FEAR FACTORY

FEAR FACTORY apresentam «Roboticist», o primeiro single da nova era com MILO SILVESTRO [vídeo-clip]

O novo tema marca a estreia discográfica da actual formação dos FEAR FACTORY e recupera a obsessão da banda pela tecnologia, inteligência artificial e possível obsolescência da humanidade.

Os FEAR FACTORY acabam de dar o primeiro passo oficial na nova era da sua carreira. «Roboticist», o novo single da banda norte-americana, já está disponível e marca a estreia discográfica da actual formação, com Milo Silvestro na voz e Pete Webber na bateria. Depois de cerca de três anos e meio a acompanharem Dino Cazares em palco, os dois músicos passam finalmente a integrar o universo gravado do grupo.

A chegada de «Roboticist» representa um momento particularmente importante para os FEAR FACTORY. Desde a saída de Burton C. Bell, em 2020, que a banda se encontra numa fase de reconstrução, primeiro através da consolidação de uma nova formação ao vivo e, agora, com a apresentação de música inédita. O novo single é, nesse sentido, muito mais que o primeiro avanço para um próximo álbum: é a primeira oportunidade para perceber como soa esta nova encarnação dos FEAR FACTORY em estúdio.

Dino Cazares não tem dúvidas quanto à importância do momento. Numa entrevista recente, o guitarrista classificou «Roboticist» como o início de uma “era completamente nova” para os FEAR FACTORY e a escolha de «Roboticist» para assumir esse papel não poderia ser mais adequada.

Como podes conferir no player em cima, a canção mergulha directamente no território conceptual que os FEAR FACTORY têm vindo a explorar desde o início da carreira: a relação entre a humanidade e a tecnologia e, sobretudo, a possibilidade de a segunda acabar por tornar a primeira obsoleta. Mas há uma particularidade na perspectiva adoptada desta vez. «Roboticist» não é apenas sobre a máquina que ameaça substituir o ser humano. É sobre aquele que a cria.

É basicamente sobre o roboticista, a pessoa que fabrica os robots. Chamamos-lhe o arquitecto do artificial. Ele está a construir máquinas para sobreviverem à carne”, explica o timoneiro dos FEAR FACTORY. A frase resume o núcleo conceptual do single e encaixa perfeitamente numa narrativa que acompanha a banda desde «Soul Of A New Machine», o disco de estreia de 1992. Ao longo das décadas seguintes, Cazares e companhia desenvolveram uma visão cada vez mais elaborada de um futuro em que os avanços tecnológicos deixam de estar ao serviço do homem e passam a determinar o seu destino.

Álbuns como «Demanufacture» e, sobretudo, «Obsolete» levaram esse conceito ainda mais longe. No segundo caso, lançado em 1998, os FEAR FACTORY imaginaram um mundo em que os seres humanos, as profissões, as tarefas e as formas tradicionais de comunicação eram progressivamente substituídos pela tecnologia. Quase três décadas depois, essa realidade parece ter aproximado alguns desses cenários da vida quotidiana.

Cazares reconhece que a inteligência artificial não é propriamente uma novidade. O conceito e a investigação na área remontam a muitas décadas, mas a sua presença tornou-se agora praticamente impossível de ignorar. Está nos nossos dispositivos electrónicos, está nas aplicações, nos algoritmos e em inúmeras ferramentas utilizadas diariamente. Na perspectiva do guitarrista, isso significa que quem pretender evitar completamente a inteligência artificial teria de abandonar grande parte da tecnologia moderna e viver “fora da rede”. Para o músico, a alternativa passa inevitavelmente pela adaptação.

É precisamente essa inevitabilidade que torna «Roboticist» particularmente pertinente no momento actual. Os FEAR FACTORY não estão a descobrir agora a inteligência artificial como tema; estão a observar uma realidade que a banda já vinha a imaginar há décadas e a acrescentar-lhe um novo capítulo.

Mais pertinente ainda, o lançamento do novo single permite também ouvir, pela primeira vez num contexto oficial, Milo Silvestro como vocalista dos FEAR FACTORY. Anunciado como novo membro da banda em Fevereiro de 2023, o cantor italiano assumiu uma tarefa particularmente delicada. A voz de Burton C. Bell tornou-se indissociável do som dos FEAR FACTORY, e a escolha de um sucessor implicava encontrar alguém capaz de manter essa identidade sem transformar a banda numa mera caricatura do seu passado.

Cazares admite que a decisão não foi imediata, mas explica que ficou impressionado quando ouviu Silvestro pela primeira vez. O vocalista tinha precisamente o tipo de voz e de abordagem que o guitarrista considerava necessário para interpretar as canções dos FEAR FACTORY. Além disso, Silvestro era também um admirador da banda e conhecia profundamente o trabalho de Burton C. Bell, incluindo as técnicas e efeitos utilizados pelo antigo vocalista. Essa familiaridade acabou por pesar na decisão.

No entanto, «Roboticist» e o futuro álbum deverão mostrar que Silvestro não se limita a imitar o passado. “Há definitivamente muitos desses mesmos elementos no novo disco, mas o Milo também teve definitivamente liberdade para explorar algum do seu próprio estilo”, explicou Cazare, acrescentando ainda que o vocalista “brilha” no novo álbum dos FEAR FACTORY. Verdade seja dita, pelo que nos é dado a ouvir neste novo single, nada nos faz duvidar das palavras do guitarrista relativamente ao que será o sucessor de «Aggression Continuum», editado em junho de 2021 pela Nuclear Blast Records