Após meses de silêncio e mudanças profundas na sua formação, os londrinos HAKEN acabam de anunciar uma digressão europeia para o Outono e apresentam «Bleeding Sky», o segundo single de um ciclo que promete ser dos mais intensos da sua carreira.
Os HAKEN estão de volta — e chegam transformados. A banda britânica de metal progressivo lançou um novo inédito, intitulado «Bleeding Sky», o segundo avanço de novo material após «In A Fever Dream», o single editado em Maio que encerrou três anos de silêncio discográfico. O tema foi novamente produzido e misturado por George Lever — nome conhecido pelas colaborações com os LOATHE e SLEEP TOKEN —, e conta com uma presença de peso: Adam “Nolly” Getgood, ex-baixista dos PERIPHERY, que assina as linhas de baixo numa colaboração que não passa despercebida.
Que este seja um momento de transição para os britânicos HAKEN não é segredo para ninguém que os acompanhe. Em Janeiro deste ano, o projecto anunciou a saída de dois dos seus membros históricos: o guitarrista Charlie Griffiths e o baixista Conner Green. O comunicado partilhado nas redes sociais foi de tom solene: “É com o coração pesado que anunciamos a saída do Charlie Griffiths e do Conner Green dos HAKEN. Somos imensamente gratos pelo tempo que passámos juntos, a criar música e a percorrer o mundo, alcançando coisas que pensávamos impossíveis.”
A despedida foi sentida por muitos como o fim de uma era. Griffiths era membro fundador do grupo e participou em toda a discografia da banda, tendo ainda lançado em 2022 o álbum a solo «Tiktaalika». Green, por sua vez, integrara os HAKEN em 2014 em substituição do baixista original Thomas MacLean, contribuindo de forma decisiva para a sonoridade do grupo ao longo de mais de uma década.
Com a formação actual reduzida a quatro elementos — o vocalista Ross Jennings, o guitarrista e teclista Richard Henshall, o teclista Pete Jones e o baterista Ray Hearne —, os HAKEN optaram por não anunciar substituições permanentes, avançando antes com o apoio pontual de músicos convidados. A escolha de “Nolly” para «Bleeding Sky» é, nesse sentido, um sinal claro de intenções: a banda não pretende fechar portas, mas abrir novas.
A combinação entre «In A Fever Dream» e «Bleeding Sky» começa a desenhar um retrato coerente do que poderá ser o próximo registo dos HAKEN. A produção de George Lever imprime uma textura densa mas transparente aos temas, onde o peso do metal alternativo convive com uma emotividade bem mais directa do que em registos anteriores. Aliás, não será exagero dizer que estes são alguns dos temas mais imediatos e emocionalmente carregados que a banda alguma vez partilhou.
Em paralelo com os novos temas, os HAKEN anunciaram uma extensa digressão europeia a realizar entre Setembro e Outubro de 2026. No total, são dezassete datas distribuídas por doze países, com passagem por Barcelona, Paris, Colónia, Milão, Roma, Berlim, Varsóvia, Oslo, Copenhaga e três cidades finlandesas — Tampere, Turku e Helsínquia. O regresso ao Euroblast Festival, em Colónia, marcada a 27 de Setembro, representa também um reencontro com uma das audiências mais fiéis ao metal progressivo na Europa.
Portugal não figura por enquanto entre as paragens já confirmadas, mas a proximidade geográfica de um concerto em Barcelona — primeira data da digressão, a 23 de Setembro — deixa margem para esperança entre os fãs portugueses. “Estamos muito entusiasmados por levar estas canções para o palco. Temos vindo a preparar um espectáculo completamente novo e mal podemos esperar para regressar à Europa”, declaram os HAKEN num breve comunicado.
Este novo ciclo arranca sobre uma base sólida. Em 2024, os HAKEN percorreram o mundo no formato An Evening With, dedicado na íntegra ao aclamado «Fauna», tocando-o por completo antes de regressarem ao palco com uma selecção da sua discografia. O ponto alto dessa rota foi o espectáculo no O2 Forum de Londres, a 21 de Setembro de 2024, documentado em «Liveforms: An Evening With Haken», misturado pelo sueco Jens Bogren — responsável por discos com BETWEEN THE BURIED AND ME e Ihsahn, entre muitos outros.





