MASTODON

MASTODON: «The Making Of Crack The Skye» [documentário]

Uma viagem ao interior de «Crack The Skye», o álbum que mudou o rumo criativo dos MASTODON e se afirmou como um dos capítulos mais decisivos da carreira do quarteto de Atlanta.

Corria o ano de 2019, quando os norte-americanos MASTODON decidiram assinalar de forma especial o décimo aniversário de um dos discos mais marcantes da sua discografia. O quarto álbum de estúdio da banda, «Crack The Skye», lançado originalmente a 24 de Março de 2009, foi alvo de um documentário que revisita todo o processo de criação do disco. A peça, que pode ser vista em baixo, leva os fãs numa viagem aos bastidores das gravações e oferece um olhar aprofundado sobre um período particularmente fértil e transformador da carreira do quarteto.

Lançado originalmente em 2009, o «Crack The Skye» representou um importante ponto de viragem para os MASTODON. Depois de três álbuns que os afirmaram como uma das forças mais criativas do metal moderno, o grupo deu um passo decisivo rumo a territórios mais progressivos e ambiciosos, expandindo a sua sonoridade e arriscando em estruturas ainda mais elaboradas. A colaboração com Brendan O’Brien como produtor revelou-se fundamental para essa evolução, como recordou Troy Sanders em entrevista à LOUD!.

“Foi uma honra termos tido oportunidade de trabalhar com um produtor tão lendário como o Brendan, que já fez discos com o Bruce Springsteen, Pearl Jam, Korn, Rage Against The Machine, Black Crowes”, afirmou o baixista e vocalista dos MASTODON, sublinhando o peso histórico do nome envolvido neste projecto. “E foi só nesse álbum que percebemos o que era trabalhar com um produtor a sério.”

Segundo Sanders, a experiência em estúdio superou todas as expectativas que a banda tinha à partida. “Fomos para o estúdio e ele estava cheio de ideias fantásticas; é um músico óptimo e tem uma colecção fantástica de material, guitarras, pedais, amps, tudo vintage, que tivemos oportunidade de usar. Depois, o Brendan tocou piano e mellotron em alguns temas, e incentivou-nos a experimentar, a ir mais além.” Essa liberdade criativa e o ambiente de trabalho acabariam por moldar profundamente o resultado final.

Para lá do aspecto musical, «Crack The Skye» destacou-se também pelo seu conteúdo emocional e conceptual. Brann Dailor, o baterista e vocalista dos MASTODON, assumiu um papel central na vertente lírica, abordando temas profundamente pessoais e dolorosos. “Em termos líricos, é um álbum intenso, porque o Brann decidiu escrever sobre o suicídio da irmã… Expusemos-nos como nunca tínhamos feito antes, mas criámos uma história fantástica, com o seu quê de bizarro, que foi influenciada pelos nomes maiores do rock progressivo.”

Essa combinação de vulnerabilidade pessoal com ambição artística ajudou a transformar o disco num dos momentos mais aclamados do percurso dos MASTODON, escancarando as portas para uma nova fase do seu percurso brilhante e consolidando a banda junto de um público mais vasto. Olhando para trás, Troy Sanders não tem dúvidas quanto à importância histórica deste registo. “Em retrospectiva, acho que foi o álbum mais importante da nossa carreira.”

Este documentário funciona, por isso, como celebração e ao mesmo tempo como um bom testemunho do impacto duradouro do «Crack The Skye». Hoje, tantos anos depois, o disco continua a ser visto como uma obra-chave do metal contemporâneo, e um exemplo claro da capacidade dos MASTODON para reinventar a sua linguagem sem perderem identidade. Para os fãs, esta é a oportunidade de revisitarem um capítulo essencial da história recente da banda e compreenderem melhor a génese de um disco que permanece central no seu legado.