A convite dos próprios TURNSTILE, os “brutalistas” DYING FETUS levaram o tema de «NEVER ENOUGH» para um território muito mais extremo, com guturais, guitarras dilacerantes e bateria demolidora.
Os DYING FETUS decidiram levar os TURNSTILE para um território onde poucos provavelmente esperariam encontrá-los: o death metal. A banda norte-americana disponibilizou uma versão de «BIRDS», um dos temas de «NEVER ENOUGH», aquele que é o mais recente álbum da banda punk, reinventado através da abordagem extrema e tecnicamente demolidora dos autores de «Make Them Beg For Death».
A nova versão surge em «NEVER ENOUGH: VERSIONS», uma compilação lançada na passada sexta-feira, dia 29 de Agosto, na qual os TURNSTILE convidaram um conjunto bastante diversificado de artistas para reinterpretar as canções do seu aclamado quinto álbum de estúdio. O resultado atravessa géneros e linguagens musicais muito diferentes, reunindo nomes ligados ao R&B, rock, indie, música electrónica e hip-hop, entre outros universos.
No meio de toda essa variedade, a leitura de «BIRDS» pelos DYING FETUS destaca-se pela distância relativamente ao material de origem. Em vez de se limitarem a reproduzir a estrutura do tema, os veteranos do death metal optaram por pegar na energia do punk hardcore e levaram-na ao limite, acrescentando-lhe a violência sonora que caracteriza a sua própria identidade sonora.
Se, na versão original, «BIRDS» assenta numa combinação entre a intensidade característica dos TURNSTILE e uma abordagem relativamente descontraída e dinâmica, que contrasta com os momentos mais explosivos do disco, a versão assinada pelos DYING FETUS mantêm parte desse ADN rítmico, mas transforma-o completamente através de uma sonoridade muito mais agressiva.
Como podes conferir no player em cima, a guitarra assume desde logo um papel central na reinterpretação. Os riffs são revestidos por linhas mais próximas do death metal, com passagens rápidas e ataques sucessivos que conferem à composição uma dimensão muito mais pesada. A bateria acompanha essa transformação com uma intensidade consideravelmente superior, multiplicando os ataques de tarola e reforçando a sensação de velocidade que já estava presente na versão dos TURNSTILE.
O resultado é uma espécie de colisão entre o hardcore de Brooklyn e o death metal do Maryland, com a base rítmica de «BIRDS» a continuar reconhecível, mas assumindo uma apresentação suficientemente diferente para fazer com que o tema pareça ter sido reconstruído de raiz. Também as linhas vocais de Brendan Yates recebeu uma transformação significativa, claro. John Gallagher, guitarrista e vocalista dos DYING FETUS, substitui a interpretação mais melódica e descontraída do original por uma abordagem áspera e gutural, tentando conferir uma nova dimensão ao célebre momento em que Yates repete “free, free, free“.
Apesar da brutalidade introduzida pelos DYING FETUS, há alguns elementos da composição original que permanecem intactos. E é precisamente a presença desses detalhes mais brincalhões e sincopados que impede a versão de se transformar simplesmente numa composição dos death metallers com outro título. Resultado: a personalidade dos TURNSTILE continua presente, ainda que enterrada sob uma camada muito mais espessa de guitarras distorcidas, vocalizações extremas e bateria avassaladora.
Como mencionado antreiormente, a versão dos DYING FETUS integra um projecto mais abrangente. «NEVER ENOUGH: VERSIONS» foi concebido como uma forma de mostrar até onde as canções dos TURNSTILE podem ser levadas quando entregues a artistas com linguagens musicais completamente diferentes. O alinhamento inclui nomes tão distintos como Slayyyter, Porches, Hayley Williams, A. G. Cook, Floating Points, Rod Lee, Kettama, Mustafa, Julien Baker, Panda Bear, Brandon Woody, Four Tet, Dan Deacon, Blood Orange e Angel Du$t, entre outros.
Entre todas essas participações, há ainda uma colaboração particularmente inesperada: Sir Elton John, que também contribui para o projecto com uma versão. A presença do músico britânico reforça a amplitude de uma iniciativa que não pretende simplesmente apresentar versões alternativas das canções, mas explorar diferentes formas de as reconstruir.


