CAVALERA

MAX CAVALERA: “Não há realmente uma razão para voltar aos SEPULTURA.”

Numa nova entrevista, o CAVALERA mais velho acaba de colocar o proverbial travão no hipotético regresso aos SEPULTURA.

Nos últimos meses tem havido muita conversa sobre os SEPULTURA e o seu planeado ocaso, enquanto a banda brasileira continua a sua digressão mundial de despedida. Percebe-se porquê, é o fim de uma era e os fãs questionam-se se alguma vez haverá um momento em que os irmãos MAX e IGOR CAVALERA se vão reunir de novo em palco com a banda que ajudaram a criar há quatro décadas.

Normalmente, esta conversa nem sequer existiria, uma vez que a separação foi firmemente estabelecida ao longo dos anos, mas, durante uma entrevista recente, o guitarrista Andreas Kisser lançou a ideia para o ar, dizendo que “seria óptimo” tocar com os CAVALERA novamente. E assim, as massas começaram a lançar a questão de novo… Será que a hipótese de assistirmos a uma verdadeira reunião dos SEPULTURA é mesmo válida?

Segundo uma entrevista publicada hoje, quarta-feira, 3 de Julho, pela Metal Injection, a resposta de MAX CAVALERA é um firme “não”. Embora a conversa tenha sido ampla, o músico brasileiro acabou por falar sobre o fim dos SEPULTURA, que considera surpreendente. “A minha perspectiva sobre tudo isso é que fiquei surpreendido“, começou por dizer ele. “E, no que toca a uma possível reunião, eu queria reunir-me realmente com o meu irmão e foi isso que ele disse também quando nos juntámos pela primeira vez há uns anos. Portanto, para mim, essa foi a verdadeira reunião, minha com ele, e isso abriu portas para todas as reinterpretações e concertos, para estes discos e tudo o mais.

Nestes últimos meses, os irmãos CAVALERA lançaram versões regravadas dos primeiros três discos dos SEPULTURA, «Bestial Devastation», «Morbid Visions» e «Schizophrenia», com a dupla a explicar que o projecto tinha sido posto em marcha para que esse material soasse mais em sintonia com o que tinham imaginado na época em que foram originalmente gravados. Agora, com o anúncio da digressão final da banda que criaram, Max diz que sente que pode focar-se a 100% no que ele e o irmão querem fazer.

No entanto, juntar-se aos SEPULTURA nos seus momentos finais não está nos seus planos, acima de tudo porque o guitarrista e vocalista considera que essa manobra traria de volta a mesma negatividade que o afastou do grupo em 1996. “Para mim, não há realmente uma razão para voltar aos Sepultura. Já sei que seria voltar a mais stress e a outras coisas de que não preciso mesmo na minha vida”, disse ele sem papas na língua.

Mais que nunca, e especialmente agora que eles vão desaparecer, não consigo ver qualquer necessidade de fazermos uma reunião“, reiterou ainda MAX CAVALERA. “A banda acabou, e eu e o Igor vamos continuar a fazer o que queremos com os Cavalera Conspiracy, que, na essência, são os Sepultura... Nesse sentido, não faz qualquer sentido pensar sequer nisso, está fora de questão. Podes fazer a mesma pergunta ao Igor; eu sei que ele também não quer fazê-lo. Portanto, acho que as pessoas podem desistir. Não vai acontecer.” Podes ler esta entrevista completa com no site da Metal Injection.

Recorde-se que, há menos de um mês, o CAVALERA mais velho, timoneiro dos SOULFLYCAVALERA CONSPIRACYGO AHEAD AND DIE e KILLER BE KILLED, foi entrevistado por Sakis Fragos, o editor-chefe da Rock Hard Greece. Durante a conversa, que podes ver a íntegra aqui, o músico foi questionado sobre a hipótese de ter sido abordado por alguém da equipa dos SEPULTURA para participar num dos concertos da tour de despedida do grupo que fundou nos anos 80. A resposta foi negativa, mas contém um daqueles twists capazes de deixar muitos fãs da banda ansiosos em relação ao que possa acontecer.

Não [ui abordado“, disse Cavalera. “Na verdade, acho que vi uma coisa que o Andreas [Kisser, guitarrista do Sepultura] disse, algo do tipo: ‘Por que devemos convidá-los? Eles vão estragar a festa’, o que é muito típico do Andreas. [risos] Não sei. Acho que vou deixar as coisas acontecerem da forma que acontecerem. Não vou forçar nada e, se houver um momento em que acharmos que devemos reunir-nos, tudo bem, desde que o façamos isso da maneira certa.

“Teria de ser algo como estas regravações que fiz com o Igor [dos primeiros álbuns do Sepultura]… Acho que as fizemos da maneira certa – honesta, adequada, com o coração. Portanto, de momento, não estou a pensar nisso“, acrescentou Max, que disse ainda não ter entendido a decisão tomada por Andreas Kisser de colocar um ponto final na carreira dos SEPULTURA.

Sei que eles anunciaram o fim da banda e não entendo essa ideia“, afirmou Max Cavalera. “Não sei se eles foram forçados a fazer isso, ou se é uma decisão mútua de simplesmente parar de tocar porque não já não querem fazer isso. Não sei. A única coisa que sei é que, pessoalmente, não consigo viver sem música. Preciso de tocar ao vivo. É como o ar que respiro”.