Faixas como «Holy Wars… The Punishment Due» e «Hangar 18» exibiam uma precisão instrumental raramente vista no género, equilibrando complexidade técnica e imediatismo melódico.

Consolidada a formação mais estável da sua história, e com a credibilidade artística de «Rust In Peace» reconhecida pela crítica e pelos pares, os MEGADETH entrariam novamente no estúdio em 1992 determinados a alargar ainda mais o seu alcance, mas sem abdicarem da identidade que os tinha definido. O resultado seria «Countdown To Extinction», o disco que traria à banda o maior êxito comercial da carreira, com faixas como «Symphony Of Destruction» e «Sweating Bullets» a conquistarem alta rotação nas rádios e na MTV, algo impensável para uma banda de thrash apenas alguns anos antes.

O percurso dos MEGADETH até 1992 é, acima de tudo, a história de uma raiva transformada em disciplina criativa. Nascida do ressentimento, a banda norte-americana soube como canalizar a instabilidade pessoal do Sr. Mustaine numa das discografias mais consistentes do género, culminando num disco que provaria ser possível conquistar as tabelas comerciais sem trair a essência do thrash metal.

Editado originalmente no dia 14 de Julho de 1992, o «Countdown To Extinction», dos MEGADETH, celebra hoje o seu 34.º aniversário. Para assinalar a ocasião, e para celebrar um dos discos de peso mais emblemáticos da primeira metade dos anos 90, viajamos até uma emissão do Hangin’ with MTV, referimos pela enésima vez como os tempos eram tão diferentes nos canais de televisão e trazemos de volta os MEGADETH, no seu auge.

A promover um dos melhores discos da sua carreira, o quarteto apresenta-se a disparar com os os cilindros e com aquela que é considerada a sua formação ideal: Dave MustaineMarty FriedmanDavid Ellefson e Nick Menza. Mais acessível e redondo que qualquer um dos álbum que tivessem gravado até então, o «Countdown To Extinction» transformou-se rapidamente num enorme sucesso comercial, muito à custa do riff principal e das melodias orelhudas do single «Symphony Of Destruction», que ficaram para sempre cravadas na memória colectiva de toda uma geração de headbangers.