Os norte-americanos ESCUELA GRIND passam por Portugal no final de Junho, com datas confirmadas em Ovar e Faro.
O que devia ter sido mais uma noite de powerviolence e hardcore nas entranhas de Berlim tornou-se, na tarde de ontem Sábado, um episódio de violência que obrigou os ESCUELA GRIND a mudarem de sala à última hora — e que promete deixar uma marca na discussão sobre segurança em espaços de concertos na Europa.
A 6 de Junho, pouco antes do concerto agendado na sala Urban Spree, a vocalista Katerina Economou e o baterista Jesse Fuentes foram alegadamente agredidos pelo responsável pela segurança daquele espaço. O incidente, relatado pela própria banda através das redes sociais, levou os ESCUELA GRIND a recusar-se a actuar no espaço e a transferir o espectáculo para a Tommyhaus, que aceitou acolher a banda para que a data alemã não fosse cancelada.
No comunicado divulgado ainda nesse dia, os ESCUELA GRIND foram directos: “O concerto desta noite na Urban Spree foi transferido para a Tommyhaus porque a Katerina e o Jess foram agredidos pelo chefe de segurança à chegada. Não consideramos seguro para nós, para as outras bandas, nem para os nossos fãs actuar no Urban Spree, tendo em conta o que nós e outros membros da equipa tivemos de experienciar e testemunhar.” A breve declaração termina com um agradecimento à Tommyhaus por ter tornado possível manter o espectáculo vivo — e com a energia característica de uma banda que não recua facilmente.
Formados em Massachusetts, ao longo dos anos os ESCUELA GRIND construíram uma reputação sólida nos circuitos do hardcore e powerviolence internacionais, com uma abordagem que mistura brutalidade técnica com uma postura politicamente consciente e combativa. Não é a primeira vez que a banda se vê frente a adversidades em digressão — e a forma como responderam a a este incidente em Berlim é, em si mesma, coerente com o ADN do grupo.
A opção por não minimizar o sucedido, por recusar o palco e por comunicar publicamente aos fãs o que se passou é também um sinal dos tempos: cada vez mais, bandas do circuito alternativo e underground exigem condições de segurança e respeito que, durante demasiados anos, foram totalmente ignoradas ou subalternizadas em contextos de espectáculo.
A digressão europeia dos ESCUELA GRIND — iniciada com este contratempo em Berlim — percorre um extenso trajecto pelo continente durante o mês de Junho, com passagens pela Alemanha, pela Eslovénia, Áustria, Itália, Suíça, Bélgica e Países Baixos, incluindo uma presença no Hellfest, em Clisson, França, a 20 de Junho.
Portugal é uma das paragens finais desta travessia: no dia 24 de Junho, a banda actua no Buraco, em Ovar, e a 26 de Junho o destino é a Associação de Músicos de Faro. Dois concertos que, para os fãs portugueses de hardcore e powerviolence, representam uma oportunidade rara de ver ao vivo uma das bandas mais intensas e comprometidas do género na cena norte-americana contemporânea.
Após tudo o que esta digressão já implicou — agressões, mudanças de última hora, logística em ebulição —, é muito difícil imaginar que Katerina Economou, Jesse Fuentes e os restantes membros dos ESCUELA GRIND cheguem à Península Ibérica com menos que tudo. Até porque, normalmente, é precisamente isso que trazem.





