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MEGADETH: Dave Mustaine fecha a porta a reuniões em palco na digressão de despedida

“Não quero transformar os MEGADETH num espectáculo de fantoches”, dispara DAVE MUSTAINE.

A anunciada despedida dos MEGADETH continua a ganhar contornos cada vez mais claros — e, para alguns fãs, mais definitivos. Em entrevista recente à Guitar World, Dave Mustaine foi confrontado com uma questão recorrente sempre que uma banda histórica anuncia o fim: a possibilidade de convidar antigos membros para subirem ao palco durante a derradeira rota. A resposta do vocalista e guitarrista foi directa e sem margem para ambiguidades, afastando qualquer cenário de “reunião alargada” na fase final da carreira do grupo.

“Já fizemos isso com o Marty (Friedman). Se forem ver as outras pessoas com quem já tocámos… são muitas. (risos) Seria uma empreitada enorme. Acho que não quero fazer isso. Prefiro continuar com o que estamos a fazer, deixar os fãs vivenciarem a música e ficarem felizes com isso. Não quero transformar os MEGADETH num espectáculo de fantoches”, disparou o músico.

A declaração, clara no tom e na intenção, sublinha a visão de Mustaine para o encerramento do percurso dos MEGADETH: foco absoluto na música e na formação actual, sem desvios simbólicos ou exercícios de nostalgia que, no seu entender, poderiam desvirtuar a experiência.

A relação dos MEGADETH com o seu próprio passado é, como se sabe, complexa. Ao longo de mais de quatro décadas, a banda conheceu inúmeras mudanças de formação, algumas delas marcadas por uma série de conflitos públicos, reconciliações parciais e açguns silêncios prolongados. A participação pontual de Marty Friedman em concertos recentes demonstrou que Dave Mustaine não fecha totalmente a porta a excepções, mas também deixou claro que esses momentos pertencem a um contexto específico e não a um modelo a repetir numa digressão inteira.

Esta não é, aliás, a primeira vez que o líder dos MEGADETH se mostra reticente quanto a uma celebração colectiva do passado. Em declarações anteriores sobre o mesmo tema, Mustaine chegou a afirmar que o comportamento de um antigo membro inviabilizava qualquer iniciativa desse género. Embora não tenha mencionado nomes, a leitura generalizada aponta para o baixista David Ellefson, afastado da banda em 2021 na sequência de uma polémica amplamente divulgada.

O silêncio em torno do nome do músico não impede, no entanto, que a situação continue a lançar uma sombra sobre a ideia de uma despedida “em família”, como já tantas vezes aconteceu noutras bandas de peso histórico semelhante.

Acima de tudo, ao afastar a hipótese de regressos simbólicos, Dave Mustaine parece querer proteger não apenas a estabilidade interna da banda, mas também a coerência artística do momento. Para o músico, a digressão de despedida deve ser uma celebração do repertório e da identidade musical dos MEGADETH, tal como existem hoje, e não um desfile de fantasmas do passado. A recusa do que descreve como um “espectáculo de fantoches” revela uma preocupação em evitar que o espectáculo se transforme numa sucessão de momentos pensados mais para o impacto mediático do que para a música em si.

Este posicionamento surge numa fase particularmente simbólica da história da banda. O último álbum de estúdio dos MEGADETH, homónimo, tem lançamento marcado para 23 de Janeiro e é apresentado como o capítulo final de uma discografia que ajudou a definir o thrash desde os anos 80. Logo após a edição do disco, a banda dará início à sua digressão de despedida, que promete revisitar várias fases da carreira, mas sempre sob a lente da formação actual e da visão criativa de Mustaine.

Para os fãs, a mensagem é clara: não haverá surpresas no formato de participações especiais de antigos membros, mas haverá um compromisso assumido com a música que construiu o nome dos MEGADETH. Num género frequentemente acusado de viver excessivamente do passado, a opção de Mustaine pode ser lida como uma tentativa de encerrar a história do grupo com dignidade, controlo e fidelidade a uma identidade artística que sempre foi, acima de tudo, sua.