KING DIAMOND

KING DIAMOND fala pela primeira vez sobre a saída de ANDY LA ROCQUE: “Já estava para acontecer há algum tempo”

Depois de quase 40 anos ao lado de ANDY LA ROCQUE, KING DIAMOND explica as razões que levaram à saída do guitarrista.

A saída de Andy La Rocque da banda KING DIAMOND surpreendeu os fãs que, ao longo de quase quatro décadas, tiveram no guitarrista uma das suas figuras mais constantes. No entanto, para King Diamond, a decisão não surgiu de forma inesperada. Em entrevista à Metal Injection, o vocalista explicou que a separação vinha a desenhar-se há algum tempo e que não existiu qualquer episódio específico que tenha provocado a saída de La Rocque.

Continuamos amigos. E isso nunca vai mudar“, garantiu King. “Penso que foi algo gradual, fomos seguindo direcções diferentes durante algum tempo e, eventualmente, chegámos a um ponto em que percebemos que algo tinha de mudar porque havia algo que não estava a funcionar bem“. De seguida, o cantor fez questão de afastar também qualquer ligação entre a saída de La Rocque e a actividade do guitarrista nos LEX LEGION, projecto paralelo em que está actualmente envolvido. “Desejo-lhe, a ele e à mulher, tudo de melhor possível. A questão da outra banda em que toca agora, os LEX LEGION, ou dos projetos paralelos, nunca esteve na origem de nada disto“, explicou.

Segundo King, a decisão formal foi tomada em apenas dois dias, mas resultou de um processo que já se vinha a desenhar há muito tempo. “A decisão foi tomada ao longo de dois dias, mas a situação já se vinha a arrastar há muito tempo. Não foi algo do género ‘disseste isto’ ou ‘fizeste aquilo’. Não foi assim. Fomo-nos simplesmente afastando aos poucos.” Um dos factores que terá pesado na decisão está relacionado com a forma como o grupo encara actualmente a atividade ao vivo. A banda pretende continuar a fazer digressões extensas e King admite que esse ritmo poderá já não ser compatível com as prioridades de La Rocque.

Para King Diamond, a situação não é particularmente surpreendente. Ao longo dos anos, outros músicos que passaram pela banda e pelos MERCYFUL FATE acabaram por abandonar precisamente devido às dificuldades de conciliar as tours com as suas vidas familiares. Neste contexto, o cantor recordou o caso de Michael Denner, ex-guitarrista dos autores de «Don’t Break The Oath». “Já vi isto acontecer muitas vezes. O Michael Denner deixou de tocar connosco porque não conseguia lidar com as digressões… Havia demasiada tensão em casa sempre que estava na estrada.

Agora, com a saída de La Rocque, surgiu naturalmente a necessidade de encontrar um novo guitarrista. O escolhido acabou por ser Gus G., mas King Diamond admite que, inicialmente, nem sequer conhecia muito bem o músico grego — a recomendação partiu de Hank Shermann, guitarrista dos MERCYFUL FATE. “Falei com o Hank e disse-lhe que estava à procura de um guitarrista para substituir o Andy. Ele disse-me que devia ouvir o Gus G… E eu não sabia quem era o Gus G.” Pouco depois, Brian Slagel, o fundador e CEO da Metal Blade Records, também lhe falou do guitarrista. A partir daí, King começou a ouvir o trabalho de Gus e ficou impressionado com as suas capacidades.

Quando começámos a falar mais sobre o assunto, comecei a ouvi-lo e a interessar-me bastante“, recorda. A escolha acabou por ser relativamente simples. Gus G. foi o primeiro nome discutido para ocupar o lugar e, segundo King, nunca chegou sequer a ser necessário organizar audições. “Foi a primeira pessoa de quem falámos. Nunca considerámos sequer em fazer audições ou algo do género. Pedi ao Brian Slagel para nos pôr em contacto e as coisas começaram a rolar“.

A chegada de Gus G. não significa que King Diamond pretenda simplesmente encontrar alguém capaz de reproduzir as partes de La Rocque. Para os temas clássicos, King quer que o novo guitarrista respeite o trabalho do seu antecessor, mas a intenção é que Gus tenha também espaço para desenvolver a sua própria identidade. “Primeiro que tudo, ele vai tocar as partes do Andy o mais fielmente possível nas canções clássicas e honrá-las completamente. É isso que as pessoas querem ouvir e ver. No entanto, ele não é um músico contratado. Está na banda, a 100%. Vai tocar, gravar e fazer digressões connosco enquanto isso funcionar — espero que até ao dia em que deixemos de tocar. É isso que desejo.

Ainda assim, e como já vem sendo habitual em casos como este, a saída de Andy La Rocque levantou de imediato questões sobre o futuro musical da banda de King Diamond. O guitarrista participou na composição de muitos dos temas icónicos do grupo e os fãs questionaram-se sobre o impacto da sua ausência nos próximos discos. King garante que não existe motivo para preocupação. “Percebo que algumas pessoas possam pensar isso, mas estão a esquecer-se de uma coisa: eu escrevi a maior parte da música. Em média, cerca de 70% dos álbuns que fizemos juntos. E escrevi todas as letras.

Essa realidade, sublinha, faz com que a saída de La Rocque não altere a sua visão para o futuro da banda. “É natural pensar que o guitarrista ou o teclista escrevem a música, mas connosco nunca foi assim.” King está, aliás, bastante avançado no trabalho para o seu próximo disco em nome próprio. O músico afirma ter material suficiente para cerca de álbum e meio, integrando uma história que será desenvolvida ao longo de três discos.

É tudo material meu e está pronto para ser gravado”, revelou.”Também já tenho as letras todas escritas. Tenho a história completa dos três álbuns... E, na minha cabeça, também já sei como vai ser apresentado em palco. Quando tocarmos a última nota do terceiro álbum ao vivo, já sei como será o espectáculo nesse momento.

Apesar de King Diamond continuar a assumir a maior parte da composição, o novo guitarrista terá liberdade para apresentar as suas próprias ideias. O vocalista revelou que já ouviu a discografia dos FIREWIND e conhece as capacidades de composição de Gus. “Já lhe disse que quero que ele escreva algumas coisas e o Gus mostrou-se disponível para isso, mas quer que eu lhe conte a história completa primeiro, para entrar no ambiente e perceber o que tipo vai acontecer. Depois quer enviar-me algumas ideia, o que é perfeito. Posso ouvir, escolher aquilo que me parecer interessante e depois seguimos a partir daí.

Questionado sobre a sensação de ver terminar uma parceria com quatro décadas, King reconhece a dimensão do percurso, mas não perde muito tempo a olhar para trás: “Tocámos juntos durante 40 anos. Pensem nisso… É uma loucura pensar que nos mantivemos juntos durante tanto tempo.” Agora, King Diamond avança com Gus G. e uma quantidade considerável de material já preparado.

O novo guitarrista terá a responsabilidade de respeitar um legado construído ao longo de décadas, mas também a oportunidade de contribuir para uma fase que, pelo que King revelou, já está cuidadosamente planeada. E, apesar da saída de uma das figuras mais importantes da história da banda, uma coisa parece não ter mudado: a visão de King continua tão ambiciosa como sempre.