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GODFLESH: JUSTIN K. BROADRICK anuncia fim das digressões para a lendária banda britânica

Boas e más notícias. O talentoso JKB anunciou que os GODFLESH vão deixar de tocar ao vivo, mas garante que o percurso criativo da banda continuará com novos lançamentos já em preparação.

Justin K. Broadrick, vocalista e guitarrista dos GODFLESH, anunciou que deixará de actuar ao vivo com a influente banda britânica, na sequência de complicações de saúde relacionadas com uma recente cirurgia abdominal. A decisão foi tornada pública através de uma longa mensagem partilhada nas redes sociais na passada quarta-feira, dia 4 de Fevereiro, na qual explica que a condição do seu abdómen e o processo de recuperação tornam inviável continuar a enfrentar as exigências físicas dos concertos da dupla.

Na publicação, que pode ser vista na íntegra em baixo, o mentor e timoneiro dos GODFLESH revela ter sido submetido a uma cirurgia abdominal aberta para tratar uma hérnia inguinal de grandes dimensões, uma intervenção que descreve como particularmente exigente do ponto de vista físico e emocional.

“Tenho receado partilhar esta notícia, em parte pela possibilidade de comentários insensíveis ou negativos, mas também pela ansiedade que tudo isto me provoca”, escreveu Justin. “Há três semanas fui submetido a uma cirurgia abdominal significativa para remover uma hérnia inguinal que estava perto de se tornar uma emergência. Ainda estou em choque com todo o processo.”

O líder dos GODFLESH, que tem diagnóstico de autismo e C-PTSD, explicou que a intervenção implicou uma incisão de cerca de quinze centímetros na zona da virilha, uma vez que não foi possível recorrer a cirurgia laparoscópica. “Tenho uma parede abdominal muito fraca e, aos 57 anos — que faço este ano — isso não vai melhorar. Se continuar a tocar ao vivo e a gritar como faço com os GODFLESH, corro um risco elevado de desenvolver novas hérnias ou até de romper totalmente a parede abdominal.”

A decisão foi, alegadamente, tomada após uma indicação médica directa: “Os concertos dos GODFLESH terminaram no dia da cirurgia, quando o cirurgião fez essa afirmação.” Apesar do período de recuperação ainda estar em curso — Broadrick refere que consegue agora caminhar com relativa liberdade, mas com cautela e a um ritmo reduzido — o músico sublinha ainda que o processo completo de cicatrização deve prolongar-se por cerca de seis meses.

Note-se que este anúncio marca o fim das actuações ao vivo dos GODFLESH, um projecto que Justin K. Broadrick fundou em Birmingham no final da década de 1980 com G. C. Green. Ao longo de mais de três décadas, a banda tornou-se uma referência incontornável na intersecção entre metal extremo, industrial e música experimental, com álbuns como «Streetcleaner» e «Pure» a moldarem toda uma estética pesada e mecanizada que influenciaria gerações de artistas.

Ainda assim, o músico faz questão de garantir que a actividade criativa do duo continuará durante algum tempo. Segundo explicou, o novo álbum dos GODFLESH, intitulado «Decay», encontra-se praticamente já concluído e deverá ser editado pela Relapse Records durante o Verão. “Tenho estado a misturar o que será o penúltimo álbum dos GODFLESH — «Decay» — para lançamento pelaa Relapse, espero que em Julho ou Agosto. As misturas estão quase finalizadas. O álbum está essencialmente pronto.”

Para além desse registo, Broadrick confirmou que já tem escrito o que será o derradeiro disco de estúdio da banda, cuja gravação está prevista para o final deste ano. “Tenho o último álbum dos GODFLESH escrito há quase um ano e meio. Será gravado e finalizado no final deste ano.” Após esse lançamento, a actividade do grupo deverá continuar, mas só através de projectos relacionados com o seu arquivo e o seu legado. “Depois disso vamos lançar álbuns dub, discos ao vivo e outras edições, mas não haverá novos álbuns de estúdio nem concertos.”

Enquanto encerra o capítulo das digressões com os GODFLESH, Justin K. Broadrick pretende manter-se activo noutras frentes criativas. O músico confirmou que continuará a apresentar-se ao vivo com os seus projectos JESU e JK FLESH, uma vez que ambos não exigem o mesmo tipo de esforço vocal ou físico que está associado às performances dos GODFLESH.

Paralelamente, o músico revelou ainda estar a preparar um novo projecto a solo dedicado à exploração de sonoridades pesadas e experimentais, ainda que com uma abordagem vocal distinta. “Num futuro próximo surgirá um novo projecto a solo, explorando ainda mais os limites da música pesada e feia, com guitarras, electrónica e voz — mas sem linhas vocais gritadas”, afiança ele.