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GHOST: «Infestissumam», ou o caminho para a vitória

Lançado no dia 10 de Abril de 2013, o segundo LP dos GHOST aperfeiçoou a fórmula apocalíptica e aventureira do seu antecessor em dez temas aprovados por Belzebu que residem entre Linköping e a Broadway.

Apresentados ao mundo como “um ministério de adoração ao Diabo, que – de forma a difundir o seu evangelho profano – decidiu usar o rock como veículo para atingir os seus objetivos”, os suecos GHOST são, sem dúvida, uma das bandas mais entusiasmantes da música moderna. Um projecto, inicialmente anónimo, a mover-se sorrateiramente numa sociedade obcecada pelas celebridades e cega pelas redes sociais, no espaço de apenas cinco anos o sexteto oriundo de Linköping conseguiu atingir níveis de um sucesso mainstream com que a grande maioria dos grupos de metal só pode sonhar e, pelo caminho, cultivou uma excelsa personalidade de subversão e simbolismo que os destacou de toda a competição.

Ao contrário do que muita gente parece pensar, o sucesso dos GHOST não se deve apenas à promoção estratégica e muitíssimo inteligente do fascínio pela intriga e pela curiosidade que os músicos cultivam – e, surpreendentemente, conseguiram manter durante algum tempo – desde que, há quase quinze anos, emergiram como uma mancha negra das profundezas. A primeira aparição pública da banda digna de registo aconteceu em 2010, quando o lendário Fenriz, dos Darkthrone, os mencionou de forma elogiosa na sua influente coluna Band Of The Week.

Convenhamos, sempre foi muito difícil não torcer por uma banda como os GHOST. Tudo bem, é verdade que, se estivéssemos a falar de futebol ou de corridas de cavalos, seria provavelmente a saída mais fácil; é lógico apostar naqueles que, à partida, têm mais hipóteses de vencer. No entanto, o simples facto de já sabermos que estamos a apoiar um possível triunfo também tem o seu charme inegável e, no caso dos seis suecos mascarados, foi exactamente esse o caso.

Desde que surgiram em cena com o single «Elizabeth», no início do Verão de 2010, percebeu-se logo que estávamos perante um daqueles raros, muito raros, casos de um projecto destinado a vingar junto da imprensa e, consequentemente, do público. Não era muito difícil chegar lá, de resto. A partir daquele momento mágico em que se mostrou ao mundo – e, neste contexto em particular, o que não se mostrou acabou por ser ainda mais importante –, o grupo de Linköping cultivou uma esterlina personalidade de subversão e simbolismo.

Envolto em mistérios e suposições, «Opus Eponymous» gerou enorme burburinho e óptimas críticas, sendo nomeado para um Grammy sueco, na categoria “melhor álbum de hard rock”, no ano seguinte. Em Abril, o grupo partiu em digressão com os Paradise Lost – actuando como “suporte” às lendas britânicas durante a Draconian Times MMXI Tour –, estreou-se nos Estados Unidos com um concerto no reputado Maryland Deathfest e integrou o cartaz do Download Festival, no Reino Unido, a 11 de Junho.

O Sr. Phil Anselmo, que actuou no mesmo dia, usou orgulhosamente uma t-shirt dos GHOST e convidou três Nameless Ghouls, os dois guitarristas e o baterista, para subirem ao palco no final do concerto dos seus DOWN.

Durante 2012 os músicos mantiveram-se consistentemente na estrada, primeiro com os Trivium e os In Flames na Defenders of the Faith III Tour, ao que se seguiu a 13 Dates of Doom pelos Estados Unidos – a primeira campanha como cabeças de cartaz – e, de Abril a Maio, a Heritage Hunter Tour, na companhia dos Mastodon e Opeth. A 15 de Dezembro de 2012, os GHOST deram um espectáculo muito especial na sua cidade natal, Linköping, onde aproveitaram para apresentar um novo frontman, o Papa Emeritus II, e estrear um inédito.

«Secular Haze», o primeiro avanço ao segundo longa-duração, foi disponibilizado uns dias depois e, em Janeiro do ano seguinte, lançado num single em vinil de 10” com uma versão de «I’m a Marionette», dos ABBA, no Lado B.

O muito aguardado «Infestissumam» chegaria aos escaparates a 16 de Abril através do selo Loma Vista Recordings, uma subsidiária do Universal Music Group. Do outro lado do Atlântico, a estreia dos GHOST numa multinacional tinha sido antecedida por uma alteração de nome para Ghost B.C. por questões legais e sofrido um atraso muito considerável – as quatro primeiras fábricas de CDs a que o disco foi apresentado recusaram o trabalho, descrevendo a capa como “a ilustração de uma orgia no Séc. XVI”.

Envoltos em controvérsia e mistério, deram o tiro de partida para a Haze Over North America Tour – 20 datas nos Estados Unidos e Canadá – uns dias antes do lançamento do álbum, frente a milhares de pessoas no famoso Coachella Festival. A subir rapidamente degraus na sua progressão de carreira, o colectivo não perdeu tempo, embarcando numa colossal digressão mundial e na Still Hazing over North America Tour, que culminou no festival Lollapalooza, em Chicago.

A seguir foram para a América do Sul ao lado dos Iron Maiden e Slayer, tocaram no Rock In Rio no Brasil e fizeram mais duas digressões do outro lado do Atlântico e no Reino Unido, com os Avenged Sevenfold e os Alice in Chains, respectivamente.

O ano seguinte começou em grande, com o grupo a arrebatar o galardão para “melhor álbum de Hard Rock/Metal” nos Grammys suecos e, desde então, apoiados na mestria com que fundem um cenário de terror que vai beber influência a artistas como Arthur Brown e Alice Cooper com os riffs dos Blue Öyster Cult, a dose certa de psicadelismo e melodias que deixariam os The Beatles profundamente orgulhosos, não mais pararam de conquistar fiéis dentro e fora do metal.