Uma noite construída em crescendo, com os ATTICK DEMONS e os TAILGUNNER a prepararem o impacto final dos lendários HAMMERFALL.
Com já mais de trinta anos de carreira, os HAMMERFALL têm sido uma das propostas mais consistentes da cena musical pesada contemporâbea. Apesar de, em início da carreira, estarem bastante mais ligados ao movimento power metal, a verdade é que o som dos suecos sempre foi mais heavy metal tradicional que outra coisa qualquer — sobretudo se comparados a uns HELLOWEEN ou STRATOVARIUS, para citar dois dos exemplos mais óbvios.
Pois bem, numa noite que prometia uma valente tempestade lá fora, a verdadeira tempestade (sonora, neste caso) viveu-se dentro da República da Música, em Lisboa, com os HAMMERFALL acompanhados por duas bandas de excelência.
Os ATTICK DEMONS dispensam apresentações para os fãs nacionais. São uma das melhores bandas do género em Portugal, e o vocalista Artur Almeida brilha como ninguém. À porta, alguém brincava ao dizer: “O Artur soa como o Bruce Dickinson ou é o Bruce Dickinson que usa como o Artur?”. A questão foi, como é sempre, recebida com sorrisos, mas em palco desvanecem-se quaisquer dúvidas.
A banda deu início à sua actuação com «Contract», do álbum «Daytime Stories… Nightmare Tales», de 2020. Seguiu-se a «City Of Golden Gates», do disco de estreia «Atlantis», e depois ouviu-se «Let’s Raise Hell», que suscitou uma excelente reacção por parte do público presente. «O Condestável» e «Atlantis» fecharam a apresentação dos ATTICK DEMONS, que se apresentaram a um grande nível.






Já os britânicos TAILGUNNER quem ainda não conhecia o seu trabalho. São uma banda muito recente, com o seu segundo álbum, «Midnight Blitz», a ser editado no próximo dia 6 de Fevereiro. Mesmo assim, logo ao início dos primeiros acordes do tema-título percebemos rapidamente que íamos assistir a uma actuação especial. Durante os 40 minutos que estiveram em palco, a intesidade dos músicos foi mesmo inesgotável, com o baixista Thomas Hewson e o guitarrista Zach Salvini a correrem sempre de um lado para outro do palco e em headbanging constante.
Note-se que, nesta primeira fase da digressão, a guitarrista Rhea Thompson não pôde acompanhar a banda, sendo muito bem substituída por Jara Solís, dos Hunger. Já o vocalista Craig Cairns parece ter alguma dificuldade em acompanhar dos seus companheiros ao vivo, mas longe de comprometer. Para além de «Midnight Blitz», os britânicos ainda tocaram «Tears In Rain» e «Eulogy», os outros dois singles do novo disco.
O restante do alinhamento foi composto por temas do álbum «Guns For Hire», incluíndo o tema-título a terminar e também «Shadows Of War» e «White Death». No final, os TAILGUNNER acabaram por deixar uma óptima impressão nos presentes e, certamente, terão um futuro profícuo à sua frente.














No entanto, os presentes que encheram a sala lisboeta estavam lá para ver os HAMMERFALL e isso ficou bem claro logo a partir do momento em que se ouviram os primeiros acordes de «Avenge The Fallen», com o público a mostrar que sabia as letras de cor. A partir deste momento, aquilo a que assistimos foi um desfilar de hinos, uns atrás dos outros.
«Heeding The Call» marcou a primeira viagem ao clássico «Legacy Of Kings», seguiu-se «Any Means Necessary» e, claro, como é obrigatório que os alinhamentos dos HAMMERFALL tenham algumas das canções que começam com a palavra ‘hammer’, ouviu-se «Hammer Of Dawn» e, mais à frente, «Hammer High» — com o público a erguer o braço de punho fechado como estivesse a segurar num martelo — e ainda «Let The Hammer Fall». Algures pelo meio ainda houve tempo para a excelente «Renegade» e a «Last Man Standing».
Com os suecos HAMMERFALL em palco, aquilo que se espera é profissionalismo e é exactamente o que entregam, com os músicos a interagirem bastante uns com os outros, mostrando união e divertimento a rodos. Joacin Cans descansou um pouco durante o medley instrumental de «Chapter V» e já o público e parte da banda descansaram um pouco durante a épica «Glory To The Brave». Antes do encore fomos ainda brindados com «The End Justifies» e «(We Make) Sweden Rock».
Como seria de esperar, o público queria mais e os HAMMERFALL regressam para tocar a «Hail To The King» e a «Hearts On Fire», que encerraram o seu muito esperado regresso a Portugal em muitos anos de uma forma absolutamente triunfal. A única nota negativa seria para o jogo de luzes que, na República da Música, até costuma ser bom, mas por alguma razão, desta vez deixou um pouco a desejar.


























